Ponto Vermelho
Ventos cruzados em Alvalade
20 de Setembro de 2014
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1. A mediocridade de pensamento que inunda muitas cabecinhas ditas pensantes desta terra, leva-as a auto-convencerem-se que através da bajulação e do seguimento incondicional do poder em exercício, as candidata e torna detentoras da possibilidade de interferir na regulação descricionária e na distribuição dos benefícios desse mesmo poder do qual beneficiam. Têm características de aves migratórias que se apressam a transferir-se com armas e bagagens mal pressintam que possam vir a soprar ventos de mudança.

2. É inegável disfarçar que a eleição de Bruno de Carvalho (BC) e as suas subsequentes acções em turbilhão ostensivamente saudadas, conferiram a ilusória sensação de que estaríamos na presença de um novo Messias no futebol que rapidamente iria pôr nos eixos os velhos vícios de um Sistema de compadrio e corrupto, mas ainda eficaz nas suas acções e no controlo dos seus (e dos aliados) interesses espúrios. As primeiras acções à frente do Sporting a romper com um passado de côcoras face a interesses que não eram nem nunca foram os seus, bem como a rápida declaração de guerra ao seu compagnon de route de mais de uma década, conferiram-lhe prestígio e alimentaram a esperança, sobretudo aos olhos do universo leonino farto de andar a reboque. A que se juntou, com surpresa, uma boa recuperação desportiva que suplantou todas as expectativas.

3. Depois de deixar essa primeira fase da poeira assentar, BC sob pressão dos corredores leoninos e a ser acusado de procurar uma nova dependência, fez o que seria expectável: – criar condições para o rompimento das relações com o Benfica até aí sem grandes rasgos mas estáveis, ou, para sermos mais precisos, passar a situar-se no padrão que costuma caracterizar o universo leonino – de costas voltadas para o outro lado da 2.ª circular. Lagarto que se preza é fiel à matriz de hostilização ao seu rival e vizinho, confundindo o significado da rivalidade salutar que existia no passado. Uma reacção, por norma, dá sempre origem a outra reacção e voltámos ao panorama dos últimos anos sem que vislumbremos quaisquer vantagens para as partes. A outra parte interessada, o seu ex-mentor e aliado tácito, respirou de alívio. Do mal o menos, porque é sempre mais fácil combater dois adversários de per si

4. O 2.º lugar inesperadamente obtido e o acesso directo à Liga dos Campeões, fez corar de vergonha a estrutura de sonho o que, conjugado com a conquista do título pelo Benfica, colocou os portistas em alerta máximo. É que para além de não se vislumbrarem alterações de fundo em todo o edifício do futebol leonino a não ser o treinador que até conhecia a realidade do futebol português, com algumas aquisições, com BC a clamar aos quatro ventos que o Sporting era firme candidato ao título, e com um final de época empolgante dos encarnados a prometer seguimento, não restava ao FC Porto senão empreender a fuga para a frente. Assim aconteceu.

5. A época leonina iniciou-se portanto sob o signo do optimismo que chegou a atingir a euforia enfatizada com comentários elogiosos nos media que, dada a conjuntura do momento, consideravam que o Sporting partia na frente não hesitando até em atribuir-lhe alguma dose de favoritismo para a conquista do campeonato. BC na primeira linha a cavalgar em toda essa onda de euforia não controlada em que o céu era o limite, contribuiu de forma acentuada para a propagação aos adeptos, situação bem traduzida nas assistências que aumentaram exponencialmente em Alvalade. Perfeitamente lógico e compreensível.

6. Contrariamente às expectativas a caminhada do Sporting no campeonato começou periclitante com uma vitória in-extremis com o Arouca, para logo a seguir deixar 2 pontos em Coimbra já nos descontos, uma fatalidade que o iria acompanhar no jogo de estreia na Liga dos Campeões frente ao mais fraco adversário do grupo. Pelo meio, beneficiando de um incrível erro alheio logrou obter um revigorante empate na Luz, mas rapidamente voltou aos empates desta vez em casa com o Belenenses com a particularidade de voltar a beneficiar de um inesperado erro do adversário. Daí até à tradicional prova de confiança do presidente ao treinador foi um ápice. Mais uma evidente precipitação de BC que criou elevadas expectativas nos adeptos sem previamente assegurar que as omeletes são feitas mas… com ovos. Não teria sido mais prudente e sensato ter pensado que Roma e Pavia não se fizeram num dia?








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