Ponto Vermelho
Vaticínios…
22 de Setembro de 2014
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Por Bolandas

Apesar dos vaticínios de uma vasta troupe de experts da nossa praça neste defeso apontar para um passeio do FC Porto a nível interno que normalmente atingiria o seu ponto crítico até à 10.ª jornada, concluída que está a 5.ª o Benfica acaba de assumir a liderança isolada, arriscando-se desde que faça o trabalho que lhe compete no Estoril na próxima jornada, a aumentar o pecúlio de pontos aos seus adversários mais directos, atendendo a que há Clássico na próxima Sexta-Feira. Acaba por não ser nada de inédito - longe disso! -, bastando recordar que ainda no ano passado as hipóteses do Benfica, segundo os media, eram escassas e remotas com as críticas a subiram de tom para níveis inimagináveis quando o Benfica começou a época de forma titubeante.

Tendo como ponto prévio que a nossa Comunicação Social é composta por gente que não se consegue afastar de clubites e/ou está refém de interesses editoriais vs audiências e tiragens, os benfiquistas vão já por esta altura relativizando as teses apocalípticas que lhes são servidas ano após ano com receitas mal cozinhadas e repetidas. Sem perder o espírito crítico e sem esquecer que o timing das contratações do Benfica foi de facto discutível – com a chegada de reforços apenas na recta final do mercado e com o entrosamento agora a não ser ainda o desejado -, seria ainda assim pertinente que se separasse sempre o trigo do joio, inferindo-se sobre os motivos que estão por detrás de críticas soezes e completamente despropositadas à estrutura encarnada.

Com Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira como alvos predilectos dos nossos adversários - não fossem eles peças fundamentais da engrenagem encarnada que vem ameaçando a cada vez mais pálida hegemonia azul e branca -, foram ainda estes a desdobrarem-se em elogios aos adeptos presentes no Estádio da Luz que na passada 3.ª Feira, na parte final do jogo com o Zenit propiciaram um dos momentos mais marcantes e emocionantes no novo Estádio pelos mais variados motivos. Em primeiro lugar porque é ponto assente que na maioria das vezes é a equipa que tem de puxar pelos adeptos; depois porque já após se ter rompido com a aberração dos patinhos feios de outrora, incentivar os jogadores na adversidade é algo incomum e contra-natura no espírito do adepto português.

Sem perder de vista que para tal manifestação se ter sucedido muito contribuiu o ainda presente estado de graça do final quase épico da época transacta, não deixa de ser menos verdade que as mentalidades estão em fase de mudança, não parecendo haver qualquer resistência a esse fenómeno. Como aliás demonstrou o jogo entre o Benfica e o Moreirense, a cumplicidade entre relvado e bancadas é neste momento uma realidade incontornável, indo longe os tempos em que a contraproducente ansiedade das bancadas invadia o espírito dos jogadores que chegavam a preferir jogar fora. Noutros tempos mais ou menos recentes, jamais Lima teria espaço de manobra depois de tantos jogos a ficar em branco, ou os adeptos se esqueceriam dos lapsos a meio da semana de Jardel, ou a bem organizada equipa do Moreirense deixaria de levar ao desespero o público nas bancadas. É a realidade viva do momento que espero tenha vindo definitivamente para ficar, aparte momentos eventualmente menos felizes que temos que estar preparados para enfrentar com o espírito que ora prevalece.

Sob a batuta de Jorge Jesus, a quem se podem apontar muitos defeitos mas nunca pôr em causa a veemência do seu trabalho e a sua falta de compromisso e ademais dos homens que coordena, existe hoje a confiança mútua que seja quem chegue ou quem já está no Benfica há algum tempo, tudo fará para que o Clube consiga alcançar os objectivos pré-estabelecidos. Ainda que haja o preconceito luso que o elogio ou a ausência de uma postura mais musculada por parte de adeptos pode causar algum relaxamento e deixar de servir os interesses do emblema, não é esta uma questão menor ou de falta de exigência. De forma simples, diria apenas se cada um não for egoísta e colocar os interesses do clube acima dos seus, perceberá que quem o representa tudo fará para que as vitórias cheguem. Muito provavelmente nem sempre bem, mas esforçando-se a cada passo por fazer sempre o melhor.










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