Ponto Vermelho
Personagens interessantes-IV
23 de Setembro de 2014
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Por EagleView

Avanço hoje para a publicação da segunda-parte da entrevista efectuada pelo jornalista Miguel Sampaio do" Jornal de Leiria" ao ex-árbitro António Garrido desaparecido há pouco tempo do mundo dos vivos. Dada a sua extensão haverá ainda uma terceira parte que concluirá o seu depoimento e que será publicada a seguir. Aqui ficam portanto as perguntas e as respostas que dão a conhecer melhor o antigo árbitro da Associação de Futebol de Leiria que teve um papel destacado no panorama do futebol português a partir da década de oitenta.

Continuemos então:

Em Portugal também era respeitado como no exterior?
Sim. Fazia quase todos os jogos entre o Benfica e o FC Porto. Naquela altura os árbitros de Lisboa e do Porto não podiam dirigir essas partidas. Como era de Leiria tinha a facilidade de poder fazer esses encontros todos.

Do Sporting não dirigiu porque se declarou sportinguista...
Todas as pessoas têm uma predilecção por um clube. Podemos ser do Marinhense ou da União de Leiria, mas também de um a nível nacional e, nessa altura, ou se era do Sporting ou do Benfica. Tínhamos de dizer qual era o clube da nossa simpatia e eu disse que era do Sporting. Houve quem dissesse que era do Oriental... A Comissão de Árbitros não me nomeava para o Sporting e só por uma vez dirigi um FC Porto-Sporting, um jogo decisivo para o título, e as direcções dos dois clubes entenderam que eu era a pessoa indicada.

Ainda é o seu clube do coração
Hoje, não. Vamos lá ver. Uma pessoa acaba por se sentir bem onde nos tratam bem. Não é que o Sporting ou o Benfica não me tratassem bem. Acompanhei os árbitros nos jogos desses clubes, mas também da União de Leiria e do Boavista, mas comecei a sentir-me acarinhado, principalmente quando terminei a carreira, pelo FC Porto. Acabei por ganhar uma simpatia pelo FC Porto e posso dizer que hoje sou portista.

Quais eram as suas funções enquanto colaborador do FC Porto? Há quem diga que teve tanta importância nos títulos conquistados como Pinto da Costa...
Nunca tive qualquer função. Passei a gostar do FC Porto devido ao carinho das pessoas, fiz uma ou outra palestra a nível dos jogadores, como fiz noutros clubes. Agora uma função, não. Passei a acompanhar o FC Porto e continuo a acompanhar os árbitros nas partidas internacionais do FC Porto porque sou nomeado pela UEFA através da Federação Portuguesa de Futebol. De resto, como já acompanhei os árbitros do Benfica e do Sporting.

Diz-se que a Marinha Grande é melhor madrasta do que mãe. Sente que o seu concelho o reconhece como merece?
Acho que sim. Nasci em Vieira de Leiria e aos 12 anos mudei-me para a Marinha Grande, que me reconheceu como uma figura do concelho e até me atribuiu a medalha de ouro. Mais do que isso não sei o que poderiam fazer. Quanto às pessoas em si, é bastante natural que existam algumas que não gostam de mim. Por terem simpatia por este ou aquele clube, mas sobretudo porque são bastante invejosas.

E Portugal
Olhe, o País reconheceu-me mais do que a própria terra. Fui reconhecido pelo Governo com a medalha de Mérito Desportivo e mais tarde fui agraciado pelo Presidente da República com o grau da Ordem do Infante D. Henrique. Quer dizer que Portugal viu em mim uma figura que merecia ser reconhecida. Por outro lado, depois de ter terminado a minha carreira como árbitro, fui durante 20 anos instrutor de árbitros da FIFA, observador da UEFA e comissário de árbitros em campeonatos do Mundo. Fui quatro anos membro do Conselho de Arbitragem a nível nacional e nunca fui dirigente da Associação de Futebol de Leiria.

E como é que isso se explica?
Nunca tive aquele reconhecimento que penso que merecia. Nunca fui convidado para uma palestra, para nada! Talvez não fosse uma pessoa querida para muita gente. Não me cria uma mágoa muito grande, mas penso que não se coaduna com todo o reconhecimento que tive em Portugal e no estrangeiro. (…)
















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