Ponto Vermelho
Baú de memórias-I
27 de Setembro de 2014
Partilhar no Facebook

Por EagleView

Como já observámos, o último terço do século foi particularmente fértil em acontecimentos na área do futebol. Começou com a ascensão do FC Porto de Pinto da Costa que conseguiu construir e consolidar nesse período uma fase de grande domínio e que se haveria de prolongar no futebol português. Do outro lado, em contraponto, o Benfica caminhava para a longa travessia do deserto. Desse período intenso ficam as memórias e os protagonistas que por uma razão ou por outra se destacaram nas várias áreas. Regressemos, pois por breves instantes a essa época.

No panorama jornalístico existiu um programa percursor dos modelos que temos agora ocasião de presenciar todas as semanas. Chamava-se "Os Donos da Bola", começou a ir para o ar a partir de 1992 na SIC e atingiu grande nível de audiências. Tinha por finalidade divulgar a actualidade do futebol a começar pelos podres que constavam existir. Era moderado pelo jornalista David Borges e teve o seu epílogo em 1999. Para além do ex-jornalista Marinho Neves autor do polémico livro "Golpe de Estádio", outro dos seus membros era o jornalista Jorge Schnitzer que entrou em rota de colisão com os responsáveis, tendo sido suspenso pelo então Director de Informação e de Programas, Emídio Rangel recentemente falecido.

Para perceber melhor o ambiente da altura, aqui recordamos a primeira parte de uma entrevista do referido jornalista há aproximadamente 2 anos. Como sempre, cabe a cada um de nós extrair as ilacções que entender por convenientes:

Pergunta: A SIC inflacionou o futebol em Portugal?
Jorge Schnitzer: A SIC quando apareceu fez 3 contratos com os 3 grandes…

P: Para as transmissões dos duelos entre eles, a preços exorbitantes.
JS: Exacto. Aí pagámos de facto mais do que os jogos valiam, porque a SIC tinha uma verba para promoção inicial e aquilo fazia parte do arranque. Porque quando começaram as televisões privadas as pessoas tinham os écrans sintonizados para a RTP e não faziam ideia nenhuma de como se lá ia mexer nos botões para se apanhar a nova estação. Uma gigantesca onda através do futebol ajudava.

P: Aí entra a Olivedesportos…
JS: Eles aproveitaram a onda com a ameaça de que a SIC punha em causa a hegemonia da RTP no futebol…

P: Mérito de Joaquim Oliveira…
JS: O senhor Joaquim Oliveira (JO) foi esperto, acertando a compra dos jogos à Liga para posterior venda à RTP, com o apoio de Adriano Cerqueira que, segundo o “Independente” teve uma reunião com a Olivedesportos antes da entrega da proposta da RTP que já se sabia ser inferior à da Olivedesportos.

P: Mas, entretanto, a Liga abriu o concurso para os direitos de transmissão e dos resumos dos jogos…
JS:. E a SIC ofereceu 50 mil contos (250 mil euros) que foi o que achou que aquilo merecia.

P: Quanto é que ofereceu a RTP?
JS: Um milhão e oitocentos mil contos (9 milhões de €).

P: E a Olivedesportos?
JS: Um milhão e novecentos e oitenta mil contos (9,9 milhões de €).

P: Porquê este desfasamento?
JS: Ora, entre 50 e 1 milhão e oitocentos mil contos a RTP podia ter ficado com o contrato por 51 mil contos. Ainda por cima depois de a PJ ter feito aquela busca a casa do JO, onde descobriu – ele tinha a proposta da SIC em seu poder – o que mostra que a Olivedesportos tinha conhecimento da proposta para ganhar o concurso.

P: Há má fé da RTP?
JS: A RTP deu menos que o Oliveira permitindo que a Olivedesportos, que não é uma estação emissora, entrasse no concurso. Só se o JO pusesse umas antenas na testa é que podia entrar nesse concurso, pois a RTP dizia, “Você ganhou? Parabéns, então emita!” Devia ter havido um concurso apenas para intermediários e não misturar tudo neste “caldinho” que deu os resultados que deu.

P: A RTP é que permitiu estes valores?
JS: Claro, senão eles ficavam com o jogos no bolso e perdiam quase 2 milhões de contos (10 milhões de €).

P: Mas a RTP comprou…
JS: A RTP em vez de se retirar do concurso, obrigando a Liga a vender pelo preço que quisesse, faz aquela jogada estranhíssima que a obrigou a pagar, então, 3 milhões de contos (15 milhões de €). (…)














Bookmark and Share