Ponto Vermelho
Baú de memórias-II
28 de Setembro de 2014
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Por EagleView

Concluo hoje a publicação da entrevista a um dos responsáveis dos antigos "Os Donos da Bola" do canal televisivo SIC. Por aqui se pode inferir o ambiente da altura e as estratégias concebidas que ajudam a perceber muita coisa do que se passou e que acabou por influenciar num determinado sentido o rumo do futebol português.

Avancemos então:

P: Também entram os negócios da publicidade estática…
JS: A Olivedesportos é que escolhia os jogos para serem transmitidos, pois como se sabe, se um jogo dava na TV o valor dos anúncios nos campos custa mais 300% (4 vezes mais).

P. Como é que a RTP consente isto?
JS: Não sei, mas na renovação do contrato a RTP pagou 4 Milhões de contos (20 Milhões €), que saem do bolso do contribuinte para a Olivedesportos. Como é que a RTP pagou tanto dinheiro quando não tem opositor no mercado? (Posição monopolista, portanto). Porque a SIC ofereceu zero escudos, não fez qualquer proposta…

P: Mas a SIC ainda transmitiu alguns jogos. Eram clubes fora da órbita da Olivedesportos?
JS: Não, esses clubes estavam dentro do universo do sr. JO. O contrato é o seguinte: os clubes vendem 3 jogos ao Oliveira, e os resumos, porém os restantes podem ser comprados se nós, ou pela TVI, se quisermos.

P: Está a dizer que a RTP tinha o mercado na mão e deixou-o fugir porque quis…?
JS: A RTP tinha o mercado na mão mas prefere pagar ao sr. Oliveira.

P: Voltando à publicidade…
JS: Essa é outra história muito importante. A RTP tinha uma empresa de publicidade estática, a LPE, tinha o melhor negócio de todos que era a publicidade estática do Estádio da Luz, que é o comercialmente mais valioso. Pois, a RTP acabou com a LPE…

P: Não me diga que a Olivedesportos também tinha uma empresa do mesmo estilo?
JS: A Olivedesportos é, exactamente uma empresa desse estilo, e concorrente da LPE. Porque é que a RTP vai dar dinheiro a ganhar a uma concorrente da LPE que pertence à RTP? Repare que uma empresa pública não pode dar "luvas" por fora a ninguém. A Olivedesportos pode dar prendas a quem entender. O que é certo é que a RTP nunca defendeu a sua empresa que era a LPE.

P: E acabou ou venderam-na?
JS: O Joe Berardo quis comprar a LPE mas como ela fazia concorrência a uma empresa da Olivedesportos, a RTP recusou-se a vendê-la, preferindo extinguir a empresa, o que é uma coisa extraordinária.

P: Mas de onde vem essa relação entre a Olivedesportos e a RTP?
JS: Isso é que convinha que o sr. Procurador-Geral da República investigasse…

P: Qual é a verdadeira força do Joaquim Oliveira?
JS: A força do homem não se sabe, o que se sabe é que há muita gente que, de repente, apareceu melhor na vida. Agora se receberam prendas isso é uma tarefa que não me compete a mim provar.

P: E de onde vem a capacidade económica do JO?
JS: Não sei, mas uma boa ajuda terá certamente sido dada por este ruinoso contrato para o erário público celebrado com a RTP. Antes, ele não tinha um tostão. Toda a gente se lembra de, em Saltillo, ele andar de martelos e pregos, de joelhos, a espetar a publicidadezinha nas placas. Ele só começou a ter dinheiro depois deste contrato com a RTP, verdadeiramente idiota para a empresa pública.

P: Se diz que voltará a falar com Pinto da Costa, já a JO torce o nariz…
JS: Não conheço esse senhor de lado nenhum…

P: É Joaquim Oliveira o cancro do futebol português?
JS: Não é ele, mas a Olivedesportos será certamente. Não se justifica haver um intermediário quando a RTP pode dominar directamente o mercado. Tem de se ver para onde vai o dinheiro dos contribuintes. É caso único no mundo haver esta promiscuidade entre um sócio da Olivedesportos (António Oliveira) ter sido selecionador, ser treinador do campeão português, ser proprietário de um jornal ("O Jogo") que impõe ao seu sócio um "black-out" desse clube para os jornais concorrentes e proprietário de uma agência de viagens ("Cosmos") que oferece prendas aos árbitros que apitam esses jogos desse mesmo clube.

P: Isso é tentacular…
JS: Mais do que um cancro, isto é um verdadeiro "polvo" que mina a credibilidade do futebol.

P: A RTP Não zela pelos interesses dos contribuintes?
JS: Não zela!
















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