Ponto Vermelho
A primeira vaga…
30 de Setembro de 2014
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Depois da forma quase idílica com que o novo Seleccionador Fernando Santos foi apresentado, não tardaram as críticas veladas e explícitas. Não tanto à sua pessoa e à sua capacidade para o cargo, mas pela forma como o assunto, na sua globalidade, foi tratado pela Direcção da Federação. É certo e sabido que quando existe intenção de criticar de forma malévola, há sempre pontos frágeis (de personalidade, comportamentais ou outros) que dão asas a essa vontade. Afinal, ninguém é perfeito e a exposição mediática aumenta em função do estatuto de figura pública. Mas é inequívoca a tendência para analisar apenas e só os factores que mais podem concorrer para as críticas pretendidas, omitindo ou desvalorizando os pontos positivos.

Como já foi realçado, houve neste processo um tratamento do ‘tema seleccionador’ que não foi o mais adequado. O assunto da saída de Paulo Bento deveria ter sido feito com mais transparência e rigor sem necessidade de haver mosquitos por cordas, com Fernando Gomes a sentir a obrigação de justificar uma coisa que Bento se apressou a corrigir de imediato. Valeu o bom senso deste último em evitar a polémica, sem deixar contudo de pôr os pontos nos ís, pois já todos percebemos que Gomes ter-se-á submetido à decisão global da estrutura que queria afastar Bento.

Seja como for o que sempre esteve e continua verdadeiramente em causa, são os interesses da Selecção que era suposto estarem acima deste tipo de questiúnculas do bate e foge. De facto, numa altura em que para a fase de apuramento do Euro, o pontapé de saída com a insípida Albânia redundou num desastre de dimensões inimagináveis, todas as energias deverão estar concentradas no bem estar da equipa e não dispersas por egos nada compagináveis que acabam por lançar a confusão e, quiçá, comprometer uma tarefa que, à partida, não parece encerrar nada de problemático e complexo.

Foi neste ambiente de paz podre que Fernando Santos assumiu o cargo de Seleccionador Nacional. Desde logo com o handicap dos 8 jogos de castigo que o TAD irá apreciar e resolver, mantendo ou reduzindo o castigo. Foi desde logo uma das principais críticas que até fazem algum sentido, uma vez que como se sabe, a despeito de existir a máxima confiança no substituto no banco, não é em bom rigor, a mesma coisa. Isso considerando o cenário mais gravoso, porque o recurso ainda está pendente de decisão e tudo pode ainda acontecer, muito embora essa hipótese seja naturalmente de considerar.

Outra das críticas que estão em cima da mesa foi a de Fernando Santos ter afirmado que a Direcção federativa tinha declarado todos os jogadores elegíveis para a Selecção, desde o fugitivo Ricardo Carvalho, passando pelo proscrito José Bozingwa, pelo renunciador Tiago e acabando no pouco motivado Danny. Estes rótulos foram sendo colocados em grande parte nos jogadores, sem que a opinião pública tivesse ficado a saber exactamente o que se passou de concreto para que deixassem de dar o seu contributo à Selecção. A especulação tem vindo a ser alimentada, sendo do nosso ponto de vista algo que deveria ter ser evitado pois ficaram imagens retorcidas que poderão deixar sequelas, nomeadamente na questão que ressalta do antigo seleccionador ter sido intransigente em demasia.

Não havendo impedimento da parte federativa, percebemos a intenção de Fernando Santos em repescar os jogadores. Estamos em plena fase de apuramento, o campo de recrutamento está muito longe de ser vasto e não pode haver dispersão ou desaproveitamento da matéria-prima susceptível de poder fornecer mais valias à Selecção. Por tudo isso os eventuais problemas que foram sendo gerados ultrapassam-no. Desse ponto de vista a sua posição é inatacável ao mesmo tempo que dá um sinal de que em princípio todos os jogadores poderão em teoria aspirarem a ser convocados. Um bom princípio.

O interessante será contudo verificar os nomes que irão preencher a primeira convocatória. Que vem já a seguir. Como temos muitos seleccionadores e porque estão em jogo interesses muito diversificados, certamente teremos ensejo de ouvir e ler as primeiras críticas formais às escolhas. Normal quando o panorama da Selecção é o que é, com os interesses clubísticos a serem colocados em primeiro lugar. Esperemos que Fernando Santos como homem de diálogo ponderado que é ajude a esbater tão gritantes diferenças, de forma a poder conciliar na medida do possível esses interesses. Aguardamos igualmente que o seu bom senso consiga trazer de volta a motivação e o orgulho que parecem um pouco arredios. A Selecção Nacional não está no seu melhor, é uma verdade indesmentível, mas ainda tem muito para dar…






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