Ponto Vermelho
Clamores estranhos ou talvez não
17 de Janeiro de 2013
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Continuam a ecoar alguns ruídos sobre o clássico oriundos das mais variadas proveniências, com especial ênfase nos círculos afectos aos azuis e brancos. O que prova que nem tudo correu conforme o previsto, a despeito de alguns opinadores ditos independentes, apontarem o resultado como mais favorável ao Dragão sobretudo no que concerne aos efeitos psicológicos futuros. Sobre esse tema Jorge Jesus já veio a terreiro desdramatizar o possível handicap para os encarnados, afirmando que face à intensidade do jogo e ao resultado final ambas as equipas saíram por cima. É bem provável que sim mas a volatilidade do futebol aconselha-nos a todos a sermos prudentes nas análises. Em particular em terras de Camões e de Vasco da Gama.

Fica agora perfeitamente claro que os portistas (e não só) que tinham dramatizado a ausência de James Rodriguez como uma forte limitação ao desenvolvimento do seu futebol, por força dos resultados anteriores e da eventual vantagem psíquica que julgavam possuir, estavam convictos de que (mais uma vez) iriam derrotar os encarnados no seu terreno, adquirindo assim e de facto uma enorme vantagem em todos os capítulos; cavavam desde logo um fosso pontual atendendo a que o jogo em atraso no Bonfim será porventura apenas um proforma, adquiriam uma vantagem psicológica quiçá irreversível sobre os encarnados e, como consequência final, a total concentração na Liga dos Campeões onde segundo as suas próprias declarações apostam forte este ano. Pelos vistos nem todos os pressupostos estiveram reunidos, daí as ondas de choque que têm dado à costa.

Ganha força a constatação de que a cartilha do Dragão assume cada vez mais contornos dogmáticos, fazendo-nos lembrar um determinado partido político que em tempos idos sob outra liderança, levava todos a repetirem vezes sem conta as mesmas opiniões e os mesmo argumentos mesmo sabendo que a sua aplicação estava pura e simplesmente desajustada dos tempos contemporâneos. Depois do lamento de Pinto da Costa de não ver nomeado para o clássico o melhor árbitro português no estrangeiro o que deu azo a algumas especulações depois da manobra do adiamento do jogo de Setúbal, ficou provado que afinal não havia qualquer inocência no desabafo, após as divagações exaltadas de Vítor Pereira-treinador e de toda a entourage portista acerca do desempenho de João Ferreira. Veio agora Lucho González tentar completar o puzzle, provando a quem porventura tivesse dúvidas, que tudo no fundo não passava de uma estratégia concertada para retirar dividendos futuros.

Como estaremos eventualmente de acordo, nada que seja pensado ou feito no Dragão acontece por acaso o que é sinónimo de uma organização que reflecte e acerta tudo até ao mais ínfimo pormenor. Tudo isso seria um factor positivo e a reconhecer, caso não incluísse no cardápio esquemas e situações pouco ou nada consonantes com a verdade desportiva. É uma questão que se compreende, pois após tantos e tantos anos a navegar e a colher peixe em águas turvas, não seria agora que iríamos assistir a um volte-face no Dragão. Essa é a imagem de marca que prevalece e assim continuará, enquanto à frente dos destinos da Agremiação azul e branca permanecer o Querido Líder. Do ponto de vista azul e branco mudar para quê se esta estratégia tantos trunfos tem dado e tão bons resultados tem alcançado?

Há jogadores que independentemente de pertencerem a outros clubes não nos impedem de apreciarmos a sua classe, a sua influência na equipa e a sua postura enquanto seres humanos. Seja a que clube pertençam, incluindo naturalmente o FC Porto. Lucho González, aquando da sua primeira passagem pelo clube azul e branco foi um deles. Mas depois do seu regresso de França a sua faceta humana parece ter sofrido alguma mutação e está agora algo diferente, parecendo ter sofrido a habitual lavagem ao cérebro que leva jogadores debutantes azuis e brancos provenientes de diversas origens a alinharem numa estratégia trauliteira pseudo-regionalista que é apanágio dos pintistas, que são obrigados a assimilar e a divulgar se querem vir a singrar no FC Porto. É por isso que temos assistido aos mais variados disparates de jogadores estrangeiros acabadinhos de chegar à Invicta, em que se nota claramente que nem sequer sabem o porquê do que lhes é pedido para fazer.

Não será propriamente o caso de El Comandante que já tem experiência suficiente da realidade portuguesa. Que afirme que «Merecíamos mais na Luz» apesar de para além do 1º golo e uma oferta especial para o 2º o FC Porto não ter feito mais nenhum remate à baliza, percebe-se perfeitamente porque faz parte das regras do jogo de defesa do seu clube. Que tenha recebido instruções para corroborar a tese do seu Presidente e reforçar as pressões sobre a arbitragem também se enxerga. Que o tenha feito e tenha lançado suspeitas sobre a não-nomeação de Pedro Proença é que, achamos algo insólito porque, talvez ingenuamente, não o esperávamos de uma pessoa com a sua inteligência e com o seu estatuto. O assunto já foi abordado quer pelo Presidente do Conselho de Arbitragem quer pelo próprio Pedro Proença que esclareceram o porquê da sua indisponibilidade. Mas isso levanta uma outra questão e mais importante: a que propósito é que o Presidente dos Árbitros (o tal que Pinto da Costa ridicularizou como é do conhecimento público) tem de vir a terreiro dar justificações públicas sobre o assunto, secundado pelo melhor árbitro português no estrangeiro? Está-nos a escapar alguma coisa ou tal soa a uma inequívoca demonstração de vassalagem ao Querido Líder?








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