Ponto Vermelho
A dicotomia das opções...
2 de Outubro de 2014
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1. Para nos situarmos apenas e só no campo técnico-desportivo, consideramos fundamental que qualquer profissional seja ele jogador ou treinador deva conhecer a história do Benfica, sendo isso possível mesmo antes de chegar ao Clube, através das múltiplas ferramentas que hoje existem à disposição... se para tal houver interesse. Depois, através da história viva do Benfica exemplarmente retratada no Museu Cosme Damião, para além da transmissão dos ensinamentos absorvidos pela experiência daqueles que a têm vivido ao longo de gerações.

2. Explicar aos que chegam o gigantismo do Benfica e aquilo que representa no contexto universalista deverá ser uma tarefa que os sucessivos responsáveis encarnados não deverão descurar para obviar a défices de vária ordem. Ser profissional do Benfica também deve englobar essas componentes, acreditando nós que se tem vindo a trabalhar nesse sentido. Para que a evolução seja constante algumas arestas ainda precisam de ser limadas, dado que não se compreende, por exemplo, a razão porque vários profissionais estrangeiros dos encarnados com vários anos de Clube ainda continuem a expressar-se normalmente na sua língua-mãe...

3. O Benfica atingiu a expressão que tem hoje, porque soube andar à frente no tempo e porque para além da vertente nacional onde é indiscutivelmente o mais titulado, conquistou a Europa e o Mundo através da classe que passeou pelos relvados e dos seus múltiplos êxitos futebolísticos, em situações muito difíceis. Não foi por isso, contudo, que deixou de ter sucesso. É verdade que grande foi depois o hiato mas mesmo assim, o Clube não deixou de ser respeitado pelo seu passado e por aquilo que o seu presente representa, contribuindo para isso, entre outros, as finais consecutivas da Liga Europa nos últimos dois anos.

4. É nesse contexto que devemos encarar a situação actual para que possamos aferir um melhor enquadramento de objectivos. O Benfica por todo o seu historial e por tudo aquilo que é neste momento, é um crónico candidato ao título e a todas as provas do calendário nacional sem necessidade de o afirmar repetidamente até à exaustão. Está desde sempre na sua matriz de aspirações. Mas para além desses objectivos, existem outros tão ou mais importantes que não deverão ser menosprezados e muito menos desvalorizados, porque afinal grande parte do prestígio do clube foi construído precisamente através da sua vocação universalista amplamente reconhecida além fronteiras.

5. Não se compreende, por isso, a obsessão do treinador em cada declaração ou em cada Conferência de Imprensa, em repetir a tese absolutista que a prioridade é o campeonato! Ao fazê-lo e ainda que possa não ser seu objectivo desvalorizar as outras provas, está a contribuir quer queira quer não, para que tal aconteça. E isso é uma situação que acaba por influenciar a mente dos jogadores e dos próprios adeptos. Poderá, é claro, considerar que não tem hipóteses na Liga dos Campeões e é preferível priorizar o campeonato. Mas dar prioridade não significa abdicar ou estabelecer um regime de exclusividade, dado que temos que convir que a Champions não é, propriamente uma competição menor…

6. Ademais, estamos ainda a atravessar uma fase preliminar da prova onde a questão nem sequer se devia colocar em termos opcionais. Em complemento do reforço do prestígio desportivo há a questão financeira vital para o Clube, pelo que do nosso ponto de vista algo está mal e impreciso, devendo ser revistos os objectivos e a estratégia de comunicação. O Benfica em condições normais não poderá competir em pé de igualdade com os actuais gigantes europeus? É uma realidade, mas isso não deve significar nas circunstâncias presentes abdicação porque ninguém deve entrar em campo antecipadamente vencido. Não foi assim nos dois títulos europeus que o Benfica conquistou?

7. Ontem em Leverkusen por mais explicações que possam ser dadas, não houve propriamente uma noite má daquelas que podem acontecer a qualquer equipa por maior que seja o seu nível. Houve de alguma forma abdicação, porque nem o Bayer Leverkusen faz parte do lote das equipas imbatíveis, nem o Benfica é assim tão insuficiente como deu mostras. Mas apresentar em simultâneo alterações inexplicáveis num jogo de crucial importância, sem pressão, sem garra, sem alma e sem quase tudo o resto, era óbvio que estaria condenado a uma noite trágica dando uma péssima imagem da equipa do Benfica que foi vulgarizada por um Bayer que está, no máximo, no mesmo patamar. Excepto no competitivo. E isso fez toda a diferença, uma das consequências do discurso repetitivo de que a prioridade é o campeonato…

8. Como é hábito, fazem-se contas para os 4 jogos que faltam. É certo que nada está ainda fora de hipótese nem sequer o não apuramento para a Liga Europa, mas se continuar a haver persistência na mesma tese será que vai haver essa necessidade? De concreto ficou a imagem negativa do Benfica no conceito europeu onde, por ironia do destino, o resultado acabou por ser melhor do que a exibição que fica para a história como uma das piores prestações na prova, o que deixou os próprios emigrantes que nunca falham nestas circunstâncias, verdadeiramente atónitos. Veremos como reage já no Domingo a equipa na prova prioritária…




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