Ponto Vermelho
Os Fundos e a realidade portuguesa
4 de Outubro de 2014
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Por EagleView

Os Fundos de Investimento de Jogadores continuam na ordem do dia. Agora é a FIFA pressionada pela UEFA de Michel Platini, sob o pretexto de querer acabar com os negócios promísquos na área das parcerias dos clubes com os Fundos, a prometer mão firme para tentar acabar de vez com os negócios que os envolvam. Sob esse capítulo muito haveria a dizer em particular toda a hipocrisia subjacente, porquanto nada ouvi dizer no tocante aos milhões de magnatas, oligarcas e sheiks que aportam à Europa do futebol e, nomeadamente, à França natal do presidente da UEFA. Já sem falarmos que os Fundos há muito existem em todos os sectores de negócio, não se percebendo muito bem o porquê desta súbita sanha contra os Fundos… no futebol.

Recentemente, no decurso das múltiplas guerras que todos os dias trava o presidente leonino na busca da afirmação plena, veio à colação o Fundo de Investimento Doyen Sports porque supostamente prejudicava a estratégia do líder sportinguista de tentar vender o jogador Marcos Rojo de forma independente e autónoma como se fosse detentor exclusivo dos direitos económicos do jogador argentino quando apenas detinha 1/3 do mesmo. A verdade é que só rompendo com a Doyen é que o jogador poderia ser vendido, conhecidas as limitações que existem em Inglaterra sobre a matéria há já alguns anos. O jogador acabou por ir por Inglaterra e, como é óbvio o assunto está a seguir agora a sua tramitação jurídica, aguardando-se pela decisão final.

Não foi de todo inocente Bruno de Carvalho. Sabendo as intenções dos organismos supervisores do futebol, tentou fazer uma jogada de antecipação restando saber quais os desenvolvimentos e as implicações que poderão impender sobre o clube leonino. Como é seu hábito e aproveitando a boleia, o presidente leonino disparou em todas as direcções tentando atingir os seus principais adversários FC Porto e Benfica que, como se sabe, têm feito algumas parcerias com Fundos, tal como aliás o próprio Sporting. É até deveras curioso observar que, nos anteriores mandatos leoninos, depois das críticas que fizeram ao Benfica Stars Fund (já liquidado em finais de Setembro), o Sporting acabou por desempenhar o papel de macaco de imitação

Aparte estas escaramuças para distrair papalvos, em termos objectivos quem perde, afinal, com o desaparecimento dos Fundos? A resposta natural e óbvia é que serão aqueles clubes que mais os utilizam ou que mais necessidade têm deles. Isto é, clubes que não têm dinheiro para pagar a totalidade dos passes dos jogadores que querem contratar. Se um clube para contratar um jogador tem de pedir ajuda a um Fundo é óbvio que aqueles clubes que possuem a totalidade dos passes dos jogadores serão aqueles clubes que menos necessitam dos Fundos.

Ao contrário do que a intensa barreira da propaganda tenta passar, em Portugal só há um clube que não está dependente dos Fundos pois tem a grande maioria dos passes dos seus jogadores (100%) em seu poder. O FC Porto tem apenas 5 jogadores dos quais tem 100% dos passes, e o Sporting navega nas mesmas águas pois apenas tem 7 jogadores com 100% dos passes. O Benfica tem 26 (!!!!) jogadores dos quais tem 100% dos passes!, uma diferença abissal, Vejamos então:
FC Porto: A 31 de Março de 2014, o clube da Invicta só tinha 100% dos passes de Jackson Martínez, Danilo, Alex Sandro, Quiñones e Maicon. São 5 jogadores.
Sporting: Em Junho de 2014, o Sporting só tinha 100% dos passes de Montero, Heldon, Slimani, Tanaka, Oriol, Cissé e Shikabala. São 7 jogadores.
Benfica: A 31 de Março de 2014, tinha 100% dos passes de Airton, Luisão, André Almeida, Salvio, Enzo Perez, Djuricic, Gaitan, Rojas, Lima, Lisandro, Fejsa, Maxi, Sulejmani, Ruben Amorim, Steven Victoria, Júlio Cesar, Bruno Varela, Eliseu, Benito, César, Samaris, Cristante, Talisca, ‘Bebé’, Derley e Jonas. São 26 jogadores!

Mediante estes factos, tirados dos R&C dos 3 clubes, não faz qualquer sentido afirmar, como faz a CS portuguesa e alguns trolls que o Benfica irá sofrer com o desaparecimento dos Fundos. Se há clube que não irá sentir a diferença, relativamente aos outros, é o Benfica porque os seus gestores anteciparam essa ameaça e dotaram o clube de meios para o evitar.

As contas do Benfica estão cada vez mais sólidas como mostraram as que acabaram de sair. As dos outros dois estão cada vez mais fracas, bastando ler e interpretá-las. O FC Porto que toda a gente andava a elogiar irá ter grandes problemas para recuperar algumas pequenas (poucas) percentagens que queira comprar de algum jogador que joga no clube. Como se diz, os números não mentem! Pois é: Falam, falam mas acertam muito pouco. Dentro da realidade portuguesa, não é o Benfica que mais precisa de parcerias com Fundos de Investimento de Jogadores ou com a Doyen Sports…






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