Ponto Vermelho
Dúvidas e interrogações
5 de Outubro de 2014
Partilhar no Facebook

O resultado de Leverkusen e a péssima exibição produzida pela equipa do Benfica, trouxe de novo à ribalta a velha questão da competitividade das equipas portuguesas no contêxto do futebol europeu, se em compita com alguns dos considerados grandes plantéis da galáxia. Que nem sempre correspondem à real dimensão do clube e à excelência das equipas que esses plantéis de luxo podem potenciar, dado que como todos sabemos, nem sempre a plantéis de centenas de milhões correspondem equipas de enorme gabarito que tudo cilindram à sua passagem.

Seria estultícia da nossa parte não reconhecer que quem pode comprar mais e melhor não está em condições vantajosas de chegar primeiro à meta. Seria estar completamente desfasado da realidade dos nossos dias se fizéssemos por ignorar que, por hipótese, clubes como o Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique, Manchester City e United ou mesmo o Chelsea, não dispõem de mais e de melhores soluções para vencer nas várias provas onde estão inseridos. Mas objectivamente sabemos que isso nem sempre acontece, apesar das centenas de milhões investidos em cada época no reforço dos seus plantéis.

Nem sempre, é verdade, os investimentos são feitos com nexo e objectividade, muitas vezes fruto dos caprichos e das facilidades que os seus treinadores encontram em termos de possibilidades de investimento. O que leva por vezes a situações caricatas, como o Real Madrid nos tem amplamente demonstrado. Até porque, para além do mais, passa a haver uma tremenda necessidade de gestão de egos que é normalmente muito complexa e difícil e nem sempre conciliável a esse nível. Esse será porventura um dos princípios com maior complexidade dado que a homogeneidade gera aspirações legítimas a todos.

Entre nós Julen Lopetegui ainda que a uma escala muito mais reduzida tem vindo a seguir essa via nem sempre com sucesso, o que tem dado origem a inúmeras críticas quer do interior do FC Porto quer dos mais distintos analistas, sobretudo a partir do momento em que em simultâneo com a ostracização de uma das vacas sagradas do plantel portista – Ricardo Quaresma –, os resultados começaram a não corresponder às imensas expectativas da legião de admiradores e dos plumitivos que já se tinham apressado a decretar que o FC Porto esta época se limitaria a passear internamente, tendo apenas de se concentrar na Liga dos Campeões na qual tem aspirações de uma participação condigna.

Talvez fosse assim se o futebol fosse uma ciência exacta como diariamente temos ensejo de acompanhar os mais variados experts que se esforçam por demonstrar uma sapiência que a cada passo se afasta da realidade que está sempre a acontecer. Mas, felizmente, o futebol tem o condão de desmentir a cada passo a lógica da coerência, e isso leva-nos a concluir que a situação de subalternidade perene encerra em si possibilidades de ser invertida, sendo que para isso tem que haver um convencimento das equipas de menores recursos e capacidades, para além da indispensável superação. Tantos e tão bons exemplos ao longo dos tempos têm demonstrado que isso é possível, bastando para isso acreditar e fazer por isso.

Apesar das esperadas conclusões aterradoras depois das prestações insuficientes do Benfica, primeiro na Luz ante o Zénit e depois na Alemanha perante o Bayer Leverkusen e apesar do cenário estar longe de ser o desejável, mantemos que sendo um grupo equilibrado e onde todos os adversários dos encarnados têm, indiscutivelmente maior poder de compra, o Benfica, neste momento, em termos potenciais, não é inferior a qualquer deles. Não foi isso, no entanto, o que se viu quer na Luz quer no Bayer Arena, onde um Benfica com um foco demasiado centrado no campeonato, se entregou algo submisso e permitiu que os adversários demonstrassem de forma inequívoca que eram melhores.

E isso é algo estranho porque vai contra o potencial das equipas, vendo-se um Benfica demasiado passivo e a contradizer a sua matriz de clube lutador, para além de optar por soluções demasiado discutíveis em que francamente não vimos qualquer vantagem – nem para os jogadores nem para a equipa. E quando se joga na Europa o prestígio está sempre em causa e urge defendê-lo da melhor maneira possível. Não alinhamos na tese repetida por alguns de que o Moreirense e o Arouca (com todo o respeito por estes emblemas) é que são do nosso campeonato e é neles a quem temos que prestar quase exclusiva atenção. O Benfica, por tudo o que sempre foi, não se pode dar ao luxo de previlegiar provas (pelo menos da forma tão ostensiva como o está a fazer) pois todas elas são importantes. Sobretudo nesta fase ainda algo imberbe da temporada. Algo está mal no discurso que acaba por influenciar tudo o resto…






Bookmark and Share