Ponto Vermelho
Necessidade de reflectir
6 de Outubro de 2014
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1. A prova que o futebol é o momento tem sido o autêntico carrossel de análises e reacções sobre a evolução do plantel e do percurso da equipa principal de futebol do Benfica desde o final da temporada (elogioso), passando por um defeso interminável (especulativo e preocupante), por uma pré-época (decepcionante) e, finalmente, por um princípio de época (algo surpreendente e animador) se exceptuarmos a participação na Liga dos Campeões em que decorridas duas jornadas o panorama é sombrio, não só pelas duas derrotas averbadas (uma das quais em casa), mas sobretudo pela escassa competitividade demonstrada.

2. Essas prestações manifestamente insuficientes para aquilo que deveria ser a participação do Benfica na mais importante e prestigiada prova de clubes a nível mundial têm surpreendido pela negativa, porquanto ainda que reconhecidas as dificuldades devido ao alto nível das equipas participantes, não deixava de se aguardar um desempenho mais assertivo do campeão português englobado no Pote 1 do sorteio da Fase de Grupos. Contudo, se bem que o Grupo onde está inserido seja indiscutivelmente o mais equilibrado em que teoricamente qualquer uma das 4 equipas poderia classificar-se em 1.º lugar ou quedar-se pelo último e ficar eliminada até da Liga Europa, não se esperava francamente tão deficiente participação até ao momento.

3. Continuamos a manter que, sem entrarmos em comparações orçamentais onde o Benfica fica claramente a perder, a equipa encarnada em termos de futebol-jogado tinha condições de se bater de igual para igual com qualquer dos componentes do grupo e discutir sempre o resultado. Mas para isso era preciso outra atitude competitiva que até ao momento não revelou, recusando nós o eterno fatalismo bem enraízado no espírito português de que tudo o que se passa lá fora é sempre melhor. Será em determinadas situações por demais escalpelizadas, mas dispomos de outras armas com que poderemos combater e fazer face à sistemática inferioridade que está interiorizada em nós. Os exemplos do próprio futebol e de outras modalidades provam que é possível e deviam dar-nos o alento necessário para chegarmos bem mais longe de forma regular.

4. Justificações de vária índole têm estado em cima da mesa, algumas com lógica outras nem tanto. Têm sido de facto algo atribuladas as últimas fases de construção e de desenvolvimento do plantel e da equipa do Benfica que tem sido confrontada com um sem número de contrariedades. A velha questão da incerteza de mais um defeso desproporcionado, passando pelo reapetrechamento que tardou em determinadas posições-charneira e para as quais era inevitável adquirir jogadores com tarimba, sem esquecer a exemplo da última época as contínuas lesões traumáticas que inutilizaram jogadores-chave a longo prazo, foram de facto marcos relevantes para alguma da incerteza e instabilidade que se tem verificado.

5. Todavia, no plano interno a resposta tem sido positiva e acabou por determinar um percurso e uma situação conjuntural que não sendo de todo inesperada, não era expectável se atendermos às vicissitudes que a equipa tem atravessado. É certo que para isso também têm contribuído os nossos adversários, mas com excepção do jogo com o velho rival, não é menos verdade que o Benfica apesar dos altos e baixos e de alguns sustos que diríamos escusados, tem desempenhado satisfatoriamente o seu papel de candidato à conquista do bi-campeonato.

6. Importa no entanto assinalar que nem sempre a equipa tem correspondido em pleno a esse estatuto. E como as últimas imagens são as que ficam, temos que convir que os últimos jogos, ainda que vitoriosos, têm sido pouco conseguidos. Não nos podemos esquecer que para além dos problemas que os adversários nos têm criado, têm sido evidentes alguns períodos periclitantes da equipa, bem patentes com o Estoril onde depois de 2 golos de vantagem o Benfica facilitou em demasia ao ponto de pôr em causa a própria vitória no encontro, e com o Arouca onde uma primeira parte desconcertante poderia ter deitado tudo a perder não fosse o patinho feio Artur estar em dia inspirado.

7. Há sempre justificações sendo algumas mais evidentes. Também não será alheio o facto de no encontro de ontem o Benfica, para além dos lesionados de longa duração, ter alinhado sem o influente Enzo Pérez e com Gaitan longe da sua condição ideal. E de ter juntado ao clube mais um – Lima – ainda antes do intervalo. Essa cadência de lesionados como seria de esperar causa instabilidade na equipa e impede-a de adquirir a cadência e as rotinas indispensáveis a prestações mais consequentes. Explicando isso muita coisa, não explica no entanto tudo, nomeadamente o adormecimento na Amoreira, a apatia e a falta de competitividade em Leverkusen ou a estranha letargia na 1.ª parte com o Arouca. No interregno que se segue é altura de avaliar a situação e introduzir as correcções tidas por necessárias. Julgamos que não deixará de ser feito.






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