Ponto Vermelho
Uma nova era?
7 de Outubro de 2014
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Sem que isto signifique um alinhamento incondicional com o novo Seleccionador Fernando Santos e um desfile de acusações a Paulo Bento que numa conjuntura difícil revelou inflexibilidade, mas também foi incompreendido e tentou remar contra uma maré cada vez mais forte, poderão estar lançadas as bases para que possamos vir a experimentar uma nova era na Selecção Nacional. Muito em particular na forma como os portugueses se deverão relacionar com ela, sejam eles adeptos do futebol ou não. A Selecção é, quer queiramos ou não um desígnio nacional, porquanto representa ou pode representar uma forma de sucesso nos tabuleiros internacionais, uma situação que não está ao alcance de muitas actividades…

O consulado de Paulo Bento mal ou bem acabou e, devendo extrair as ilacções que o mesmo configurou, de nada vale estarmos a olhar constantemente para trás, querendo encontrar justificações no presente para os eventuais males do passado. Há por norma uma certa nostalgia enraízada mas isso não pode significar qualquer paragem, porque o presente o futuro são as fases que deverão importar se queremos progredir e alcançar outros patamares mais consequentes com as nossas possibilidades que constantemente menosprezamos. Uma realidade em que temos que nos concentrar para que possamos ser mais capazes.

Com isso em mente, essas componentes não são nem podem ser um exclusivo do Seleccionador e dos jogadores, mas sim de toda estrutura organizacional da Federação. E, já agora, de todos os outros agentes. Desde os que ligam mais de perto com a Selecção passando por todos os que podem contribuir de algum modo para que as coisas possam correr melhor. Porque aquilo que deve ser uma Selecção Nacional na verdadeira acepção da palavra não pode constituir um círculo fechado, mas sim toda uma estrutura evolutiva que aos vários níveis de organização e apoio possa contribuir para as vitórias do grupo. Que deve ser, afinal, o objectivo final de todos, em que os eventuais egos e interesses se deverão submeter aos interesses do colectivo. Dessa harmonização poderá depender o sucesso ou o insucesso.

Fernando Santos tem demonstrado ao longo da sua carreira um perfil humanista e dialogante, qualidades que poderão ser muito úteis nesta nova fase da Selecção. Não encontrando obstáculos ou quaisquer constrangimentos por parte da Direcção da Federação, optou e a nosso ver bem, por dar um sinal de compreensão e tolerância convocando todos os jogadores que entendeu por bem considerar como elegíveis neste momento para darem o seu contributo. Trata-se de uma mensagem clara de apaziguamento para o interior da equipa fazendo sentir a cada um que, nesta fase, todos não serão demais para levar o barco a bom porto.

Como tudo na vida e olhando um pouco para trás (lá estamos nós a falar do passado!), o critério seguido nas escolhas é, como não poderia deixar de ser, discutível. Essencialmente porque temos levado meses e meses a fio a falar de renovação sem concretizarmos bem se estávamos a falar pura e simplesmente de outros jogadores e se esses outros deveriam ser ou não já consagrados, novos ou veteranos. Uma eventual ruptura, a acontecer, terá que ser numa fase mais tranquila e não quando já estamos em plena fase de apuramento em que assume particular relevância a continuidade sem descurar a evolução natural que é preciso não esquecer. É que um Seleccionador não é propriamente um treinador de clube que tem a possibilidade de testar e afinar diariamente soluções e esquemas tácticos com insistência.

Tendo começado mal, devemos agora sem perda de tempo assestar todas as nossas baterias no apuramento e para isso é preciso que não percamos tempo com pormenores que podendo ser importantes, poderiam prejudicar o timing de uma renovação que todos reconhecemos que é preciso ser feita, por força da veterania de alguns dos seleccionados e porque há que incorporar gradualmente novos valores porque os actuais não são eternos. Por outro lado, não devemos estar constantemente a enfatizar a dependência de Cristiano Ronaldo não só porque aumenta a carga e a responsabilidade do jogador, como também faz por diminuir a importância dos outros.

Num espaço dimensional onde se confrontam multifacetadas personalidades (por vezes até excêntricas) e onde os egos assumem particular relevância, é preciso fazer uma gestão equilibrada para que as susceptibilidades não sejam feridas e o foco se mantenha concentrado no objectivo que deve ser de todos. Fernando Santos tem condições para formar uma equipa minimamente equilibrada, competitiva e capaz de ultrapassar com relativo à vontade esta fase de apuramento. Mas só actuando como equipa homogénea e solidária o maestro poderá sobressair e não com o pensamento restringido de que Ronaldo tudo resolverá. Por todas as razões pensar assim será um tremendo erro que, estamos em crer, não será cometido. Fernando Santos, assim o esperamos, saberá encontrar o antídoto.






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