Ponto Vermelho
Académica - Benfica
17 de Janeiro de 2013
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Taça de Portugal Millennium - Quartos-de-final
Estádio Cidade de Coimbra, 17 de Janeiro de 2013 - 20h45

Árbitro Principal: Jorge Sousa
Árbitros Auxiliares: Bertino Miranda e Nuno Manso
4º árbitro: Manuel Oliveira

Benfica (Titulares): Artur Moraes, André Almeida, Luisão, Jardel, Melgarejo, Matic, Enzo Peréz, Salvio, Ola John (Gaitán 63m), Cardozo (Carlos Martins 63m) e Lima (Kardec 78m)

Benfica (Suplentes): Paulo Lopes, Miguel Vitor, Maxi Pereira, Carlos Martins, Gaitán, Bruno César, Kardec

Cartões Amarelos: Jardel 40m
Cartões Vermelhos: -

Resultado final: 0-4; Marcadores: Ola John 6 m; Lima 9m.; Lima 27m e Salvio 71m

Jogo que discutia a passagem às meias-finais da Taça de Portugal onde já se encontravam Belenenses, Vitória de Guimarães e Paços de Ferreira, este último o próximo adversário do vencedor desta partida da qual eram esperadas muitas dificuldades para a turma da Luz.

Na lista de convocados para Coimbra, não apenas Miguel Vítor, Urreta, mas também Luisão - ele que na última partida apesar de convocado não figurara nas últimas escolhas - faziam parte da lista de eleitos. De relevo pois as saídas de Roderick Miranda, André Gomes, Luisinho, Nolito, Aimar, Rodrigo e Garay, os últimos três por lesão. Urreta, que se estreava na convocatória, acabaria por ficar na bancada, e quanto ao onze, no eixo da defesa Jorge Jesus optaria por fazer alinhar Luisão e Jardel, lançando André Almeida de início em vez de Maxi na lateral direita, sendo que do meio campo para a frente e comparativamente à última partida, apenas Ola John substituia Gaitán na esquerda.

Do lado da Académica, o destaque recaía sobre a titularidade do promissor Salim Cissé, sendo que Wilson Eduardo começava no banco de suplentes e João Dias tinha de suprir a ausência de soluções para a posição de lateral-esquerdo na formação conimbricense, actual detentora da Taça de Portugal.

Com muita chuva e um relvado naturalmente escorregadio, depois de algum atraso em função de um problema na rede da baliza de Artur, os poucos espectadores presentes viam a Académica entrar forte nos segundos iniciais, mas era o Benfica que de imediato punha o adversário em sentido; decorrido que era o minuto 1, contra-ataque benfiquista, Enzo endossa a Lima que coloca Cardozo na cara do golo, mas o paraguaio vê João Dias tirar-lhe o golo perto da linha de golo, cedendo canto depois de a bola ter ainda tabelado na barra.

Todos defendiam na solidária equipa da Académica e o Benfica ia trocando a bola à procura de espaços, e ao minuto 6 os encarnados iriam mesmo chegar ao golo inaugural; livre marcado da direita, penálti sobre Cardozo por assinalar, mas na recarga Lima assiste Ola John que à entrada da área atira para o fundo das redes, fora do alcance de Peiser.

Complicava-se a tarefa da Académica cuja estratégia não passava naturalmente por sofrer um golo tão cedo, e ainda que os estudantes tentassem reagir continuava a haver mais Benfica, agora mais confiante em função do golo alcançado. Ao minuto 7 era Ola John que ganhava a linha de fundo e via João Dias resolver o cruzamento que encontraria Salvio, e depois de novo canto para o Benfica... novo golo; a bola atravessa a área dos estudantes e chega a Matic ao segundo poste, e o sérvio encontra espaço para o cruzamento rasteiro que encontra Lima à boca da baliza. Sem dificuldades, o brasileiro assinava de pé esquerdo o 2-0.

Tudo fácil, 2-0 para o Benfica e Pedro Emanuel em estado de choque perante a apatia da sua equipa que não conseguia estancar o ataque encarnado. Aos 10’ e depois de nova incursão pela direita, desta vez é Rodrigo Galo que ainda resolve um lance sobre Ola John, mas na insistência Salvio aparece mesmo em frente a Peiser, ainda que Jorge Sousa descortinasse algo que parece ter tido a ver com um alegado domínio da bola com o braço do argentino.

Jorge Sousa contemporizava no capítulo disciplinar e deixava uma falta sobre Enzo passar sem amarelo, e seguia-se uma tentativa ténue da Académica pressionar o Benfica, ainda que os pupilos de Jorge Jesus conseguissem sem grandes dificuldades sair da zona de pressão a jogar e por norma com perigo. Aos 13’ era Salvio que era puxado e via Jorge Sousa manter o critério e adiar o primeiro amarelo, e apenas aos 14’ a Académica dava um ar da sua graça, depois de Marinho ganhar espaço pela esquerda e colocar Makelele em excelente posição, valendo ao Benfica na circunstância que o mesmo atrapalha-se e Luisão consegue assim resolver facilmente o lance.

Aos 16’ Matic solicitava Cardozo que por muito pouco não dominava e ficava na cara de Peiser, e na resposta aos 17’ era Edinho quem ganhava espaço em zona central e aproveitava para assinalar o 1.º remate dos estudantes, no entanto sem grande perigo e ao lado da baliza de Artur. Prosseguia o domínio encarnado, aos 18’ e na sequência de um contra-ataque do Benfica o lance acaba por ser interrompido por fora-de-jogo a Cardozo, e seguiam-se alguns minutos em que a equipa da casa conseguia ganhar algumas segundas bolas e por via disso carrilar jogo até à área encarnada.

Marinho ia então conseguindo criar alguns desequilíbrios e aos 21’ valia Artur que resolvia um seu cruzamento, mas o perigo rondava mesmo era a baliza de Peiser, dado que o Benfica ia aproveitando de novo o espaço para sair em contra-ataque. Aos 23’ era Lima quem coloca superiormente em Salvio, jogada que esbarrava mais uma vez no desacerto de Cardozo, e paulatinamente a Académica ia tentando reentrar na partida, pressionando o Benfica... que iria praticamente sentenciar o jogo logo de seguida.

Aos 27’ surgiria pois um grande momento de futebol, depois de uma bola ganha pelo meio-campo encarnado, a bola chega a Lima que se escapa nas costas da defesa conimbricense e aproveitando o adiantamento de Peiser, pica a bola por cima do guarda-redes dos estudantes assinalando um grande golo.

3-0 e o Benfica com pé e meio nas meias-finais ainda que tivesse mais de uma hora de jogo pela frente. Mais com o coração do que com a cabeça, tentava a Académica fazer o que lhe competia; aos 28’ Rodrigo Galo rompia pela direita e obrigava Artur Moraes a brilhar, e aos 30’ era Edinho que apertado entre os centrais benfiquistas, atiraria por cima da baliza de Artur.

Com o Benfica dono e senhor da partida, aos 31’ André Almeida escapava-se a Keita e desse lance resultava o primeiro amarelo da partida, e aos 32’ Melgarejo trocava os olhos a Marinho entretanto de regresso à direita e ganhava novo canto. Do mesmo, Ola John solicitava Salvio ao primeiro poste que cabeceava por cima. Aos 36’ chegava um disparate de todo o tamanho de Peiser, que passou a bola a Ola John depois de um desentendimento com o seu companheiro de equipa, e aos 40’ também Jardel do lado encarnado via o amarelo por derrube a Edinho, depois de um mau passe no meio-campo encarnado. Na sequência do livre, Edinho atiraria contra a barreira e finalmente Ola John cedia canto perante a ameaça de Rodrigo Galo, canto esse que João Real aproveitaria por cabecear, ainda que sem qualquer perigo.

De um pontapé de Artur aos 43’, Lima amortecia e colocava Cardozo na cara de Peiser; contudo, não era a noite do paraguaio que perdia o duelo com o guarda-redes dso estudantes. E aos 45’ a história de certo modo repetia-se, Lima de novo a solicitar Cardozo, e o tacuara desta feita a perder para Flávio.

Jorge Sousa apitava para o intervalo e o resultado, surpreendente, apenas pecava por escasso.

Para a segunda parte esperava-se que a Académica entrasse à procura do golo e Pedro Emanuel fazia mesmo Marcos Paulo sair para dar o lugar a Cleyton, e do lado encarnado ainda que sem alterações, aqueciam então Carlos Martins, Bruno César e também Nicolas Gaitán. Os primeiros minutos da segunda parte começavam junto da área encarnada no tudo por tudo dos estudantes, mas de imediato o Benfica assumia as rédeas do encontro e voltava a trocar a bola.

Aos 48’ João Dias escapava-se ao amarelo depois de derrube a Salvio, e o jogo entrava então numa fase mais morna, sem grande acerto ofensivo de ambas as equipas. Apenas aos 56’ uma das equipas voltaria a criar perigo, na circunstância a Académica; na sequência de um pontapé de canto ganho por Marinho, a formação de Pedro Emanuel ficaria inclusive perto do 1-3, valendo na circunstância Artur que nega com uma grande defesa o golo a João Real, depois de uma bomba à entrada da área.

Aos 59’, mais uma vez por Marinho pela direita, a Académica galgava vários metros mas pecava no último passe, e seguia-se a tentativa do Benfica refrear o jogo dos estudantes, congelando o jogo como lhe convinha. Aos 63’ Óscar Cardozo saía para dar o lugar a Carlos Martins e Gaitán rendia Ola John, o que dispunha o Benfica com apenas um avançado, e do lado oposto Keita saía para dar o lugar a Wilson Eduardo.

Nova grande jogada do Benfica aos 64’ era interrompida por fora-de-jogo de Lima, ligeiramente adiantado, e aos 65’ Matic solicitava Salvio que não dominava nas melhores condições e perdia a oportunidade de ficar perto do 0-4. De uma falta sobre Marinho aos 66’ a Académica aproveitava para bombear mais uma bola para a área encarnada - foram muitas na segunda parte -, na circunstância era Rodrigo Galo quem cruzava para Cissé que via Luisão antecipar-se e resolver o lance.

De uma bola ganha por Matic aos 68’ Melgarejo fugia pela esquerda e valia Peiser a opor-se ao paraguaio, e Pedro Emanuel mexia de novo; aos 69’ Cissé saía para ceder o lugar a Saleiro. O recém-entrado de imediato cometia uma falta por mão na bola do qual resultava livre perigoso, e na marcação do mesmo Lima tentava o hat trick, mas via Peiser responder de forma superior ao remate em força do brasileiro. Aos 71’ contudo, surgia novo belo momento de futebol da noite de Coimbra e uma machadada final sobre as aspirações dos conimbricenses; Salvio rompe e depois de tirar da frente o central da Académica, atira de pé esquerdo para o 0-4.

Com o resultado feito e a passagem assegurada, esperavam-se pois 20 minutos de toada morna com ambas as equipas já a pensar nos próximos compromissos. Aos 72’, sempre de bola parada e sempre por Rodrigo Galo, a formação de Pedro Emanuel tentava ainda assim acercar-se da baliza de Artur sem sucesso, e no minuto seguinte era novamente Edinho quem tentava novamente o golo de honra, atirando forte mas para nova defesa do guarda-redes encarnado. Aos 74’ Lima quase interceptava um atraso da defesa conimbricense para Peiser, e um minuto volvido era a vez de Enzo Peréz aproveitar para disparar de zona frontal, vendo contudo a bola embater na muralha defensiva dos estudantes que cede canto.

Lima, excelente exibição, saía aos 78’ para dar o lugar a Alan Kardec, e aos 79’ era Flávio Ferreira quem via o amarelo, depois de um túnel feito por Carlos Martins que o mesmo não gostou e... respondeu com derrube. Na marcação do mesmo, o próprio Carlos Martins remataria muito por cima. O Benfica controlava a bel-prazer as operações e a dúvida era se chegaria mesmo ao 0-5, e aos 83’ Kardec ficaria perto, quando começa a jogada e depois de beneficiar de uma jogada individual de Salvio e ainda de um ressalto, atira de excelente posição ligeiramente ao lado do poste esquerdo da baliza da Académica.

Aos 84’ Rodrigo Galo e Peiser atrapalhavam-se com a bola e Kardec a passe de Gaitán ficava novamente perto do golo, valendo a defesa do guarda-redes que se redimiu e cedeu canto, e à entrada para os últimos minutos ouviam-se ‘olés’ nas bancadas a que os adeptos da casa respondiam com gritos de incentivo à sua equipa apesar do resultado desfavorável. Também aos 85’, Kardec ganha uma bola dividida, a bola chega a Salvio que coloca Gaitán na cara de Peiser, contudo o argentino tem uma perdida escandalosa.

Nos dois minutos de compensação, aos 90+1’, Salvio esgueirava-se e entrando como uma flecha pela direita vale a defesa conimbricense a ceder canto do qual nada resultaria, e o jogo terminaria com o Benfica a circular a bola, Benfica que defrontará o Paços de Ferreira nas meias-finais.

Na flash interview Lima negava a ideia de uma «Académica talismã», demonstrando-se apenas feliz por marcar golos que resultam do trabalho de todos, e assim aproveitava para endereçar os parabéns aos colegas, que «entraram determinados», e também à «torcida». O brasileiro defendia ainda a ideia que a equipa entrou para resolver a partida, referindo que o segredo foi mesmo procurar o golo logo desde o primeiro minuto, e congratulava-se que com o avolumar do resultado o Benfica foi capaz de gerir a partida. Quanto ao desfecho, Lima referiu que mais uma vez a força do grupo foi demonstrada, e quanto ao futuro na competição, o brasileiro referiu que o Benfica entra em qualquer competição muito forte e para vencer, e o Paços de Ferreira não será excepção.

Já Jorge Jesus referiu que o Benfica entrou bem, fazendo 3 golos em pouco tempo e tendo ainda duas oportunidades desperdiçadas, e subscrevia que a sua equipa havia sido muito séria e consciente, até porque para o campeonato perdera pontos neste mesmo campo - «com casos que não vale a pena referir». O técnico encarnado diria ainda que agora vão trabalhar para ir à final, com o máximo respeito pelo Paços de Ferreira, e quanto a Luisão acabou por defender que não é fácil estar tanto tempo parado, mas que foi bom o seu regresso, e que a forma como a partida se desenrolou também ajudou.

Comentário Final: Jogo sem história a qual se começou a escrever desde o 1º minuto. E quando as coisas correm bem tudo se torna mais fácil. O Benfica estava avisado do valor da Académica e naquele mesmo estádio não tinha ido além de um empate para o campeonato. Por outro lado importava reagir ao resultado menos conseguido com o FC Porto e sabia que um deslize poderia ser prenúncio de mais problemas futuros. Daí que tenha entrado forte no jogo na tentativa de resolver cedo a contenda o que efectivamente veio a acontecer antes da meia-hora de jogo, tendo entretanto desperdiçado mais duas oportunidades flagrantes.

Perante isso a Académica não foi capaz de reagir, à vontade, determinação e classe dos jogadores do Benfica e isso fez com que nunca tivesse feito perigar a baliza encarnada até ao fim da 1ª parte.

Na 2ª parte a Académica tentou remar contra a maré nos minutos iniciais mas rapidamente o Benfica voltou à toada do 1º tempo com domínio quase completo dos acontecimentos. E com o 4º golo o jogo terminou, limitando-se o Benfica a trocar a bola e os jogadores da Académica incapazes de reagir. No entretanto de registar um excelente remate de ressaca de João Real a que Artur se opôs com alguma dificuldade.

Ainda assim os encarnados voltaram a beneficiar de mais duas oportunidades soberanas de elevar o marcador mas apesar do total domínio o resultado não se alterou até final.

Excelente jogo de Salvio, Lima e Matic que se destacaram ainda que todos tenham estado a um nível elevado.

Apesar de pequenos erros no capítulo disciplinar a arbitragem foi discreta num jogo correcto e sem qualquer tipo de dificuldade.
















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