Ponto Vermelho
Sinais prometedores
12 de Outubro de 2014
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Mesmo para aqueles que ao abrigo do fanatismo clubista fingem ignorar a Selecção, a estreia de Fernando Santos ao leme da mesma na cidade-luz não terá certamente passado despercebida. Como estava bom de ver, frente aquela que é uma das nossas bestas negras, não se tratava propriamente de esperar por grandes milagres em tão curto espaço de tempo, ou demonstrar que todas as culpas do último período fracassado deveriam ser assacadas a Paulo Bento. Quanto mais depressa nos concentrarmos no presente e nos objectivos futuros, melhor poderá vir a ser a nossa prestação na fase de apuramento para o Euro 2016. Os ajustes de contas tão ao gosto de alguns deverão ser de vez encerrados, pois só assim poderemos mais facilmente alcançar o objectivo.

A decisão de Fernando Santos estribada em indicação federativa de assumir e abrir o espaço da Selecção a todos os jogadores disponíveis foi, de facto, um bom princípio. Como seria evidente causou alguns pruridos em alguns mais duros e renitentes, por exemplo a convocação de Ricardo Carvalho depois da infracção cometida e também pela idade, tendo vindo a saber-se há pouquíssimo tempo que o jogador tinha sido punido com um ano de suspensão pela Federação (porquê o secretismo no castigo que só serviu para alimentar especulações e constrangimentos?). Tendo expiado o seu erro, num espírito e mensagem de abertura que presidiu à lógica do novo Seleccionador, compreendemos que à partida, fosse considerado elegível para a Selecção.

Com a perfeita consciência que os gauleses (para mais em sua casa) não eram propriamente a Albânia, havia assinalável curiosidade de ver como os jogadores escalados iriam lidar com o espírito de abertura magnânimo de Fernando Santos. Devemos pois dizer que, como primeira amostragem num jogo particular, as ilacções globais foram positivas. Pelo empenho colocado pelas duas equipas o jogo não pareceu em nenhum momento tratar-se de um encontro particular e sensaborão, mas sim com bastante competitividade ao longo dos 90 minutos. Até a fortíssima claque portuguesa que os sempre fiéis emigrantes (alguns de 2.ª e até de 3.ª geração) coloriram, acabou por puxar pelos adeptos franceses que se calhar não esperavam tão grande demonstração da alma lusitana.

Não foi brilhante o primeiro-quarto de hora e chegou a temer-se o descalabro. Os franceses, rápidos e desconcertantes entraram a todo o gás, e a extrema-defesa portuguesa abanou e de que maneira. Com incursões rapidíssimas pelos flancos com envolvimento dos alas e dos próprios defesas, a França lançou o pânico no último reduto luso, fruto da pressão inexistente e de um insuficiente acompanhamento dos médios e avançados portugueses que não pressionavam a primeira fase de construção gaulesa e expunham sobretudo os nossos laterais a uma luta desigual com frequentes situações em que estavam confrontados com dois adversários sem saber a quem marcar. Isto, naturalmente, para além do nervosismo, das deficiências de posicionamento e de erros próprios que também existiram.

Rectificados gradualmente esses pormenores, foi possível observar que a equipa lusa revela potencial; quer através da experiência e saber dos mais velhos, quer da irreverência, improvização e vontade dos mais novos. Se é certo que a França poderia ter arrumado definitivamente a questão nos primeiros 15 minutos, também é verídico que Portugal poderia ter empatado e até mesmo chegado à vitória no restante período de tempo. Entrando no campo da especulação, poderia dizer-se que do lado dos jogadores terá havido a tentativa de agradar ao novo seleccionador. Mas, seja como for, a realidade é que Portugal demonstrou que continua com armas para se poder bater com Selecções poderosas, pelo que continuamos convictos de que o futuro sem ser um caminho atapetado de flores, pode e deve significar êxitos futuros. Sem ser contra ninguém, mas apenas e só a favor de si próprio.

Não poderíamos terminar sem considerar que os plumitivos continuam a sua saga parcial de proteger alguns jogadores em detrimento de outros, como foi nítido e patente nas análises durante e pós jogo, consoante as simpatias ou cores que cada futebolista representa. Querem fazer do futebol uma ciência exacta que nunca há-de ser, debitando teorias (elogiosas, desculpabilizantes ou penalizadoras) sem ter em conta as circunstâncias e as nuances do próprio jogo. Aconselhamos alguns a reverem o que escreveram pois o que está em causa é a Selecção portuguesa e não o jogador A ou B ou o clube C ou D. Uma última palavra para a arbitragem; a despeito do esforço que realizou para ser positiva, teve influência no resultado. É verdade que são lances difíceis de ajuízar, mas é indiscutível que o 2.º golo francês é precedido de um fora de jogo de Evra e que Eliseu sofreu falta merecedora de grande penalidade. Por coincidência, mais uma vez aconteceu…








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