Ponto Vermelho
Sinais preocupantes de pessimismo…
13 de Outubro de 2014
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Nas vésperas de serem divulgadas as linhas mestras do Orçamento de Estado para 2015, o pessimismo que já se vinha fazendo notar há tempo considerável continua a aumentar a olhos vistos. Não é caso para menos, pois a carência de anos que o bom e tão pacífico povo português concedeu aos políticos do nosso descontentamento já se esgotou, e o que vemos são balelas constantes em que já ninguém acredita, pois as palavras dos representantes da Nação nunca atingiram níveis tão baixos de credibilidade como na actualidade. Para além de palavras de circunstância e de mero expediente dilatório, nada parece preocupar os políticos que vêem nessa indiferença e pessimismo uma janela de oportunidade para continuarem na sua cruzada de destruição do pouco que já resta.

Se fizéssemos uma retrospectiva não necessariamente longa, concluiríamos que há poucos anos antes da invasão da troika que uns foram forçados a chamar, outros subscreveram e alguns rejeitaram porque as culpas são sempre de terceiros (leia-se em boa medida do povo gastador que não tem emenda…), ainda existia alguma réstea de optimismo, apesar de isso ser uma característica que não casa com os portugueses, em particular daqueles que ano após ano e década após década, têm vindo a sofrer na pele os despautérios e os constantes aproveitamentos dos políticos sempre carregados de doses acentuadas de promessas incumpridas.

Contudo, transcorrido esse tempo, constata-se que a despeito dos enormes e pesados sacrifícios a que foi sujeita a grande maioria dos portugueses tudo conseguiu piorar ainda mais, o que significa objectivamente que tudo porque têm passado terá sido em vão. Aliás, não seria difícil vaticinar a qualquer pessoa medianamente informada que assim não chegaríamos a lado nenhum, conhecida que é a fragilidade da nossa economia e a incapacidade em pagar uma dívida distorcida na taxa de juro e no prazo. Mesmo os optimistas inveterados parecem estar a viver um amanhã sem esperança. É preciso uma lufada de ar fresco urgente para voltar a fazer acreditar os portugueses e reavivar o seu optimismo sem o qual se continuará a caminhar para o abismo. Não vai ser tarefa fácil.

As pessoas já a viver o Outono da vida (e não necessariamente as mesmas das imagens deprimentes que as televisões passam como exemplo todos os dias…), precisam de chegar ao seu Inverno com a dignidade e o respeito que justificam por uma dura e intensa vida de trabalho, e não daqui a alguns anos quando provavelmente muitos deles já não terão essa oportunidade. A vida é para ser vivida todos os dias e não da forma suspensa que nos foi imposta com promessas vãs que a cada dia que passa ficam mais distantes de poder ser cumpridas dado que são apenas e só falácias para tentar manter a populaça animada… Deixamos a pergunta para os crédulos desligados de interesses; consideram que valeu a pena?

Este contexto, como não poderia deixar de ser, é abrangente e tem percorrido todos os sectores com iguais consequências devastadoras. O pessimismo deprime e limita o ânimo e a vontade do indivíduo e coarta-lhe a capacidade criadora pois tudo deveria fazer sentido e manifestamente não faz. Das poucas coisas em que o País ainda sobressai é no desporto, mas isso resulta de acções sectoriais e de sacrifícios individuais e não de uma política global, lógica e integrada. Todos sabemos que Portugal pela sua dimensão territorial e pelas suas limitações de ordem financeira, nunca teve as mesmas possibilidades que outros em que essas componentes não pedem meças.

Todavia, mesmo com todas essas insuficiências recorrentes, as inteligências nunca admitiram uma pasta autónoma para o Desporto que em articulação directa com a Educação permitisse o estabelecimento de uma política estruturada e piramidal desde os primeiros passos da juventude. Isso teria enormes e diversificadas consequências, a começar por exemplo na Saúde onde os gastos tenderiam a diminuir, ao mesmo tempo que fomentaria a prática e o crescimento do desporto em termos globais, aumentando o número de praticantes até se estender ao último estádio (o profissional) onde naturalmente só chegariam os mais habilitados.

Dirão de pronto os habituais cépticos ou mais propriamente aqueles a quem qualquer política de desenvovimento faz confusão, de que isso iria ser impraticável porque o País não está em condições de canalizar verbas para o sector do Desporto. Argumentação clássica. É agora que estamos a atravessar uma crise profunda como foi no tempo das vacas gordas. É sempre cómodo dizer isso quando não existe interesse (porque dá muito trabalho) para criar e inovar seja o que for, pois é muito mais prático atirar para cima dos clubes todas as tarefas formativas que competem ao Estado. E não contentes com isso, depois compensam nos impostos porque, afinal, ninguém é obrigado a praticar desporto e o malfadado défice precisa de ser reduzido… É assim tão difícil começar a pensar e a articular um plano sério e efectivo (que não no papel e nas intenções) para o Desporto à nossa dimensão, e começar a implementá-lo gradualmente?






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