Ponto Vermelho
Bons augúrios
14 de Outubro de 2014
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1. Hoje, em pleno Outono invernoso, temos esperança e sólidas razões para acreditar. A decisão algo surpreendente ontem tomada pelo TAS de levantar, para já, a suspensão do Seleccionador Nacional português Fernando Santos é como não poderia deixar de ser uma boa notícia para o próprio e para a Selecção, e também para estrutura da Federação (incluindo a sua parte jurídica) que deve ser relevada pela sua perseverança e pelo seu trabalho de sapa que acabou por dar frutos que não se esperavam colher. Pelo menos para já em face dos antecedentes.

2. É verdade que o castigo aplicado a Fernando Santos enquanto Seleccionador grego constituiu igualmente uma surpresa devido à sua extensão. Uma penalização de 8 jogos é pesada, fazendo crer que algo de grave se tinha passado e que não tinha sido descortinado. Afinal, ainda que sujeito a alguma especulação, parece que na base desse castigo terá estado um acto de desobediência, uma vez que Fernando Santos depois de receber ordem de expulsão do árbitro australiano, terá voltado atrás para transmitir a sua indicação dos jogadores gregos que deveriam marcar as grandes penalidades dada a existência do pedido de escusa por dois jogadores anteriormente escalados. O que é compreensível e pode fazer enorme diferença. Sobretudo porque se iria suceder uma decisão capital num Campeonato do Mundo.

3. O adiamento da decisão final por parte do TAS para o final do próximo mês caiu como sopa no mel, porque apesar de se compreenderem as constantes desvalorizações dos treinadores quando não se podem sentar no banco com o argumento de que os jogadores sabem como aplicar as estratégias e as tácticas previamente definidas no balneário, a realidade é que não é nem pode ser a mesma coisa. Até mesmo que o adjunto transporte consigo o maior saber e competência e esteja por dentro de todos os meandros. Uma orquestra, por maior valor e talentosos que sejam todos os seus intérpretes, não precisa de um maestro para a dirigir?

4. Após um desaire caseiro tão inesperado quanto humilhante frente à Albânia, a margem de manobra diminuiu drasticamente em particular nos aspectos psicológicos. Urge pois recuperar rapidamente os pontos perdidos para que não se arrisque um insucesso ou a cena tradicional da calculadora na mão, um gosto tão genuinamente português. E porque Portugal, seja qual for o ângulo de observação pelo qual nos pautemos, é indiscutivelmente a equipa do Grupo com mais talento e potencial não só para conseguir o apuramento, mas igualmente para chegar ao fim no primeiro lugar do pódio. Para que isso suceda é muito importante que hoje em Copenhague levemos de vencida a Selecção anfitriã, e aí entra a importância de Fernando Santos se poder sentar no banco.

5. O jogo de Paris permitiu-nos concluir que a Selecção portuguesa pode hoje conseguir a vitória a cujo jogo chega como favorita. Mas, como tantas vezes já sucedeu, tudo se torna demasiado curto se no jogo, a equipa para além do talento que é inegável em vários jogadores a começar pelo capitão, não demonstrar a coesão e a entreajuda necessárias para ultrapassar uma Dinamarca que obviamente tudo fará para contrariar a esperada supremacia portuguesa. E, muito importante, não voltar a repetir os erros posicionais quer a nível dos laterais, quer nos jogadores do meio-campo e da frente que não deverão permitir as largas avenidas como se viu contra a França. Se assim acontecer, acreditamos plenamente que com maior ou menor dificuldade, Portugal regressará com os 3 pontos no bornal. Sejam quais forem os jogadores escalados. Os entretenimentos à volta de aspectos lúdicos que alguns teimam em introduzir bem podem ir dar uma volta…

6. Mas não é só em Copenhague que Portugal joga uma cartada importante. Também em Paços de Ferreira a talentosa Selecção mais jovem decide o apuramento para o Europeu da categoria. Depois de uma vitória tão justa quanto tranquila em casa da tradicionalmente difícil Holanda por dois golos sem resposta, a margem de manobra existe mas ninguém pode descansar sobre um jogo e um resultado que sendo francamente indiciador de apuramento, não permite relaxamentos como se a vitória e o apuramento já estivessem conseguidos. Será um erro pensar assim e estamos convictos que o Seleccionador Rui Jorge já terá alertado os seus pupilos nesse sentido. Porque a Holanda entra em desvantagem e só a vitória estará no seu horizonte, é de crer que tente rapidamente obter avanço no marcador para assim enervar a Selecção portuguesa. Logo, toda a concentração não é demais para conseguir impedir esse objectivo e depois impôr a sua superioridade que se nos afigura inquestionável. Venham de lá duas vitórias!








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