Ponto Vermelho
Reflictamos um pouco…
16 de Outubro de 2014
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Cumpridos os dois primeiros jogos de Portugal sob um novo comando, era inevitável que fossem produzidas análises, críticas e comentários acerca da nova cara da Selecção e das diferenças que estão a ser detectadas. A nível das relações públicas institucionais do novo Seleccionador, das escolhas efectuadas, da filosofia de jogo e do comportamento do grupo. E, claro, como fim último, os resultados obtidos. A consensualidade que rodeou a escolha de Fernando Santos foi apenas contrariada por alguns desalinhados que chamaram a atenção para a perspectiva sombria do mesmo vir a ter de cumprir 8 longos jogos de castigo, uma situação felizmente atenuada pelo ineditismo da decisão do TAS de suspender, por ora, tal decisão.

No meio de toda esta envolvência, a clamada renovação tão insistentemente pedida ficou adiada, sobretudo da forma como era entendida por alguns que entendiam ter chegado a hora de dar lugar a alguns jovens futebolistas que debutam por aí à espera de poder expressar todas as potencialidades que se lhe reconhecem. Isso era apenas uma parte da equação, porquanto essa simplicidade apressada poderia dar lugar a uma frustração sem limites com resultados muito aquém do esperado, para além de existir o risco de hipotecar a carreira futura desses talentos que, salvo excepções, deverão percorrer as etapas de afirmação através de um caminho recheado de escolhos, mas com passos curtos, firmes e seguros. Para não sofrerem percalços e retrocessos que poderiam atrasar a sua completa consolidação na mais alta roda.

Entendemos que a opção seguida terá sido a mais consentânea com a realidade presente. Primeiro do que tudo pacificar transmitindo sinais encorajadores a todos os aspirantes à Selecção, sejam eles veteranos e experientes ou jovens talentosos mas inexperientes ao mais alto nível, em que a pressão se assume com um dos principais obstáculos a um rendimento semelhante ao que cada um consegue no clube que representa. As opções neste particular são sempre discutíveis e sujeitas a discordâncias, mas nem sempre os melhores jogadores asseguram uma prestação global mais afirmativa e eficaz. Depende sempre de variáveis que têm que ser consideradas, como sejam as ideias de jogo que cada treinador/seleccionador tem em mente e da táctica a adoptar para cumprir mais cabalmente o sistema de jogo idealizado.

Não havendo tempo a perder pelo facto de estar já a decorrer a fase de apuramento que começou da pior maneira, não nos parece que se justifique a preocupação de alguns pelo facto de alguns dos seleccionados terem já uma provecta idade e não poderem, eventualmente, ter prestações ao mais alto nível quando se realizar a fase final do Euro. Uma equipa ou uma Selecção ainda que com o futuro sempre no horizonte, tem que viver e assegurar o presente, sem o qual acaba por inviabilizar o futuro. O que é preciso, sobretudo, é manter uma filosofia objectiva e coerente que permita sem demasiadas oscilações, vingar no presente e encarar o futuro sem sobressaltos. Isso, para já, parece estar no pensamento do novo Seleccionador.

Embora se notem melhorias, há no entanto arestas a serem limadas e aspectos tácticos que têm que ser trabalhados e melhorados pois revelam lacunas bem evidentes, o que afinal não surpreende se atendermos à escassez de tempo e treinos para as eliminar. O tão discutido 4X4X2 losango sendo um sistema como outro qualquer, revela para já carências gritantes dado que tem que ser interpretado por jogadores com as características adequadas em particular as defensivas, sendo que nos dois jogos já disputados foram nítidas as dificuldades sentidas nesse particular por jogadores que nas suas equipas (aparte porventura Danny) não estão rotinados nesse tipo de tarefas. As consequências foram flagrantes na primeira vintena de minutos no particular contra a França, e em certos períodos de jogo com a Dinamarca que está longe de ser uma Selecção de topo. Os laterais, ainda que com deficiências próprias, ficaram demasiado expostos à superioridade numérica dos alas e laterais contrários. Uma situação já identificada e que estamos certos merecerá a atenção de Fernando Santos.

Para que a Selecção possa atingir o sucesso é, para além da rectificação/afinação das deficiências já identificadas, também importante que todos cumpram a sua parte, embora saibamos que a Selecção continua a ser menorizada por uma parte significativa de adeptos que apenas prestam mais atenção quando a mesma incorpora jogadores do seu clube. Sendo legítimo e compreensível motivo de orgulho para os adeptos verem os seus jogadores envergarem o símbolo nacional, existem ainda alguns egoístas que não escondem o receio de vir a haver contratempos dos jogadores ao serviço da Selecção que os impeça depois de dar o contributo ao clube. Já sem falar de parte dos media que não consegue ver a Selecção como um todo ou de pessoas com responsabilidades como o presidente do Sporting que de forma irresponsável e ridícula protagonizou a cena da bandeira, para além do ex-Presidente Godinho Lopes que veio também questionar a cor dos equipamentos. Em vésperas do FC Porto-Sporting devem ter ficado furibundos com a cor dos equipamentos alternativos utilizados pela Selecção em Copenhaga…








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