Ponto Vermelho
Viva a Taça!
17 de Outubro de 2014
Partilhar no Facebook

A Taça de Portugal, mau grado algumas tropelias, continua a ser uma prova deveras importante no calendário nacional de futebol, e a final no Jamor constitui sempre um momento mágico e único, para além de ser uma festa do povo adepto tenha ele as cores que tiver. Por mais que alguns liderados pelo intrépido regionalista Pinto da Costa continuem a insistir na tese da descentralização da final, a verdade é que a perspectiva de estar presente no Jamor é um sonho de qualquer equipa e de qualquer adepto. Seja quem for.

É certo que a componente económica dos adeptos segue uma preocupante trajectória descendente, mas mesmo assim, chegado o momento, é tempo para todos os sacrifícios. No entanto, tudo está a ser feito para ir extinguindo essa possibilidade e novos agravamentos fiscais para 2015 estão aí para nos lembrar isso mesmo. O futebol começa a ser cada vez menos o ópio do povo para se transformar num desporto de elites. Daí a gradual diminuição da média de espectadores nos estádios com tendência a acentuar-se, assim continue esta preocupação avassaladora com o défice, uma imaterialidade que se tem sobreposto às pessoas que, pelos vistos, são cada vez menos seres humanos para passarem a números de um puzzle complicado e sem solução à vista.

É neste contexto pouco gratificante que se inicia a 3.ª eliminatória da Taça de Portugal que pela primeira vez alberga os habitantes que disputam a Liga principal. Daí o interesse pela prova ter crescido, pois aparte os acasalamentos entre primodivisionários, existe sempre a expectativa de, em cada eliminatória a partir de agora, surgir inesperadamente um tomba-gigantes. Que, não sendo caso-virgem, transporta para a história o clube menos apetrechado que conseguiu cometer tal proeza.

Dois jogos atraem as maiores atenções: o FC Porto-Sporting e o Sp. da Covilhã-Benfica. No que diz respeito ao clássico do Dragão, os caprichos do sorteio determinaram a eliminação prematura de um dos candidatos à vitória final. Aliás, tal como no ano passado onde ao Sporting coube a tarefa ingrata de fazer uma visita curtíssima ao seu vizinho da qual não saiu incólume, mas ainda assim apenas derrotado no prolongamento. Desta vez a situação tem alguma semelhança, sendo que no final do desafio uma das equipas terá forçosamente que dizer adeus ao Jamor.

A deslocação do Sporting ao Dragão ocorre num momento particularmente conturbado das relações entre os dois clubes. Num esforço contínuo de fazer esquecer um passado de subserviência do Sporting, o actual presidente tem aproveitado todos os momentos para tentar dar a volta a esses factos iniludíveis que contribuiram para o estado de degradação em que encontrou o clube, e nesse seu afã tem frequentes vezes ultrapassado os limites da razoabilidade entrando por caminhos que em nada dignificam o Sporting. Reabilitação sim, mas com calma e ponderação de forma a evitar contribuir para um estado belicista que em nada ajuda o seu clube e naturalmente o futebol. Até porque do outro lado está um verdadeiro especialista em acções de guerrilha, com a particularidade de não se pautar por regras convencionais…

Tratando-se de um jogo de Taça e da galvanização que Bruno de Carvalho tem tentado incutir nos adeptos leoninos, o Dragão irá provavelmente registar a maior afluência de sportinguistas de sempre. Aparte o interesse do jogo que só por si envolveria uma grossa fatia de adeptos dos dois lados da barricada, não há nada como bons fait-divers para atrair o interesse geral. No aspecto futebolístico o FC Porto pode ser considerado favorito, mas a grande interrogação será como o jogo irá decorrer fora das quatro linhas, a exemplo do que sucedeu em anterior deslocação. Espera-se como é evidente que tudo decorra dentro da normalidade, embora pairem núvens negras no horizonte.

Mudando de agulha, temos a deslocação do Benfica à Covilhã. Enquanto no Dragão em face da importância do desafio para os dois contendores não pode haver poupanças a despeito de haver Liga dos Campeões a seguir, para a sua deslocação ao reduto do Covilhã e segundo as previsões, o Benfica prepara-se para apresentar algumas alterações no onze que, assim o esperamos, não descaracterizem demasiado a equipa prejudicando o entrosamento e a fluência do seu jogo. É que, ainda estamos recordados do jogo da época passada com o Cinfães em que o Benfica suou as estopinhas para conseguir vencer por margem tangencial, sendo que não será surpresa para ninguém que o Covilhã tem potencial superior e apresentar-se-á perante uma moldura humana assinalável superiormente motivado, dado que estas oportunidades de poder fazer história não aparecem todos os dias…






Bookmark and Share