Ponto Vermelho
Surpresa... ou talvez não
19 de Outubro de 2014
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As bolinhas da sorte determinaram o acasalamento de diversas equipas da I Liga o que pressupunha desde logo que algumas delas não passariam da 3.ª eliminatória que correspondia à 1.ª para as equipas do primeiro escalão competitivo. Mas, para além dessas e enquanto se completarão hoje os restantes jogos, para já algumas disseram adeus à 4.ª eliminatória, como foram os casos do Boavista e do Estoril. Mais uma vez aconteceu Taça e futebol com equipas de divisões inferiores a levarem a melhor e a apurarem-se para a ronda seguinte da competição.

Dos jogos sorteados dois sobressaíam desde logo; o FC Porto-Sporting no Estádio do Dragão que atraía as atenções gerais (no campo e fora dele), e o Covilhã-Benfica face ao valor da equipa covilhanense em jogos no seu reduto, mas principalmente devido às alterações que se previam no onze encarnado. Em nenhuma das duas situações as expectativas sairam defraudadas ainda que por diferentes razões: o encontro do Dragão por se tratar de um clássico do futebol português e porque determinava o afastamento de uma das equipas candidatas à final do Jamor, a partida da Covilhã porque perante um onze privado dos seus elementos habituais que nem sequer tinham sido convocados, a possibilidade de vir a acontecer uma surpresa não estava de todo excluída.

No jogo principal da eliminatória sem dúvida prematuro mas sorteios são sorteios, o FC Porto apresentava-se à partida como favorito por um conjunto de razões importantes: pelo facto de jogar em casa, por ter um plantel mais rico e mais completo, e porque a última vitória conseguida pelo Sporting no Porto já tinha longos 7 anos. No entanto, o Sporting estava animado e prometia fazer a vida negra aos portistas, sendo que num jogo de mata-mata, todas as opções teriam que ser consideradas à partida como admissíveis. Independentemente da valia de cada um dos conjuntos.

Sinal da crença leonina foi a larga falange de apoio que se deslocou ao anfiteatro do Dragão como há muito não se via, dando uma indicação clara e inequívoca de que acreditavam que poderia haver uma surpresa. Nos bastidores do jogo e depois da acção destemperada de Bruno de Carvalho nada mais sucedeu em termos públicos, num encolhimento estratégico que acabou por dar os seus frutos. Ainda bem que tal aconteceu pois segundo relatos da imprensa, aparte algumas escaramuças pouco relevantes que sempre acontecem nestas situações, nada de negativo foi reportado o que é sempre de saudar.

Quanto ao jogo em si, o Sporting no cômputo geral foi um justo vencedor perante um FC Porto apático, manietado e sem ideias como há já algum tempo não se observava nos seus jogos no Dragão, sobretudo quando defronta os outros dois grandes. É nítido e patente que algo está mal no reino do Dragão e a constante rotatividade entre jogadores cuja grande maioria acabou de chegar e nem sequer conhece a realidade azul e branca, está a causar mesmo para os observadores mais distantes, instabilidade e demora em adquirir rotinas que se reflectem na produção global da equipa e a têm conduzido a exibições e resultados menos conseguidos como foi, mais uma vez, o caso de ontem.

Disso não teve culpa obviamente o Sporting que se limitou a aproveitar as deficiências adversárias para impor o seu jogo bloqueando o meio-campo portista que nunca conseguiu impor o seu jogo e disso se ressentiram os homens da frente sobretudo Jackson Martínez. É um facto que no jogo de ontem a sorte não acompanhou os portistas, mas o que é certo é que também nada fizeram para a merecer. Mas inaugurar o marcador para o Sporting e não conseguir concretizar um pénalti numa altura em que perdiam tangencialmente, terá influenciado animicamente e afectado o subconsciente dos jogadores. Resta agora saber (e os próximos tempos se encarregarão de o dizer), o efeito e os reflexos que esta eliminação algo humilhante não deixarão de ter no universo portista, depois de uma aposta sem precedentes no reforço do plantel.

Pertinho da Serra da Estrela, o Benfica sem os seus elementos habituais apresentava-se frente a um animado Covilhã correndo alguns riscos. Não estava tanto em causa o potencial dos jogadores escalonados, mas a inevitável falta de entrosamento e de rotinas que se adivinhavam entre eles, com alguns apenas a conhecerem-se dos treinos. E como se sabe, isso são factores de tomo na explanação do jogo de qualquer equipa. Mas Jorge Jesus entendeu que era a hora de assumir alguns riscos e por isso não hesitou em dar a titularidade a jogadores menos utilizados.

O facto de ter marcado no 1.º minuto terá dado a ilusão aos jogadores e aos adeptos de que o jogo iria ser um passeio, mas a igualdade reposta escassos 7 minutos depois fez voltar as coisas à primeira forma. E a remontada conseguida pelo limitado mas diligente Covilhã quase ao cair do pano da 1.ª parte, terá feito sentir que as facilidades supostamente esperadas estavam longe de acontecer. E a 2.ª parte sem que o nível tivesse subido por aí além, transmitiu a ideia de que tinha havido alerta no intervalo. Depois Jonas fez o resto, demonstrando classe, frieza e escola de ponta-de-lança. Uma última nota para o facto de Jonas ter salvo os encarnados, um raciocínio que provavelmente nunca viremos a compreender; será que ele não é jogador do Benfica?




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