Ponto Vermelho
Equívocos e surpresas no futebol
20 de Outubro de 2014
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Como não podia deixar de acontecer, a eliminação do FC Porto em sua própria casa às mãos do Sporting tem sido sobremaneira relevada. Compreende-se; há 7 anos que os leões não conseguiam vencer no reduto dos portistas (todos durante o largo período de subserviência ao FC Porto a que as sucessivas Direcções leoninas sujeitaram o clube), sendo que da forma mais irónica, logo que a actual gestão do Sporting resolveu soltar-se das amarras sucedeu a vitória há tanto tempo ansiada. Calculamos como Bruno de Carvalho se deve sentir-se neste momento…

Tudo aconteceu de forma rápida e para isso concorreram diversos tipos de causas que produziram um efeito até certo ponto inesperado. Apesar de tudo o que tem acontecido para os lados do Dragão e Alvalade, a verdade é que mau grado o momento menos bom dos portistas estes não deixavam de ser considerados favoritos, até porque uma eventual derrota afastá-los-ia da Taça de Portugal logo na 1.ª eliminatória em que participavam ao mesmo tempo que, de forma inevitável, os efeitos seriam altamente perniciosos em particular do ponto de vista anímico. Mas para os azuis e brancos o impensável acabou por acontecer e agora surgem as ondas de choque.

As consequências ainda estão na fase de avaliação. Mas uma coisa parece desde já surgir com nitidez; a opção recorrente de Julen Lopetegui pela rotação de jogadores sem critério, está a baralhar por completo o alegado plantel de luxo que tem à disposição, transformando-se num pesadelo de dimensões incalculáveis; para os jogadores, para Pinto de Costa (cujo esgar na tribuna durante o jogo foi elucidativo), para os adeptos e, por último, para o próprio treinador. A despeito das críticas sucessivas sobre aquilo que desde o princípio se transformou em pura obsessão e que nunca provou ser o esquema a adoptar, existia ainda alguma margem de conforto que, salvo melhor opinião, se esgotou com a derrota perante o Sporting e, muito pior do que isso, a tremenda incapacidade dos jogadores reagirem ao enxovalho e à adversidade, outrora uma imagem de marca por aquelas bandas.

É que não se tratou de um jogo menos conseguido que acontece a qualquer um quando menos se espera, mas sim o corolário lógico e consequente do que se vinha a observar logo que começaram os jogos a sério. Há uma evidente quebra gradual na capacidade competitiva dos portistas desde há alguns anos a esta parte com maior evidência nas últimas 3 temporadas. É um facto que manteve a tendência das últimas décadas e logrou vencer 2 campeonatos, mas analisando a sequência dos acontecimentos, temos que num teve a ajuda habitual da arbitragem que culminou com a intervenção do sempre inestimável Pedro Proença e, no outro, um bambúrrio da sorte ao minuto 90+2. Para além do demérito do Benfica que, a seu modo, também contribuiu para os êxitos portistas.

Talvez porque essa curva descendente se vinha a acentuar de ano para ano e porque a conquista do bi-campeonato pelo Benfica teria efeitos catastróficos no Dragão, Pinto da Costa encetou a fuga para a frente, dando mostras de que se tinha apercebido nitidamente dessa tendência. Foi contratada uma nova equipa técnica com insuficientes provas dadas a nível de clubes de alta competição que operou (ou alguém por ele), uma autêntica revolução no plantel com uma esmagadora maioria de jogadores oriundos do seu país natal. Sendo jovens, não eram titulares nas equipas de origem, mas de potencial inegável.

A Liga portuguesa como é reconhecido, está aquém das ligas mais competitivas da Europa. Mas tem especificidades muito próprias que a tornam complexa e difícil, sobretudo para quem a ela chega de novo. E isto vale para os treinadores e para os jogadores que necessitam de tempo até começarem a dominar as rotinas lusas e as particularidades da prova em si, onde cada vez mais existem treinadores capazes e que com as suas improvisações muito peculiares tornam as coisas complicadas. Provavelmente, com a ideia enraízada em Espanha de que o campeonato português é uma prova de 2.ª linha, Lopetegui terá engendrado uma estratégia que lhe permitiria manter mobilizados todos os jogadores do seu vasto plantel, sem perder a capacidade de resposta que julgaria suficiente para enfrentar os adversários nas várias provas portuguesas.

Como temos visto, esgotado o período de carência para a adopção da política de rotatividade, o resultado está longe de corresponder ao idealizado, notando-se à medida que o tempo passa diversos focos de instabilidade no plantel com Ricardo Quaresma a ser o mais significativo de todos. O que é certo é que as exibições são tristonhas, os erros sucedem-se a cada passo e os resultados são de molde a deixar os adeptos portistas angustiados. Num dos seus objectivos – o apuramento na Fase de Grupos da Champions tem valido o sorteio amigo, e o adversário tido como mais forte estar a atravessar uma crise acentuada de resultados. Seja como for, não dá mais para esconder que a estratégia de Lopetegui está a falhar em toda a linha. E que a inversão da situação começa a ser complicada…






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