Ponto Vermelho
FCP-Breve análise aos Resultados da época 2013/2014
22 de Outubro de 2014
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Por EagleView

A SAD portista anunciou os resultados do exercício referente à época 2013/2014. Respigo alguns dados que considero importantes e que ajudam a perceber melhor como vão as coisas financeiramente para os lados do Dragão. Desde logo os resultados que foram negativos e superiores a -40M€ (-40,7M€), o que traduz o maior prejuizo da história do FCP. Os proveitos operacionais (PO) diminuiram cerca de 5,8 Milhões, o que representa -7,5% em relação aos PO da época anterior.

Dizem que o EBITDA foi de 1,8 Milhões mas este rácio não contempla os resultados financeiros que são de 10,2 Milhões. Eu, para analisar o Cash Flow, prefiro outro rácio que se obtém somando ao resultado líquido o valor das amortizações, isto é, -40,7 + 27,1 = - 13,6 Milhões, rácio que aprofunda e revela melhor as dificuldades de tesouraria que têm sido recorrentes nos últimos 3 anos. O EBITDA é susceptível de ser melhor utilizado quando se quer comparar várias empresas do mesmo ramo, o que não é claramente aqui o caso.

Os custos de Pessoal (CP) diminuiram 5,2 Milhões e no entanto, pelo facto dos Custos Operacionais terem diminuído apenas 1,4 Milhões, pergunto-me se isso não terá sido porque mais uma vez foi feita uma transferência de 3,8 Milhões (5,2-1,4) para os FSE. Lembro que é isso que têm feito, transferindo uma parte dos custos de pessoal (CP) para uma empresa, Serviços Partilhados, criada para esse efeito, entrando por isso na rúbrica Fornecimentos Serviços Externos (FSE) em vez de serem afectos à rubrica CP para assim permitir ficarem dentro dos 70%, o rácio (CP/PO) exigido pela UEFA para poderem ser aceites nas provas europeias.

E foi isso que fizeram; os FSE aumentaram em 4,5 Milhões, de 37,5 Milhões o ano anterior para 42 Milhões em 2013/14, um aumento de 12%. Sem esta transferência de custos o FC Porto não teria possibilidade de cumprir as exigências da UEFA em relação ao Fair Play financeiro. Se somarmos os custos de pessoal com os FSE, estes foram de 90,9 Milhões em 2013/14 contra os 91,5 Milhões do ano passado, isto é, não houve grande diferença. Em termos percentuais em relação aos PO houve um agravamento de 117% para 125% o que demonstra o descalabro existente no controlo de custos existente na gestão do clube.

Por sua vez o activo desceu porque houve venda de valores (jogadores) que não foram substituídos. O activo intangível desceu de 76,2 Milhões para 61,5 Milhões. Pior é o aumento do passivo nos últimos 5 anos, já que foi de 160 Milhões em 2009/10 para os 233,5 Milhões actuais, um aumento brutal de 46%. E ainda dizem que é o Benfica que aumenta o passivo. Lembro que o aumento dos passivos remunerados (bancários/obrigacionistas), os que custam dinheiro, subiram de 96 Milhões o ano passado para 140 Milhões este ano, um aumento de 46% (44 Milhões).

O capital próprio negativo de quase 30 Milhões foi resolvido através de uma operação contabilística que foi o aumento de capital através da cedência de metade do estádio à SAD. No entanto, lembro que o FC Porto apesar de ter registado 24 Milhões de proveitos de vendas de jogadores, (valores líquidos que devem corresponder a mais de 42 Milhões de vendas brutas), os CO demasiado elevados mantêm-se e não me parece que haja vontade política de mudar.

O FC Porto apresentou um resultado positivo de 20 Milhões em 2012/13 devido a vendas brutais superiores a 120 Milhões (Hulk, A. Pereira, Moutinho e James) que resultaram em resultados líquidos de 76,4 Milhões. Este valor não será possível repetir. Pelo facto de não se perspectivar uma inversão no controlo dos CO, os 41 Milhões de défice que tiveram em 2013/14 irão continuar no exercício de 2014/15. Como irão ser cobertos? Com a venda dos jogadores do plantel? Lembro que 4 desses jogadores não pertencem ao clube e há outros 2 dos quais o FC Porto tem apenas uma pequena percentagen dos passes, Brahimi 20% e Aboubhakar 30%. O FC Porto tem apenas 6 jogadores dos quais tem 100% dos passes (Jackson, Danilo, Alex Sandro, Indi, Quiñones e Maicon), a sua actividade corrente não gera dinheiro para comprar o que lhe falta dos outros passes nem tem possibilidade de conseguir empréstimos para isso no actual cenário.

Liquidaram 4 milhões de dívidas de impostos em atraso mas as restantes dívidas ao fisco irão continuar a ser pagas no futuro de acordo com um plano de pagamento. Para além disso têm um conjunto de receitas, TV e merchandising, que já foram antecipadas. Tudo junto irá fazer com que haja uma sobrecarga nas necessidades de tesouraria. Não estou a ver como irão fazer sem vendas substanciais de jogadores já em Janeiro.

Para poderem cumprir o fair play financeiro da UEFA terão de registar em 2014/15 um resultado líquido positivo de 16 Milhões, já que tiveram em 2012/13, +20 Milhões e em 2013/14, -41 Milhões. Como a UEFA exige um resultado negativo não superior a -5 Milhões nos últimos 3 anos as contas são fáceis de fazer; +20 -41+16 = -5. Para poderem chegar a esse resultado terão de ter vendas que cubram o défice de exploração actual mais 16 milhões de proveitos. Como o irão fazer sem uma descida drástica dos custos de exploração ultrapassa a minha compreensão. Prevejo assim para o próximo ano uma operação igual à que fizeram este ano, ou seja o aumento de capital com a cedência da percentagem que resta do estádio à SAD. E que a UEFA não descubra que escondem entre 10 Milhões e 15 Milhões de Custos de Pessoal nos FSE…


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