Ponto Vermelho
Decisões difíceis de compreender
23 de Outubro de 2014
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1. A menos que se trate de uma daquelas estranhíssimas coincidências que ninguém consegue justificar, continuamos a não compreender de todo a aversão que o Benfica, no reinado de Jorge Jesus, continua a manifestar ano após ano pela Liga dos Campeões. As tentativas de explicação sucedem-se sempre que a equipa encarnada disputa mais um jogo e mantem o registo constante, mas até hoje, por mais que nos esforcemos, não conseguimos enxergar o que leva o Benfica a ter resultados e exibições tão decepcionantes na principal prova europeia e mundial de clubes.

2. Afirma e reafirma Jorge Jesus que a principal prioridade é o campeonato. Até aí percebemos perfeitamente o objectivo que só deve ser o de vencer. Também entendemos na perfeição que se persiga um alvo que diz muito aos benfiquistas e que não se consegue atingir há mais de 3 décadas. E, não menos importante, porque a renovação do título poderia significar a interrupção, quiçá definitiva, do longo ciclo vitorioso portista. Convenhamos que são argumentos importantes mas não o suficientemente para nos termos afastado da principal prova da Europa.

3. Diriam de imediato em jeito de contra-argumentação poderosa que essa fobia nacional não impediu o Benfica de chegar a duas finais consecutivas da Liga Europa nos últimos dois anos que todavia não conseguiu vencer, apesar de em ambas ter sido superior aos seus adversários. É, de facto, uma verdade insofismável que se regista e que veio provar justamente duas coisas; a) que um dos principais destinos do Benfica é a Europa; b) que é aí que sedimenta e reforça o prestígio internacional que conseguiu granjear ao longo dos tempos. Isto já sem falar na importante componente financeira mais imprescindível do que nunca em tempos de acentuada crise económica.

4. Se tudo isso é realidade, refrescando no entanto um pouco a memória, observamos que o prestígio que o Benfica construiu na Europa e no Mundo começou com a antiga Taça Latina, sendo que as ex-Taças das Cidades com Feiras, Taças das Taças e Taça UEFA também deram contribuição importante. Contudo, é indubitável que a grande fatia desse prestígio assentou fundamentalmente na antiga Taça dos Campeões. Por motivos óbvios; por a ter vencido duas vezes contra portentos como o Barcelona e o Real Madrid (que depois de altos e baixos voltaram a assentar arraiais na crista da onda); por ter estado presente em mais 5 em que infelizmente não logrou vencer e, finalmente, porque é essa prova que sempre apresentou o melhor leque de equipas do velho continente.

5. Daí que seja algo estranho o percurso que o Benfica tem vindo a registar nos últimos anos na principal prova. É certo que hoje em dia, ao contrário das equipas portuguesas e do Benfica em particular, são várias as que dispõem de sólidos e vastos recursos financeiros e outros, que fazem com que a estrada do êxito esteja muito mais ao seu alcance. Não é menos verdade que as principais Ligas são mais competitivas do que a portuguesa e por isso estão habituadas a outro andamento. É ainda verdadeiro que para isso, essas equipas dispõem de plantéis mais ricos, mais apetrechados e mais capazes.

6. Tudo isso conjugado resulta num handicap poderoso para o Benfica e em algumas circunstâncias absolutamente decisivo. Mas todos esses factores sem dúvida muito importantes, não poderão constituir motivo para que a toalha deva ser atirada ao chão a pretexto dessas desigualdades. Olhando para trás, constatamos que com uma única excepção, o Benfica bloqueou na Fase de Grupos em situações que podia e devia ter sido apurado: Não dizemos já como vencedor do Grupo, mas através do 2.º lugar que estava perfeitamente ao seu alcance. Mas ficou pelo caminho.

7. Esta temporada estamos de novo na mesma situação. Ou melhor, estamos pior dado que em face dos resultados obtidos, se ainda matematicamente tudo está em aberto, a realidade é que corremos o risco sério de nem sequer sermos apurados para a Liga Europa. Jorge Jesus tem justificado o percurso negativo (2 D, 1E e um score de 1-5) à igualdade dos componentes do Grupo. Seja. Mas então como se justificam as exibições tão pouco conseguidas, sem chama e sem alma? Como se conseguirá perceber o discurso desvalorizativo ou a falta de resposta colectiva? Será que a Europa dos grandes não interessa ao Benfica? Será que está tudo reservado para o principal objectivo? Estamos pois curiosos para ver a resposta que será dada já este fim de semana em Braga…






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