Ponto Vermelho
Liga ‘consensual’
24 de Outubro de 2014
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Depois da Federação, dos Clubes e em última instância a Tutela terem deixado prolongar a agonia da cúpula dirigente da Liga, levando a uma situação gravíssima que não vemos a quem possa ter servido a não ser à bagunça e à teimosia de Mário Figueiredo, foi finalmente dado um passo importante no sentido da obtenção de uma solução que terá gerado o consenso de 28 dos 36 clubes das duas Ligas do futebol profissional. Se vai ou não resultar, se Luís Duque é ou não a pessoa certa, isso já é outra história e ver-se-á mais tarde. Para já é o que temos e devemos fazer força para que resulte porque as alternativas não são nada animadoras.

Está, pois, dado um passo importante para obstar à paralisia da Liga. Com uma imagem pública que se foi degradando, confrontada com o Sistema que mantem ainda uma influência determinante sobretudo a nível dos pequenos e médios clubes e devastada por guerras intestinas, a Liga está falida e viu os seus principais patrocinadores afastarem-se. Escasseando as verbas dos patrocínios, a sua aposta na centralização dos direitos televisivos apesar de todas as diligências empreendidas por Figueiredo tem andado a marinar e ainda continua sem resolução à vista, enquanto as apostas-on-line estão já na recta final esperando-se que até ao princípio de 2015 sejam uma realidade. Também aqui Figueiredo já não chega a tempo…

É portanto num cenário de grande complexidade que Luís Duque irá iniciar a sua prestação à frente dos destinos da Liga. O seu percurso enquando dirigente com provas dadas na condução desportiva a nível clubista e associativo potenciam-no como pessoa habilitada para o lugar. O tempo será como sempre o principal examinador das suas capacidades numa Liga que necessita urgentemente de ser revigorada para poder responder aos tremendos desafios que tem pela frente. Estamos em crer que nesta decisão de consenso, os clubes terão avaliado de forma positiva que chegou a hora em que não há mais tempo a perder.

No meio de tudo isso era quase impossível que não houvesse factores de negação. Esse factor será, provavelmente, um dos grandes óbices para que se chegue sem dramatismos e especulações a qualquer solução que seja abrangente. Seja no futebol, na política, ou onde for. Logo que se começa a perfilar um candidato, de imediato uma autêntica legião de detractores afadiga-se na procura de factores pessoais negativos, porque a opinião pública idealiza sempre personagens imaculadas que obviamente não existem. E, como tal, são as situações menos agradáveis que saltam para a ribalta numa tentativa de neutralização imediata, esquecendo a avaliação que deve ser feita do conjunto. A menos que hajam desde logo factos pessoais graves.

Quando foi noticiado que na liderança do processo estavam os 3 grandes, apesar de alguma estranheza dadas as profundas divergências que grassam entre eles, interpretámos tal facto como a procura inadiável de uma convergência face ao estado calamitoso que o futebol vive. E aí, pese embora algumas posições difíceis de conciliar, de todo um passado negro que tem sido insistentemente relevado, era inevitável um esforço da parte de todos para alcançar um acordo onde desaguassem interesses comuns a todos. O Sporting, a despeito da táctica de guerrilha trotskista que o seu presidente tem vindo a seguir insistentemente desde que deixou de ser líder de claque para passar a ser presidente, era importante que fizesse parte da task force para contribuir com as suas ideias e para transmitir mais força à solução a encontrar.

Não o entendeu assim Bruno de Carvalho que preferiu a bolorenta táctica do orgulhosamente sós, rejeitando qualquer esforço de convergência e impedindo que o consenso fosse ainda mais alargado. Estando os outros dois grandes em conjunto com a esmagadora maioria de clubes empenhados em encontrar uma solução rápida e o mais alargada possível, a conclusão extraída por alguns foi a de que se tinham unido para tramar Bruno de Carvalho. Os fait-divers do leitão, potenciados por uma imprensa pouco rigorosa e especuladora, ajudou a legitimar essa ideia com o seu quê de absurdo.

Os bitaites postos a circular de forma propositada sobre Soares Franco, Bettencourt ou Godinho Lopes também contribuiram para tornar o puzzle revelador de uma conspiração a dois. A indigitação de Luís Duque foi englobada nessa tramóia, porque entendia Bruno de Carvalho do alto da sua sapiência, que mesmo estando a grande maioria dos clubes à beira do colapso, eram as guerrinhas internas e os ajustes de contas em Alvalade que eram determinantes sobre tudo o resto. Além disso, se entendia que se estava a preparar uma tramóia contra si e contra o seu clube, era no local próprio (como disse a propósito de Godinho Lopes) que a deveria ter denunciado. Ao optar pela ausência perdeu uma soberana oportunidade de o fazer, pelo que as suas teses pretensamente moralistas deixaram de fazer sentido.

Não antecipamos qualquer fim. Os desenvolvimentos seguirão o curso normal e da nossa parte, face à experiência do passado, não sentimos qualquer entusiasmo. Entendemos, todavia, que não havendo soluções ideais teremos que nos contentar, face à conjuntura, com as possíveis neste momento. Mas não queremos, de forma nenhuma, ser negativistas. Nesse sentido, num momento de tão grave crise, deixamos expressa a convicção de que não deve haver mais falhanços e perdas de tempo com aspectos laterais irrelevantes. Sem prejuízo, no entanto, de todo este processo vir a ser melhor explicado quando for oportuno por quem de direito, para evitar pruridos na mente de alguns benfiquistas…




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