Ponto Vermelho
Benfica: que nível competitivo?
25 de Outubro de 2014
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Não há muito tempo, mal se iniciou a debandada de alguns dos jogadores que tinham sido pedras nucleares na conquista épica de todos os troféus nacionais em disputa e começou a futurologia que anunciava ao som de trombetas a queda acentuada de raios e coriscos para os lados da Luz, alguns adeptos e simpatizantes encarnados começaram a registar índices de preocupação acentuados. Que se foram robustecendo à medida que a pré-época se ia desenrolando sem quaisquer motivos animadores, a imprensa dava nota diariamente da eminente saída de jogadores importantes como Enzo Pérez, Nico Gaitán, Luisão, Máxi Pereira, etc. etc., e, por último, as aquisições para recompletamento do plantel continuavam em banho-maria.

Neste cenário com o seu quê de dantesco, os adeptos mais vulneráveis psicologicamente acabaram por se deixar arrastar por uma uma onda de pessimismo sem precedentes que contrariava frontalmente a exultação dos êxitos ainda bem frescos na sua memória. As perspectivas mais negras imaginadas acabaram por não acontecer, os jogadores já transferidos acabaram por permanecer de águia ao peito, e nos últimos dias antes do mercado fechar foram feitas algumas contratações que potenciavam um acrescento de valor ao plantel e em particular a algumas posições mais carenciadas. O plano inclinado do pessimismo estagnou e deu lugar à expectativa e à esperança, ainda que mantendo sempre à mão a velha teoria de São Tomé.

Ainda em plena laboração do mercado e antes de ser dado o pontapé de saída no objectivo principal do campeonato, nas habituais análises e previsões com que alguns plumitivos nos costumam deliciar, o Sporting que tinha ocupado fugazmente a figura de candidato maior por manter a estrutura da época passada quase intacta, foi cedendo o lugar ao FC Porto à medida que se multiplicava a incrível capacidade aquisitiva dos portistas. Com essa chuva de grandes talentos, os azuis e brancos passaram a ser candidatos destacados e vencedores antecipados, mantendo-se o Benfica no último lugar do pódio ainda que com a distância encurtada em relação ao Sporting.

Iniciou-se então a grande maratona ainda sob os efeitos de uma pré-época preocupante, sendo que o (grande) desafio imediato seria ultrapassar um trauma que já durava há quase uma década do Benfica não conseguir ganhar na 1.ª jornada do campeonato. Prova ultrapassada com êxito, sem que contudo tivesse havido uma exibição deslumbrante e prometedora. Mas numa prova tão longa e dura, por norma o campeão é aquele que jogando nem sempre bem consegue ser o mais objectivo e regular. Desde que, pela experiência do nosso campeonato, não sucedam factos anormais que como sabemos por demais, são sempre susceptíveis de virem a acontecer.

Com altos e baixos próprios de princípio de época e de ultimações e afinações algo tardias, à entrada para a 8.ª jornada o Benfica, contrariamente a todas as expectativas e previsões das aves de mau agoiro ocupa o 1.º lugar destacado com 4 pontos de vantagem sobre o FC Porto e 6 do Sporting. Não sendo de embandeirar em arco, a verdade é que é sempre muito mais vantajoso seguir na frente e ainda por cima destacado. Sem entusiasmar os encarnados têm sido os mais constantes e regulares, ao contrário dos seus mais directos competidores que têm primado por alguma irregularidade. Veremos o que sucede daqui para a frente, uma vez que o Benfica estará amanhã perante um dos grandes testes internos.

Ao invés, na Liga dos Campeões, os resultados nas 3 primeiras jornadas da Fase de Grupos seguem de braço dado com as exibições. Maus. Ainda há 2 dias abordámos o assunto que tem sido objecto de várias especulações. Não se estranha por isso que na véspera da visita à Pedreira o tema tenha vindo de novo à colação e, perante um teste que se prevê complicado, alguns coloquem pontos de interrogação sobre a real capacidade do Benfica neste momento. Não é preciso ser nenhum expert na matéria para se prever que, em condições normais, o Benfica que se tem apresentado na Liga dos Campeões poderá ser insuficiente para ultrapassar os bracarenses, ou, pelo menos, deparar-se com enormes dificuldades na linha do que tem acontecido nas últimas temporadas. Vamos esperar mas, a nossa convicção, é a de que o Benfica que se apresentar amanhã em Braga estará firmemente disposto a desfazer de uma vez por todas esses equívocos que, diga-se de passagem, não tem feito tudo para os esclarecer.








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