Ponto Vermelho
Violência no desporto
30 de Outubro de 2014
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Apesar dos inúmeros alertas feitos por pessoas dos mais diversos quadrantes, a realidade é que a violência continua a irromper nos recintos desportivos. Primeiro começou a acontecer nos estádios de futebol e depois foi-se extendendo gradualmente aos pavilhões. Têm-se procurado explicações plausíveis para este fenómeno ruim e têm sido várias as explicações avançadas mas o que é certo é que apesar de algumas medidas terem sido tomadas, essas práticas condenáveis persistem envergonhando todos aqueles que continuam a considerar que o desporto representa muito mais para as vidas dos cidadãos do que muitos teimam em não achar, a começar pelos poderes políticos executivos.

Muito provavelmente algo foi mudando sem que nos tivéssemos apercebido. E para aqueles que insistem em justificar tais alterações de comportamento com a intensa rivalidade dos adeptos, diríamos que essa poderá ser tão somente uma parte do problema. Porque existindo, por exemplo, uma intensa rivalidade de há mais de um século a esta parte entre os eternos rivais Benfica e Sporting, não foi por isso que até quase três quartos do século passado os estádios não tinha qualquer protecção e não era por isso que os jogos não se realizavam com os adeptos a comportarem-se dentro de parâmetros aceitáveis.

Existem outros que atribuem essas causas à irresponsabilidade dos dirigentes que têm dado alento a guerrilhas sobretudo a partir do último terço do século XX com a subida ao poder de Pinto da Costa que sem olhar a meios formatou o assalto ao poder. É também uma parte da verdade porque uma reacção obriga sempre a outra (mais firme ou menos assertiva em função do poder que a outra parte detém), e isso arrasta os adeptos mais susceptíveis e com maior grau de radicalidade a seguir os seus líderes e a tentar exprimir no terreno os excessos verbais na tentativa de marcarem pontos na sua afirmação.

Por último e não menos importante, as consequências de uma crise económica sem limites e sem fim à vista, que deu asas a incríveis dificuldades por um sem número de famílias gerando potenciais focos de revolta nos jovens com problemas de afirmação no presente e sem grande esperança no futuro. E é dos manuais que as pessoas sempre que estejam vulneráveis tornam-se presas fáceis dos adeptos do extremismo seja ele de que tipo for. Desta vez Portugal não constituiu excepção pela negativa pois os acontecimentos que mais têm enlutado o Mundo neste capítulo aconteceram todos além fronteiras. Felizmente aqui está um dado em que não estamos na cauda da Europa.

Isso não implica, contudo, que vivamos no melhor dos mundos. Não. Vários e graves têm sido os episódios de violência registados quer verbal (via dirigentes e respectivos agentes, quer no terreno ou nos pavilhões por aqueles que se perfilam como adeptos). Já por mais do que uma vez que estiveram para suceder factos ainda mais graves mas, por esta ou por aquela razão, ainda bem que não atingiram proporções alarmantes. Mas os sinais estão lá e apesar dos avisos e dos alertas emitidos parece continuar a haver uma certo desleixo e alheamento de quem de direito em atacar o problema de frente, por forma a impedir que se atinjam índices preocupantes que será o que poderá acontecer caso não sejam tomadas medidas urgentes no papel… e no teatro das operações.

Mais uma vez é evocada a malfadada meta do défice para que sejam surripiadas medidas que ao Estado e só ao Estado compete criar e executar em conjunto com os restantes agentes. Mas o poder executivo prefere antes assumir o papel de cobrador de impostos (leia-se sugar cada vez mais os cidadãos) ou poupar (um termo que adora utilizar para tentar enganar o Zé Povinho) mais uns quantos milhares de eurozitos em vez de providenciar à segurança dos cidadãos onde quer que se encontrem e que constitui um direito inalienável dos mesmos. Mas o assobiar para o lado transformou-se na sua imagem de marca, desde que a segurança de uma minoria previlegiada continue sempre assegurada.

O último episódio ocorrido com o Hóquei em Patins do Benfica no Pavilhão de Barcelos e amplamente denunciado é apenas e só mais um. Gravíssimo, mas os responsáveis que nada fazem e nada querem fazer jogam com o tempo e com a memória curta dos cidadãos que se vai paulatinamente esbatendo. Inquéritos quando os há, resultados muitas vezes inconclusivos, castigos exemplares e medidas de fundo nem vê-las. E depois, é esperar que (não) volte a acontecer pois o risco potencial aumenta sempre que nenhumas medidas sejam tomadas. E parem de uma vez por todas com essa lenga-lenga da crise (que pelos vistos é só para alguns) e digam ao desporto e ao País se, ao menos, vai ou não haver condições de segurança para que atletas, treinadores, dirigentes e público possam ir a estádios e pavilhões com tranquilidade. Desde quando é que adultos e principalmente crianças têm que estar sujeitos aos desmandos e à violência de meia-dúzia de energúmenos?






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