Ponto Vermelho
Novos desafios
19 de Janeiro de 2013
Partilhar no Facebook

O futebol tem a possibilidade de encerrar sentimentos contraditórios, dado que à velocidade temporal com que o mesmo se desenrola pode permitir a recuperação rápida de um desaire completo ou parcial, ou a seguir a um êxito retumbante pode cair em depressão. Depende dos resultados, dos adversários e de toda uma panóplia de interesses que giram à volta do desempenho de uma determinada equipa. Para que tal não aconteça, torna-se necessário possuir uma estrutura forte e capaz de reagir prontamente a um resultado menos conseguido. Foi isso que aconteceu ao Benfica após o semi-desaire caseiro com o seu rival na disputa do título nacional.

Com efeito, não tendo sido capaz de ultrapassar um adversário que parece ser bom na actividade controladora (nenhuma novidade pois isso já acontece há 3 décadas…) e veio jogar declaradamente para não perder, o Benfica foi vítima dos seus próprios erros e pagou por isso. Foi generoso pois ofereceu e esbanjou, acções que a ocorrerem em simultâneo com foi o caso, costumam dar péssimo resultado. Desta vez, pela táctica encolhida dos portistas ficou no meio-termo. Sobre o falatório de aldeia que nos entreteu toda a semana, são opiniões e essas leva-os o vento, sobretudo quando ele é bem forte como está a acontecer desde ontem.

Ultrapassado esse capítulo, novo grande desafio se colocava aos encarnados. Porque importava confirmar se o jogo anterior não tinha deixado sequelas quer físicas quer psicológicas, perante um adversário que em duas épocas seguidas para o campeonato tinha empatado os encarnados ainda que com ajudas externas mas isso, é uma contingência da Liga Portuguesa que tem o condão de encerrar um conjunto de surpresas que provavelmente não acontecerão em mais nenhuma Liga. Importa desde já constatar que o receio manifestado por alguns adeptos e simpatizantes benfiquistas não tinha razão de ser, pois desde o primeiro minuto se percebeu que a equipa entrou disposta a impor o seu jogo e tentar ganhá-lo quanto antes, pelo que o rápido avolumar do resultado foi a consequência natural dessa postura. É claro que para que isso tivesse acontecido muito se deveu ao querer de todos os jogadores e também aquela pontinha de fortuna na concretização que é sempre necessária, dado que por vezes a primeira faceta é insuficiente, como aliás se observou no jogo anterior e que redundou num empate a 2 golos.

E as dificuldades continuam. Ainda a saborear o êxito de Coimbra e o reforço anímico suplementar é já tempo de olhar para Moreira de Cónegos, e nem o facto de estar em perspectiva o Benfica ir defrontar o último classificado acabado de ser mimoseado com uma goleada em Setúbal poderá servir para qualquer descanso, atendendo a que em casa costuma criar dificuldades acrescidas (e os encarnados sabem bem disso nos dois jogos que recentemente lá disputaram para a Taça de Portugal e para a Taça da Liga). É de facto um programa non-stop neste mês de Janeiro e, se é salutar passar por isso porque tal é sinónimo de que o Benfica está em todas as provas, por outro implica um intenso desgaste sob todos os pontos de vista que pode dar origem a lesões, baixas de forma e exclusões que poderão limitar a equipa. Veja-se que a exemplo da época passada, nesta temporada volta a haver malapata com os centrais.

Também vamos ter direito a um aliciante extra – o regresso dos peso-pesados da arbitragem que, a tomar como base exercícios anteriores prometem, pelo menos em teoria, deixar a marca indelével que os caracteriza. Sem saber o que nos reserva o futuro, vamos começar com um - João Capela – em que é impossível esquecermos duas das suas mais brilhantes actuações – Na Luz contra o Sporting e em Olhão – sobretudo no capítulo disciplinar, em que demonstrou aquele excesso de zelo que só acontece em determinadas circunstâncias e que é apanágio das arbitragens nos relvados portugueses, porque sabem que desde os Delegados ao jogo passando pela brigada de branqueamento, todos concorrem para que as suas acções sejam compreendidas e rapidamente esquecidas. Não foi assim com os 3,9 de Xistra em Coimbra?

Isso implica que toda a estrutura encarnada sem excepção se concentre nos objectivos e consiga antecipar e dominar os factos e os acontecimentos que estejam sob o seu controle. As deslocações consecutivas ainda que com diferentes graus de dificuldade pressupõem que todo o cuidado é pouco. Guimarães e Coimbra da época passada devem continuar bem vivos na memória pois foi aí que começou a ocorrer o descalabro. É fundamental que a atitude e o empenho demonstrados na 5ª feira perante a Académica se mantenham porque isso, para além de aumentar substancialmente as possibilidades de êxito, diminui o esforço inventivo dos apitadores que passam a ter menos espaço de manobra para imporem a sua capacidade de imaginação. E sabe-se como alguns demonstram possuí-la…








Bookmark and Share