Ponto Vermelho
Ora bem…
1 de Novembro de 2014
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O Benfica com margem de manobra mais reduzida depois da derrota de Braga, estava ontem perante um desafio considerado de antemão difícil mas em que não podia ceder pontos sob pena de poder ser ultrapassado pelo FC Porto e igualado pelo Sporting. Isto, claro, partindo do pressuposto que ambos vencerão hoje os seus desafios o que evidentemente não é um dado adquirido. Mas pela lógica mais racional era esse o cenário que se apresentava como mais provável aos campeões nacionais, já com novo encontro decisivo para a Champions agendado para a próxima 3.ª feira.

Para variar, a recorrente situação de lesões graves que tal como no ano passado continua a fustigar o plantel encarnado, fez mais duas vítimas: Eliseu que tem para um mês e Gaitán que fez meia parte com sacrifício e naturalmente sem aquela desenvoltura que o costuma caracterizar e de novo em dúvida para o jogo com o Mónaco. Mas, antes da explicações oficiais, a esmagadora maioria dos espectadores não terá deixado de estranhar a sua ida de início para o banco com a vaga a ser ocupada por Talisca que foi desviado, enquanto que André Almeida como lateral esquerdo não terá sido surpresa por aí além dada a apetência que Jorge Jesus revela pelas adaptações.

Foi portanto com todo o corredor esquerdo remendado que o Benfica se apresentou a jogo e, como seria de esperar, nenhuma fluídez daí resultou. Valeu na circunstância que o flanco oposto tentou de alguma forma compensar com Maxi e sobretudo Salvio particularmente activos, mas que não evitaram que a 1.ª parte fosse pouco animadora do ponto de vista de oportunidades de golo encarnadas com o jogo confuso e emperrado, o que serviu às mil maravilhas para os vilacondenses que, diga-se a propósito, apresentaram uma boa equipa. De resto, como novidade, a ida de Júlio César terá surpreendido alguns que contavam com Artur.

Por aquilo que fez especialmente na 2.ª parte, o Benfica foi um justo vencedor do encontro. Atacou mais ainda que nem sempre bem, criou mais perigo e teve mais oportunidades para marcar. Valeu a boa prestação de Cássio que habitualmente na Luz rubrica sempre excelentes exibições, mas sendo um elemento da equipa do Rio Ave estava lá para defender. Tal como Matheus o fez igualmente em Braga e como provavelmente um dia destes o guarda-redes do Benfica também o fará. Não percebemos de todo a enfatização que se faz destes casos, como igualmente não enxergamos a promoção de Talisca a herói do desafio. Marcou um belo golo e ainda por cima decisivo? É verdade! Mas pela mesma lógica não estará lá ele (ou outro qualquer sem serem necessariamente os avançados) para marcar? Então porquê tão grande estranheza?

O facto do Benfica ter vencido pela margem mínima abriu campo de manobra para os habituais especuladores que na ausência de argumentos mais convincentes quiseram eleger o árbitro como causador de todos os males e responsável pela derrota do Rio Ave. O despautério foi tanto que um comentador chegou a alvitrar que Manuel Mota não devia apitar jogos do Benfica. Não estaria, por acaso, a falar de Pedro Proença?... Prosseguindo ainda nesse campo, resolveram dar enorme ênfase ao lance em que Esmael introduziu a bola na baliza encarnada já com o lance interrompido. Não podendo deixar de reconhecer que o jogador estava adiantado, optaram por massacrar o fiscal-de-linha que se tinha atrasado em relação à linha da bola. Teve sorte e acertou dizem eles!

É inteiramente verdade esse facto, só não percebemos esse destaque que, como se viu, não tinha razão de ser a partir do momento em que o lance foi correctamente invalidado, só fazendo sentido essa algazarra se porventura o jogador estivesse em posição legal. Mas este mundo para além de curioso, é contraditório e até por vezes hilariante. Há 3 épocas, na mesma Luz não num lance corrido mas de bola parada, o fiscal de linha no enfiamento da jogada não vislumbrou um offside de Maicon do tamanho da Torre dos Clérigos que decidiu o título a favor do FC Porto. Então, nessa altura, o facto de estar no enfiamento da jogada não serviu para grande coisa. Na realidade sabemos ao que vêm e pela reacção nota-se já nervosismo e uma crescente preocupação. Ou será que estamos enganados?...








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