Ponto Vermelho
Chama acesa da esperança
5 de Novembro de 2014
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Por todas as condicionantes já suficientemente escalpelizadas, o Benfica concorria a esta edição da Liga dos Campeões sob um grande ponto de interrogação, mas sem deixar de pensar no objectivo de se apurar para os oitavos. Todavia, para que isso pudesse acontecer e para além das suas prestações, havia que contar com um sorteio que não fosse desfavorável na Fase de Grupos e, depois, alguma fortuna na hora de defrontar os adversários. É um princípio que se pode aplicar a todos, mas que assume particular importância com equipas que estão longe de fazer parte do leque reduzido das favoritas à vitória final. Uma situação aliás extensiva às outras equipas do futebol português e que se prevê vá continuar em face da desproporção de meios ao dispôr.

Não tendo beneficiado dos favores do sorteio ao sair-lhe quiçá o Grupo mais equilibrado de todos com equipas fortes, já foi dito e redito inclusive por Jorge Jesus que qualquer equipa se pode apurar para os oitavos como igualmente qualquer uma pode ser eliminada e sem hipóteses sequer de prosseguir na Liga Europa. O que com os resultados que têm vindo a suceder, disputada a 1ª jornada da 2ª volta essa previsão está a confirmar-se em absoluto. De facto, à excepção do Bayer Leverkusen que fugiu aos demais mas que ainda não está a salvo, as três restantes equipas do Grupo encontram-se numa grande embrulhada.

Provando à saciedade o que tem sido dito desde o princípio, alguns resultados têm surpreendido. Apesar de algumas debilidades conhecidas, esperava-se mais do Benfica que iniciou a sua caminhada com uma derrota caseira frente ao Zenit a quem alguns destinavam desde logo o 1.º lugar do Grupo. Esperava-se a rectificação em Leverkusen, mas aí terá acontecido a pior prestação dos encarnados na Europa esta época até ao momento, sem capacidade de reacção para o futebol rápido e acutilante dos alemães. Lapsos próprios fizeram o resto e o erro do árbitro ao assinalar um penalty inexistente logo a seguir à marcação daquele que viria a ser o tento solitário do Benfica, acabou de pronto com qualquer possível reacção.

Com duas derrotas inapeláveis em outros tantos jogos com a agravante de perder em casa ser altamente prejudicial para a contagem final, o Benfica ficou numa posição desconfortável dado que todas as restantes equipas tinham pontuado e já dispunham de avanço algo confortável, muito embora sabendo-se que a qualquer momento o Grupo poderia alterar-se radicalmente. Com efeito, se a vitória monegasca ante os alemães pode ser considerada normal, já o empate arrancado em S. Petersburgo foi claramente um resultado que estaria um pouco fora das previsões. Mas o Zenit, depois da vitória tranquila na Luz, e do nulo com o Mónaco baqueou em Leverkusen, dando indicações que o fulgurante início de época parecia estar a sofrer um hiato.

Para o Benfica, o jogo do Mónaco assumia particular relevância pois em caso de derrota a sua situação agravava-se correndo mesmo o risco de não poder aceder à Liga Europa. O prélio saldou-se por um empate mas onde os encarnados poderiam ter feito mais, mantendo-se numa situação difícil e com o jogo da Luz perante o mesmo adversário a perfilar-se com uma autêntica final. Ganhando continuava a alimentar algumas esperanças de se qualificar, empatando ou perdendo tinha, à partida, o destino traçado. Conseguiu a vitória tangencial a poucos minutos do fim ganhando desde logo ascendência sobre o adversário em caso de igualdade pontual e, ao mesmo tempo, via o Bayer Leverkusen vencer na Rússia e consequentemente o Zenit marcar passo. Acabou por ser uma jornada bem positiva.

Mais para o final deste mês, ocorre o jogo que poderá vir a ser decisivo. O Benfica desloca-se a S. Petersburgo com o Zenit a atravessar algumas dificuldades, tendo igualmente que contar com o general Inverno que como se sabe costuma ser rigoroso por aquelas paragens como aliás o Benfica bem sabe. Será certamente um jogo muito complicado, mas ainda falta algum tempo e até lá muita coisa pode acontecer. Mas no jogo de ontem ficaram bem patentes as carências do Benfica actual, ainda que a raça e a atitude postas em campo tenham ajudado a disfarçar as debilidades.

Seja como for, pelo futebol desenvolvido e por ter sabido sofrer nos momentos menos bons, a vitória do Benfica foi justa e não sofre contestação. Espera-se agora que com o regresso gradual dos lesionados a equipa adquira a velocidade de cruzeiro, porquanto neste momento é nítido e patente que não está a empolgar os seus adeptos. Desde quando é que um jogo da Liga dos Campeões e que se configurava como praticamente decisivo para as esperanças encarnadas de prosseguir na prova, trouxe à Luz menos de metade da lotação do Estádio? Algo de facto parece não estar bem!






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