Ponto Vermelho
Reflexões em tempo de interregno
10 de Novembro de 2014
Partilhar no Facebook

Na véspera de um novo hiato competitivo na I Liga, disputada que está a 10.ª jornada houve de novo novidades na frente da classificação com o Benfica a repor a vantagem sobre o 2.º classificado – o excelente V. Guimarães – mas a dilatá-la para 3 pontos sobre o FC Porto e, num outro cenário, para 8 sobre o Sporting. Antes dos nossos vizinhos, intrometeu-se o surpreendente Belenenses, a confirmação (esperada) bracarense, o Paços de Ferreira ressuscitado e, a ver vamos, se não também o Rio Ave.

Os adeptos em geral ansiavam pela última jornada que prometia surpresas, na medida em que à partida qualquer dos três grandes tinha ossos bem duros de roer ainda que o grau de dificuldade previsto pudesse variar, sendo o Sporting o que, aparentemente, tinha a tarefa mais apetecível. Os antecedentes para aí apontavam e, grosso modo, com mais ou menos nuances todos eles foram plenamente confirmados, até porque tinha havido poucos dias antes jornada europeia…

Uma das questões avançadas sobre o possível menor rendimento e do aumento das dificuldades internas tem sido a participação europeia que como se sabe decorre a meio da semana. Apesar das teses certamente fundadas que apontam para uma recuperação plena no espaço de 72h, a realidade é que na prática, quando ainda estamos no primeiro terço da época, no antes e no pós jogos europeus, as equipas têm revelado diferenças de rendimento nalguns casos acentuado, que aumenta as dificuldades de sair por cima dos desafios com os adversários internos.

No antes, dizem opinadores que os jogadores têm um menor índice de concentração originado por já estarem a pensar no jogo europeu que os faz ficar menos focados dado o seu sub-consciente já estar centrado nesse jogo. Logo, para além da desconcentração ter tendência a aumentar, a intensidade diminui o que eleva a margem de erro. Além de que jogar na Liga dos Campeões é o sonho de qualquer futebolista, sendo natural e compreensível que o jogador reaja de forma instintiva pondo menor fulgor nos lances por forma a poder apresentar-se melhor nesses jogos.

Já quanto ao depois, as teses apontam para uma certa descompressão que assenta no cansaço – físico e mental – em particular ao longo das segundas partes dos desafios, onde se notam défices físicos em alguns jogadores que chegam a ser mais do que evidentes e que os impede de poderem manter o seu ritmo normal de jogo. A esse facto não será estranha a dimensão e a categoria dos adversários europeus e a intensidade que é necessário colocar nos pratos da balança.

Seja como for, tenha isso muita, pouca ou nenhuma razão de ser, a verdade é que passou a ser comum as equipas europeias revelarem dificuldades. E como se isso não bastasse, a semearem pontos por vezes de forma inesperada. Quando o campeonato pára de novo e disputado que está um pouco menos do que um terço, poderá ser feito um balanço intercalar que não significa grande coisa tendo em conta que o grosso dos jogos está ainda por disputar e as diferenças pontuais não são de modo nenhum significativas. Todavia, afigura-se-nos errado pensar num nivelamento que continua a não existir.

Os três grandes têm primado pela irregularidade, perdendo alguns pontos que não estavam no programa. O FC Porto depois de um esforço assinalável no reforço do plantel para impedir a revalidação do título pelo Benfica, tem revelado altos e baixos na rotação empreendida pelo seu treinador que o tem levado a resultados nalguns casos insatisfatórios, excepto na Europa onde soube aproveitar a generosidade do sorteio e classificar-se para os oitavos de final da Champions. Está a escassos 3 pontos do campeão nacional e portanto tudo pode ser reversível a qualquer momento.

Até porque neste momento para além dos portistas terem reconhecidamente melhor plantel, o Benfica tarda em atingir patamares exibicionais condizentes com as suas aspirações, a que não é alheia a saída de vários titulares e, em simultâneo, as lesões prolongadas em jogadores nucleares que os substitutos ainda não conseguiram colmatar. Com a ambientação desses novos jogadores e a recuperação dos que podem emprestar uma maior segurança e competitividade à equipa, as condições só podem melhorar, mesmo com a sombra da janela de Janeiro a pairar como ameaça.

O Sporting depois dos constantes desvarios do seu presidente, acaba por estar pior classificado do que há um ano. Não há dúvida que como muitos vaticinavam, a entrada nas competições europeias tem feito estragos notando-se as insuficiências do plantel que não permite grande rotação a Marco Silva. E isso provoca enorme desgaste que se tem reflectido com maior acuidade nas competições internas, muito embora lhe deva ser creditado o feito de ter eliminado o FC Porto da Taça de Portugal em pleno Dragão. Um destaque óbvio e natural para o V. Guimarães e para o Belenenses e para recuperação pacense depois de uma época atribulada. Mas, sendo ainda tão cedo, todos os cenários estão em aberto e todas as esperanças estão vivas e recomendam-se!


Bookmark and Share