Ponto Vermelho
Sem espanto!
12 de Novembro de 2014
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A paragem prolongada do campeonato que mais uma vez irá suceder, vem mesmo a calhar para algumas equipas e poderá vir até a ser bastante benéfico. Isto partindo do pressuposto que os jogadores que dão corpo às várias Selecções para além do risco de lesões e do desgaste inevitável, não serão afectados por nenhum percalço o que, como sabemos, não é um dado seguro. Mas com um período dilatado esse pormenor tenderá a ser atenuado.

Sendo uma fase para recarregar baterias, redefinir estratégias e afinar sistemas, serve igualmente para recuperar ou acelerar o regresso de lesionados o que, no caso por exemplo do Benfica, não podendo resolver o caso dos inaptos de longa duração, sempre são duas semanas que ganham no calvário que atravessam. Nem sempre é assim mas esta paragem parece apresentar maiores vantagens do que inconvenientes, o que é sem dúvida positivo. Veremos pois como estarão os encarnados no próximo jogo da Taça de Portugal.

Mas de todos os clubes aquele que mais precisado estava de uma interrupção do campeonato era sem dúvida o Sporting, devido a um conjunto de razões com epicentro localizado no seu interior e em particular no seu instável Presidente. Como não poderia deixar de acontecer, a carreira da equipa esta época sofreria inevitáveis comparações com a anterior que tinha surpreendido pela positiva, uma situação que deveria ter sido mais esbatida. É que as comparações tão ao gosto de muitos a começar nos media nem sempre partem de premissas exactas, o que implica distorções seja qual for o vector dos resultados conseguidos.

A surpreendente época alcançada massajou o ego dos sportinguistas ávidos de algo relevante na sua equipa de futebol o que convenhamos, depois de tão grande seca, era absolutamente natural e compreensível. O passo seguinte era querer mais e essa vontade encontrou eco no seu jovem Presidente que precipitadamente se apressou a elevar a fasquia a níveis difíceis de atingir, muito embora o histórico do Sporting o obrigue, por sistema, a declarar-se candidato ao título. Mas uma coisa é esse estatuto, outra bem diferente as possibilidades reais de o conquistar na presente conjuntura, apesar de ser uma possibilidade a não afastar. Mesmo agora que a diferença está cifrada em 8 pontos para o líder, pois ainda falta disputar mais do triplo de jornadas.

Levando em linha de conta as dificuldades conhecidas e atendendo a que não se perspectivavam grandes saídas, foi publicitado que o Sporting apenas faria 3 ou 4 contratações cirúrgicas que serviriam para colmatar evidentes lacunas do plantel. Tal não aconteceu pois as aquisições quase quadricuplicaram, com a agravante da esmagadora maioria não serem propriamente alternativas reais pois salvo excepções não têm saído do lote de suplentes. E onde existia o principal défice – a zona central da defesa –, a situação ainda piorou com a partida de Marcos Rojo para Inglaterra.

Todavia, a manutenção de praticamente todos os principais jogadores começou por ser um factor estabilizador e contrabalançou, sendo que a vinda de Nani propiciou um momento de mobilização e de entusiasmo que tem dado origem a peregrinações a Alvalade. Com o factor Champions a ter que ser considerado, o Sporting tem primado por alguma irregularidade no plano interno sobretudo a nível da sua defesa que tem comprometido em determinados desafios. O fosso acaba por não ser maior porque FC Porto e Benfica também têm tido alguns colapsos e andam ainda à procura da velocidade de cruzeiro.

A despeito de alguns sinais de instabilidade interna, foi a derrota concludente em Guimarães que acabou por destapar a frágil paz que existia no plantel leonino, saturado das diatribes do seu Presidente que ataca em todas as frentes e não abdica do banco de suplentes onde tem protagonizado cenas dignas de adepto de bancada. Ao dizer o que disse mas sobretudo a forma que encontrou para o dizer, terá constituído a gota de água que fez transbordar o copo. Seguiram-se as inevitáveis reacções que por ora não deram origem a qualquer atitude presidencial que prudentemente optou pelo silêncio, uma atitude adequada às circunstâncias do momento delicado que o Sporting atravessa. Mas não será por muito tempo...

É pois tempo de ponderação e de reflexão interna a nível do presidente e de todo o grupo de trabalho. O clube precisa de estabilidade para enfrentar os enormes desafios que tem pela frente, e a estrutura do futebol necessita de resolver o ambiente de crispação motivado pela desabrida atitude presidencial. Nada que não possa ser resolvido com bom senso de parte a parte e esta interrupção poderá ser benéfica para sarar as feridas abertas. Mas caso tudo seja ultrapassado sem sequelas de maior, é fundamental que doravante o Presidente consiga controlar os seus ímpetos para que mais episódios deste tipo não voltem a suceder. O que, a avaliar pelo seu curto passado à frente do Sporting, deixa sérias dúvidas…




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