Ponto Vermelho
Os treinadores do FCP-II
13 de Novembro de 2014
Partilhar no Facebook

Por EagleView

Prosseguimos hoje com a publicação da 2.ª parte de um longo artigo publicado no blogue ("Em defesa do Benfica") trabalhado e desenvolvido pelo conhecido benfiquista Alberto Miguéis e que reputamos do maior interesse.

(...) «3. Proibido de frequentar as instalações do FC Porto. Pedroto saiu das Antas, ameaçando vingança, rumando a Setúbal onde, com alguns jornalistas começa a construir o mito. Em cinco temporadas classifica o Vitória FC sempre acima do 5.º lugar. É o êxtase entre alguns jornalistas e seus panegíricos dos jornais da época, ignorando que o clube sadino, treinado por Fernando Vaz, era um dos melhores emblemas do futebol português da época, com presença regular na Taça das Cidades com Feiras, duas Taças de Portugal conquistadas em três temporadas (1964/65, V 3-1 com o Benfica e 1966/67, V 3-2 com a equipa da Associação Académica de Coimbra) na final mais longa do futebol em Portugal: 143 minutos) e boas classificações nos campeonatos nacionais antes de Pedroto: 1968/69 (4.º), 1967/68 (5.º), 1966/67 (5.º), 1965/66 (5.º).

A pressão dos media - afastando o anterior seleccionador nacional, bicampeão europeu e "Magriço" em 1966, José Augusto - levou-o a seleccionador nacional, em simultâneo com o cargo de treinador em Setúbal, entre 3 de Abril de 1974 e 22 de Dezembro de 1976, já depois do Boavista FC e na primeira época de regresso ao FC Porto. Na selecção nacional foi uma desgraça, com seis derrotas e quatro empates (com quatro insucessos consecutivos) em 16 jogos, falhando-se os apuramentos o Campeonato da Europa de 1976 (derrota de... 0-5 com a Checoslováquia, por exemplo).

4. Valentim Loureiro pesca-o em Setúbal para o Boavista FC. Quando o major do exército português arranjou problemas na Guerra Colonial, na Guiné, por causa dos aprovisionamentos de bens alimentares (Major Batata como ficou conhecido) regressa à cidade do Porto para resgatar o Boavista FC que competia na III Divisão em 1967/68. Em 1968/69, na II Divisão, foi promovido à I Divisão. Em três anos do 3.º ao 1.º escalão. Depois de classificações a meio da tabela em 1974/75 contrata Pedroto e coloca pessoas na Associação de Futebol do Porto "passando a perna" ao colosso FCP de Américo de Sá. Até porque o FCP foi muito afectado pelo 25 de Abril de 1974 pois muitos dirigentes do FCP fugiram do país, incluindo Pinto de Magalhães que deu o "salto" para o Brasil.

5. 1974/75: o Benfica deixa-se "comer" por Pedroto (pela 1.ª vez) e Valentim Loureiro. Em 1974/75, o Boavista classifica-se em 4.º lugar apurando-se para a final da Taça de Portugal, pela 1.ª vez na sua história. Qual foi o "outro" finalista? O Benfica! Pedroto e Valentim Loureiro lançam o isco aos dirigentes do Benfica. E se a final não fosse em Oeiras, mas em Lisboa no estádio José Alvalade... do Sporting CP. Vamos a isso. Pela primeira vez na sua história o Benfica estava em desvantagem no número de adeptos. Para além dos mil boavisteiros os associados do SCP lotaram o estádio. O SLB ficou com os 33 por cento regulamentares. Será que os dirigentes do Benfica aprenderam para o que restava dos anos 70?! Nem pensar! Ah! O resultado? O Boavista FC de Pedroto venceu, por 2-1, o jogo e levou a Taça de Portugal para a cidade do Porto.

6. 1975/76: no café Orfeu, entre jogos de cartas, decide-se o futuro do FC Porto e do futebol em Portugal. Grandes amigos dos chitos ou xitos (sei lá como se escreve!) os principais dirigentes (mais Pedroto e Hernâni Gonçalves) do Boavista e FC Porto encontravam-se regularmente no Café Orfeu para umas "cartadas". Começa a lenda. Ao que consta Valentim Loureiro e PdC (entretanto chamado por Américo de Sá para Chefiar o departamento de futebol do FCP) jogam "tudo por tudo" à volta de Pedroto. Em 1975/76, já com a AF do Porto bem instalada no Conselho de Arbitragem da FPF, o Boavista FC classifica-se em 2.º lugar (o SLB foi campeão e o FCP foi 4.º classificado). E o Boavista FC chega à final da Taça de Portugal frente ao Vitória SC de Guimarães (que eliminara, por 2-1, em Guimarães, nos quartos-de-final o... FC Porto). Local escolhido pelo dois clubes?! O estádio do FC Porto. O Jamor já era! Resultado?! Boavista - 2; Guimarães - 1.

7. Pedroto, o renegado do FCP é salvo por PdC. Eis que chega o verão de 1976. Valentim Loureiro sabia que Pedroto estava proibido de ser funcionário do FCP. PdC sabia que tinha de ter Pedroto no clube para poder potenciar, no maior clube da cidade (a par do Benfica, estamos a falar de 1976), as "qualidades" de Pedroto. PdC convenceu Valentim Loureiro a ceder Pedroto ao FCP. Dizendo-lhe qualquer coisa do tipo: perdes um "grande" treinador mas com esse treinador no FCP ainda vais ficar a ganhar mais do que ganhas agora! PdC convence - num engano magistral - Américo de Sá a convocar uma assembleia geral de desagravo - 21 de Março - a Pedroto e este entra para funcionário do FCP.

8. Estão aqui, estão na "alheta". O presidente do FCP, Américo de Sá percebeu de imediato que o "bom nome do clube" iria ser afectado com a dupla "Pedroto + PdC" esperando a primeira oportunidade para os pôr na rua. Em 1976/77 o FCP classificou-se em 2.º lugar (atrás do campeão Benfica) mas conseguiu chegar à final da Taça de Portugal tendo como adversário o SC Braga. A "dupla" sabendo que estava a prazo (tinha de ganhar algo para o presidente não conseguir pô-los na rua, pois o FCP não era campeão nacional desde 1958/59 e não conquistava a Taça de Portugal desde 1967/68) acordou com alguns dirigentes do SC Braga que a final fosse realizada no estádio das Antas para garantir mais probabilidades de sucesso.» (…)


















Bookmark and Share