Ponto Vermelho
Novas tecnologias
14 de Novembro de 2014
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1. Com o mundo do futebol a movimentar cada vez mais milhões e a constituir-se como um dos maiores polos de negócio da actualidade, não espanta nada que à sua volta se movimentem milhares de agentes de todas as espécies e feitios à procura daquilo que bem se sabe – ganhar milhões (às vezes de forma fácil) e simultaneamente notoriedade, poder e influência para prosseguirem novas negociatas. No mundo da globalização este novo eldorado está disseminado em larga escala atingindo todos os continentes – dos mais ricos aos mais pobres – e, a menos que aconteça um cataclismo, parece ter vindo para ficar por um largo período. O exemplo é dado pelas mais altas instâncias do futebol.

2. Num cenário em que um simples resultado – vitória ou derrota – pode constituir um enormíssimo ganho ou um alarmante prejuízo, o mau estar começou quando algumas equipas poderosas em compita com outras da mesma igualha começaram a sofrer derrotas originadas por erros inexplicáveis de arbitragem. Não propriamente aquelas falhas que sempre aconteceram desde que existe futebol, mas através de uma parcialidade ostensiva em que até o mais ingénuo espectador se apercebe não haver justificação. Casos esquisitos começaram a abundar e todos nós temos presente na memória alguns deles como por exemplo um Chelsea-Barcelona onde ficaram por marcar 4 grandes penalidades flagrantes a favor do clube inglês.

3. Com estes episódios a serem cada vez mais recorrentes e a opinião pública a agitar-se, o poder do futebol começou a sentir-se incomodado face às evidências e algo tinha que ser feito. Começava a não poder ser refutada a ideia de que os erros eram demasiado ostensivos, embora só por mero acaso ou por um qualquer descuido houvesse hipótese de vir a ser provado o dolo. Observando o conservadorismo propositado que grassa na UEFA e na FIFA, seria desde logo muito difícil alterar radicalmente este estado de circunstâncias e, embora a situação em si não fosse irresolúvel, os índices de corrupção solidamente instalados faziam prever que por aí não havia hipótese.

4. Como forma de minorar esse estado de incomodidade cada vez mais latente, alguns paliativos foram introduzidos como por exemplo o aumento do número de árbitros, o que se tem revelado um desastre, ou o “olho de falcão” para a linha de baliza. Se é verdade que a tecnologia pode dar uma preciosa ajuda, o cerne do problema não está no erro do árbitro, mas na forma como ele o pode exercer cirurgicamente em alturas-chave dos desafios e invariavelmente em favor de certas e determinadas equipas a favor das quais concorrem interesses poderosos. As equipas de arbitragem sendo um dos elos mais fracos acabam por ser influenciadas e a deixar-se influenciar por tudo isso, e às vezes de forma instintiva o seu sub-consciente é permeável à pressão (sob as mais variadas formas) que sobre elas é exercida. Se não fosse assim, como é que as equipas mais influentes gozavam de muito maiores benefícios do que as outras?

5. Em Portugal, para além de todos o sabermos, ficou provado que à nossa escala esse esquema funciona desde há muito como tem sido inúmeras vezes reportado. Com estes sistemáticos atropelos à verdade desportiva – uma utopia nos tempos que correm.. –, seria preciso encontrar antídotos que tardam em chegar devido aos diversificados interesses há longa data instalados. O “Apito Dourado” ao emergir com tantas evidências fez abrandar (mas não resolveu), pelo que passaram a ser menos ostensivos os benefícios – directos e indirectos – aos clubes do Sistema encabeçados pelo FC Porto. Observe-se a algazarra que por aí anda neste momento…

6. Não sofremos do conservadorismo uefeiro (A FIFA curiosamente é mais progressista nessa matéria…) pelo que nada temos contra a introdução de algumas das novas tecnologias porque alguns pugnam. Desde que não se queira obter delas a solução milagrosa para todos os males do futebol. Na actual Liga tem havido erros crassos de arbitragem? Sem dúvida! Mas não certamente tantos como a panóplia de observadores, comentadores e seus derivados tentam exaustivamente provar, o que compreendendo-se não se aceita. Numa temporada do tudo ou nada e com um investimento sem precedentes, não ser líder isoladíssimo à 10.ª jornada está a causar engulhos e grandes incomodidades para os lados do Dragão, dado que Alvalade é um caso patológico que continua a funcionar objectivamente como um velho aliado dos portistas.

7. Em suma, alguns avanços podem ser feitos na área tecnológica como auxiliares das equipas de arbitragem, mas o verdadeiramente importante está por fazer: isolá-las da pressão dos dirigentes e dos outros agentes e concentrar esforços em melhorar as aptidões das equipas de arbitragem, dotando-as de todas as condições possíveis para que os erros sejam minimizados. Mas ainda mais importante, erradicar de vez a mentalidade subserviente de que têm dado mostras, e para isso é preciso que hajam dirigentes capazes de fazer frente aos poderes instalados, em particular a esses agentes obscuros e com poder chamados pomposamente de observadores. A actual cruzada bem localizada e interpretada por mensageiros de ocasião está a actuar em várias frentes para recuperar toda a influência que já teve. Daí que o banzé esteja a aumentar o nível dos decibéis querendo pôr tudo em causa. Os benfiquistas estão atentos…






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