Ponto Vermelho
Mais um passo em frente
15 de Novembro de 2014
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Nos tempos que correm temos essencialmente que ser pragmáticos no tocante à Selecção Nacional; vencer em primeiro lugar dispensando o modo e os pormenores artísticos como tão bem sintetizou Fernando Santos na antevisão da partida com a Arménia. Foi isso precisamente o que sucedeu com um opositor que ocupa o 52.º lugar do ranking FIFA, logo muito aquém do actual 9.º lugar em que Portugal se encontra neste momento.

Como já se esperava não foi tarefa fácil, provando-se que aparte as insuficiências e lacunas do Seleccionado luso, as tácticas ultradefensivas utilizadas por algumas equipas, dificultam e de que maneira a tarefa das Selecções tidas à partida como mais fortes. Apesar de se tratar de um jogo particular, veja-se o que também sucedeu ontem com a França perante a nossa bem conhecida Albânia que não esteve longe da surpresa em solo gaulês acabando por igualar uma partida em que os franceses eram claramente favoritos.

Tipificando um tema que deu falatório nalguma comunicação social, encerrado o capítulo Paulo Bento deixou de haver proscritos, pelo que qualquer jogador pode ser seleccionado e envergar a camisola das quinas. Apaziguado o ambiente neste particular, depois da Selecção ter começado mal passou a haver desde logo a necessidade de recuperar o tempo (e os pontos) perdidos. E de facto ao vencer no terreno da Dinamarca – um dos sérios candidatos ao apuramento, Portugal deu um passo em frente que requeria confirmação com o nosso adversário de ontem.

Chegou a vitória ainda que sem convencer, o que continuou a ser aproveitado por aqueles que a menos que a Selecção faça exibições extratosféricas, são sempre cépticos em relação à prestação da equipa, uma postura que em rigor não se compreende de todo. É um aspecto em que estamos à vontade até porque ontem, apesar de não ser infelizmente caso virgem, nenhum jogador benfiquista fazia parte da convocatória. Mas somos daqueles que continuam a entender que o futebol e os fait-divers que gravitam em seu redor não se esgotam em requentadas teorias clubísticas.

É consensual que a Selecção realizou uma exibição cinzenta. Volta ainda a não merecer discussão que a Portugal falta, entre outras coisas, um jogador que paute o jogo a meio-campo e um ponta-de-lança na verdadeira acepção da palavra que consiga transformar em golos as oportunidades que Portugal consegue criar ao longo dos desafios. Mas não existindo à vista neste momento jogadores com essas características, temos que nos governar com aquilo que temos e de nada serve estarmos constantemente a lamuriar contra os que, nessas posições tentam fazer o melhor que podem e sabem mas que ficam aquém das necessidades da equipa.

Ouvimos falar a todo o momento da necessidade de reforma compulsiva de algumas das actuais opções, e da renovação urgente de quadros tendo em conta que alguns poderão já andar de muletas quando o Europeu se realizar. Temos alguma dificuldade em perceber tal teoria. Portugal está nesta fase perante um caso concreto e urgente que é disputar e conseguir o apuramento. E, para isso, necessita de jogar com os melhores em cada momento e aqueles que oferecem garantias na óptica do Seleccionador, aparte de outros poderem achar que os eleitos estão velhos ou não são os mais adequados. Se porventura Fernando Santos acedesse e introduzisse profundas alterações no material humano seleccionável só porque sim, será que alguém poderia garantir o sucesso?

A dinâmica da própria actividade profissional dos jogadores irá conduzir à necessidade de aplicação da inevitável renovação. Porque ninguém por mais que estique a sua longevidade futebolística é eterno. Mas isso tem que ser feito gradualmente e em função das novas alternativas que possam ir surgindo. Como por exemplo Raphael Guerreiro que voltou a confirmar as suas potencialidades e revelar que sendo uma aposta de futuro já é uma realidade concreta do presente. Ontem teve uma exibição bem positiva porque caso contrário viriam logo os críticos do costume intoxicar a opinião pública sobre a razão de inclusão na equipa de um jogador pouco experiente a este nível e sem os centímetros exigíveis….

Independentemente de todas as lacunas e insuficiências da Selecção há aspectos que não ajudam em nada o seu desempenho. Há um evidente exagero no culto da Ronaldomania parecendo significar que todos os restantes 10 jogadores não estão ao serviço da Selecção mas apenas de um jogador. Parece existir uma quase obrigatoriedade em todos os movimentos de ataque de endossar o esférico a Ronaldo para que ele sozinho resolva, e isso cria dificuldades ao próprio jogador que acaba por sentir responsabilidades acrescidas. Até porque sabendo-se que a sua categoria indiscutível dá azo a que seja sempre marcado por 2 ou 3 adversários. A equipa deve funcionar enquanto tal para ultrapassar essa dependência psicológica porque, a não ser assim, quando ele não joga (ou não o deixam jogar) há riscos sérios como aconteceu com a Albânia…




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