Ponto Vermelho
Um particular circunscrito e o futuro
17 de Novembro de 2014
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Depois de uma vitória sofrida contra o autocarro de dois andares arménio, Portugal disputa amanhã mais um jogo (desta vez particular) em Old Trafford contra a Argentina que ostenta o título de vice-campeã mundial. Não sendo ainda tarde, até ao momento as almas penadas que costumam ter sempre alguma coisa de negativo para falar têm estado pouco loquazes, certamente à espera de assunto que lhes forneça a combustão necessária para virem a terreiro. Por ora há que gozar este período de acalmia e esperar que no Teatro dos Sonhos esteja uma equipa para satisfazer aqueles que acham que ela não existe.

Sendo um jogo enquadrado num esquema de preparação que visa essencialmente afinar tácticas e estratégias e ver outros jogadores em acção, a promoção do jogo (com cachets muito apelativos ou não estivessem em acção dois dos melhores jogadores do Mundo), tem assestado baterias no confronto Cristiano Ronaldo-Lionel Messi, como se não houvesse mais jogadores de categoria dispostos a provar que também eles têm alguma coisa a mostrar, num jogo em que a ausência de pressão dos pontos, permite outro tipo de abordagem individual e colectiva e quiçá uma melhor afirmação de certos e determinados jogadores.

Com efeito, parecem estar reunidas as condições para que possamos assistir a um jogo de futebol atractivo num país em que se joga na opinião de muitos, o futebol mais deslumbrante e competitivo do Mundo, onde muitos talentos que só o dinheiro pode atrair e comprar se encontram espalhados pelas principais equipas, sendo que alguns deles não deixarão de marcar presença amanhã. Mas é difícil escamotear que é para Ronaldo e Messi que convergirão as atenções, num momento em que parecem não restar dúvidas que o astro português está muito à frente na corrida para a conquista da 3.ª Bola de Ouro da sua carreira.

Nos três jogos já disputados por Portugal no consulado Fernando Santos parece evidente que se continua a procurar uma equipa. Existindo Ronaldo, paradoxalmente, a questão torna-se mais díficil, dado que para além do factor já constatado de não existirem jogadores de classe para suprir carências em determinadas posições, parece existir o apagamento instintivo de alguns devido à sombra de Ronaldo e por consequência a dependência cresce ao mesmo tempo que cria dificuldades ao colectivo. Não é evidentemente um exclusivo português pois outras selecções sofrem igualmente do mesmo handicap que em certas ocasiões funciona em sentido oposto graças ao talento individual.

Alguns opinadores mantêm-se cépticos relativamente à possibilidade de Portugal vir a ter uma equipa na verdadeira acepção da palavra. É um ponto de vista como qualquer outro que sofrerá evolução em função do percurso que agora voltou a reiniciar-se. Mais do que nos lamentarmos pela tão propagandeada dificuldade de recrutamento, é preciso que algumas componentes sejam consolidadas e a estabilidade seja um factor a ter em conta. Há questões que estão nas nossas mãos podermos resolver, mas outras existem como por exemplo a menor competitividade da nossa Liga, que nos tempos mais próximos será uma questão que permanecerá sem evolução significativa devido aos constrangimentos conhecidos. Mas ainda assim poderá melhorar.

É necessário que a Federação, a Liga, as Associações, os Clubes e sem esquecer a Tutela, consigam introduzir factores de progresso e de estabilidade, uma situação que como sabemos tem andado arredia na medida em que a vontade de alguns tem vindo a sobrepôr-se aos interesses de todos. Continuamos a defender que não é com 18 clubes na I Liga (já sem falar na II) que o nosso futebol progredirá e se tornará mais competitivo, como aliás se têm visto com algumas equipas que não reunem as condições mínimas necessárias para poderem disputar um campeonato tão extenso e complicado.

Salta à vista que não estando preparadas adoptam tácticas de sobrevivência recorrendo a todos os truques, expedientes e dependências para irem amealhando os seus pontinhos, o que conduz entre outras coisas, à redução do grau de competitividade dos jogos do campeonato português. Começa a haver matéria-prima mais do que suficiente nas Selecções jovens para não temermos o futuro. Mas para isso é preciso que todas aquelas entidades demonstrem vontade e dêem os passos certos para a criação de condições que permitam ultrapassar com êxito este marasmo que teima em não nos querer abandonar. E, muito importante, não esquecer a componente arbitragem que precisa de independência, de uma reestruturação acentuada e, sobretudo, de alterações profundas de mentalidade...






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