Ponto Vermelho
Os treinadores do FCP-IV
18 de Novembro de 2014
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Por EagleView

Publicamos mais um excerto da análise efectuada por Alberto Miguéis no blogue "Em Defesa do Benfica" em relação aos treinadores do FC Porto, sendo que terminado o capítulo referente a Pedroto, segue-se Artur Jorge.

B - ARTUR JORGE.
1. A mediocridade transformada em pessoa. Artur Jorge ganhou protagonismo nos media portugueses quando foi escolhido por José Maria Pedroto para seu adjunto na segunda temporada (1981/82) no Vitória SC Guimarães. E disse - como só Pedroto sabia dizer - que Artur Jorge seria um grande treinador no... FC Porto. Entretanto Pedroto regressou ao FC Porto, mas o seu adjunto no FCP foi António Morais. Artur Jorge lá foi tarimbar para outros clubes sempre com fracos resultados (despedido de "Os Belenenses" e meio-da-tabela com o Portimonense SC. Após o falecimento de Pedroto cumpria-se a promessa: Artur Jorge no FC Porto.

2. Portugal teve um "treinador-poeta". Com o FC Porto a rolar já em "módulo-directo" depois de dois anos de presidência de PdC, Artur Jorge encaixou que nem "uma luva" no Sistema. Pedroto podia ser vulgar como treinador, mas sabia o que devia ser feito para ter sucesso no futebol português, agora que começava a ser domesticado como "Futeluso"! Se Pedroto tinha "boa imprensa" porque soube ter "os amigos certos no tempo certo", Artur Jorge tinha "boa imprensa" porque os responsáveis pelos media têm nível cultural inadequado para as funções num país ocidental.

Artur Jorge era conceituado porque... escrevera um livro de "poesia" editado pelas edições de "O Jornal", em 1983, cujo nome "Vértice da água" é o melhor "verso" que o livro contém! E contém 96 "poemas" semelhantes aos dois que o EDB divulga "mais abaixo"! Um futebolista doutor deu um treinador poeta. Portugal é lindo! Ainda que fosse o único livro e que de "poesia a sério" tenha pouco! Mas era poeta. Portugal pode não ter muita coisa, mas tinha um treinador-poeta. Nunca vi tanto elogio e lambe-botismo como o que recebeu o "treinador-poeta". Um livro que foi um passaporte, tudo se justificando a um "treinador-poeta"!

3. Começam os "apoios-extra". Artur Jorge não teve dificuldade em "sacar" o bicampeonato nacional, ainda para mais sendo "poeta", o discípulo de Pedroto e por este referenciado como o "futuro grande treinador português"! Em 1984/85 contou com muito "apoio-extra": Azevedo Duarte (de Braga, pai de Augusto Duarte), Raul Ribeiro (Aveiro), Francisco Silva (Faro, depois irradiado pelo presidente dos árbitros Lourenço Pinto (actual presidente da AFP) numa cilada depois de ter ameaçado em "A Bola" que iria "contar tudo"...), Raul Nazaré (Setúbal), Rosa Santos (Beja) e Fernando Alberto (Porto), entre outros árbitros. Em 1985/86, além de Azevedo Duarte, Francisco Silva, Raul Nazaré, Fernando Alberto e Rosa Santos, entrou em cena um do "piorio" - Fortunato Azevedo, de Braga.

4. Com os ingleses banidos, abriu-se uma "janela de oportunidade". Em 1986/87 com Fernando Martins como presidente da Direcção do "Glorioso" "abriu-se uma janela de oportunidade" para o FCP conseguir um feito inédito: ser tricampeão, algo que falhara em 1940/41 e 1979/80. O campeonato discute-se "taco-a-taco" com o Benfica treinado por John Mortimore. Mas na 2.ª volta, PdC decide: a prioridade é a Taça dos Clubes Campeões, competição que estava mais debilitada desde que a UEFA proibira os clubes ingleses de participarem nas competições europeias, depois da tragédia de Heysel, na final da TCCE, em 1984/85, quando adeptos do Liverpool FC matam 38 adeptos da Juventus FC nas bancadas do estádio da capital belga. Numa final arbitrada pelo suíço Daina que inventa uma grande penalidade, aos 55 minutos, para Platini poder fazer o 1-0 com que os transalpinos derrotaram o campeão europeu. Os clubes ingleses, que dominavam o futebol europeu, são banidos permitindo uma maior dispersão de vencedores das competições da UEFA.

5. Trocar o tri pelo título de campeão europeu. Com o Benfica "ombro-a-ombro" com o FC Porto no campeonato nacional, Artur Jorge opta por utilizar os atletas em melhores condições físicas para os jogos da Taça dos Clubes Campeões Europeus nos jogos dos quartos-de-final até à final. Mesmo assim, para quem assistiu aos jogos ficaram sempre alguns "aspectos" por perceber, como a arbitragem do húngaro Lajos Nemeth em Brondby. Depois da 1.ª mão, nas Antas, com 1-0, o FCP aos 36 minutos estava a perder por 0-1 com a eliminatória empatada. A partir daí os dinamarqueses deixaram de poder atacar. Havia sempre interrupções.

E nas meias-finais, frente à “melhor equipa europeia” depois do Liverpool FC, o FK Dínamo de Kiev. Estes fizeram um bom resultado nas Antas (1-2), mas em Kiev surge um árbitro galês - Ronald Bridges que asfixiou o campeão soviético, com 1-2 a favor do FC Porto. Incrível. As explicações viriam mais tarde... Na década de 90 do século XX e depois no século XXI. Mas isso são "cenas dos próximos capítulos". E o FC Porto foi campeão Europeu! Isso é que interessa! Mas, não foi tricampeão nacional, com o Benfica a conseguir a última "dobradinha". Dois anos depois de PdC, em 1984, ser presidente o último bicampeonato nacional para o "Glorioso"! Cinco anos depois... a última dobradinha! O "Futeluso" crescia! Os "jornalistas" levavam no lombo! O FCP tornava-se um "perigo público!» (…)


















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