Ponto Vermelho
Sincronismos
21 de Janeiro de 2013
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Perfilando-se já no horizonte o SC Braga-Benfica, parece haver muita gente que se está a esquecer que hoje, já daqui a pouco, irá acontecer ainda um jogo em Moreira de Cónegos e esse sim é de facto o mais importante. Daí que não faça sentido neste momento estar a falar de um jogo que só ocorrerá no próximo fim de semana, pois isso é antes do mais pôr o carro à frente dos bois e uma tremenda falta de respeito pelo Moreirense que continua na luta para não descer e nos dois encontros disputados anteriormente com os encarnados criaram sempre dificuldades ao ponto de no último jogo para a Taça da Liga terem estado à beira de vencer. Esse facto reforça a teoria que este é que é realmente o jogo decisivo por ser o próximo, e dele depender a liderança do Benfica no campeonato. Sem mais nem menos pressão dado que ao Benfica compete demonstrar que é superior e vencer para se manter na corrida como até aqui.

Repostas as coisas no seu devido lugar, o último jogo disputado pelos bracarenses deu o pretexto a todos aqueles que estão ansiosos por falar do jogo seguinte até porque admitindo que as coisas correm de harmonia com o previsto e não vai haver surpresas, importa desde já situar o jogo num horizonte de esperança amplamente desejado por um triunvirato de famílias para além dos anfitriões: os portistas, os sportinguistas e os anti-benfiquistas convictos. Por esse motivo, importa quanto antes importar a discussão para a ribalta, com o duplo objectivo de distrair os benfiquistas do objectivo-Moreira de Cónegos e, por outro lado, colocá-los a discutir de harmonia com os seus próprios desejos e objectivos. Temos tempo e só após o jogo de logo à noite.

No entanto, não seremos nós que iremos negar o direito à indignação do presidente bracarense António Salvador. Compreendemos a sua necessidade de vez em quando fazer prova de vida e se recomenda. Mas, regressando a duas épocas atrás e perante o temporal que agora assolou todo o território continental causando sérios danos nas várias infratestruturas, ficámos desde logo apreensivos sobre a forte possibilidade de deixar de haver comunicações sobretudo móveis nas imediações do AXA até ao próximo sábado inclusive, o que não sendo inédito, pode ainda assim vir a causar algumas perturbações. Esperemos pois que não haja qualquer impacto negativo e que tudo decorra dentro da normalidade comunicativa.

Ainda que não nos sintamos tentados a entrar num discussão propositada, é um facto incontroverso que as coisas acontecem sem hora nem dia marcado, e ao deixá-la passar em claro perder-se-ia uma boa parte da oportunidade. Reforçando contudo que o que importa à estrutura encarnada é o jogo de hoje e não o do próximo sábado. No auge da indignação, disse o presidente bracarense que «Nunca uma vitória me indignou tanto». A despeito de ter sido uma vitória folgada e indiscutível não duvidamos por um momento que seja, sobretudo em vésperas de receber os encarnados. Sem ser necessário especular muito, deixamos ficar aqui a interrogação se o jogo não fosse com o Benfica, se António Salvador se mostraria tão indignado… Mas enfim é preciso perceber os sinais e as atitudes do indignado que assentando sobre factos alegadamente similares, mereceram da parte de Salvador atitudes diametralmente opostas.

Não discutimos simpatias clubísticas mesmo que sendo de pessoas que ocupam o posto mais alto da hierarquia nos seus clubes. Mas discutimos e verberamos as que, eventualmente, possam descurar os interesses do seu próprio clube para satisfazer conveniências alheias. E salvo melhor opinião, António Salvador demonstrou dupla personalidade em duas situações assaz semelhantes e relacionadas com a arbitragem num curto espaço de tempo – na 10ª jornada quando recebeu o FC Porto e o inevitável Carlos Xistra acabou por estar ligado à derrota bracarense, e agora na 15ª com Duarte Gomes em que terá, segundo as crónicas, perdoado um penalty aos setubalenses (ainda que sem qualquer influência no resultado final) e forçado na expulsão do defesa-central bracarense Vinícius já no lavar dos cestos da partida.

Há 5 jornadas atrás (não sabemos se influenciado pelo presidente visitante), Salvador optou pelo silêncio comprometedor e nem mesmo o facto do seu SC Braga ter sido descaradamente prejudicado lhe arrancou uma palavra; ao invés, passadas escassas jornadas e provavelmente devido a uma daquelas súbitas mudanças de espírito que como sabemos fazem parte do seu ADN, resolveu disparar em profusão na antecâmara de receber o Benfica. Como cada vez mais acreditamos menos em coincidências, somos levados a crer que esta acção foi propositada, tentando (à boa maneira do ’Querido Líder’) desde já criar o ambiente propício em toda a esfera envolvente, desde a arbitragem aos adeptos, para que a temperatura continue a subir até atingir o clímax no próximo sábado e propiciar aquele ambiente a pedir meças a outro estádio mais a sul. Veremos os próximos desenvolvimentos, mas para além de todos estes fait-divers que o presidente bracarense quis antecipar, há um jogo bem mais importante: com o Moreirense que esse sim, é que está no topo da actualidade. O resto teremos tempo…








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