Ponto Vermelho
Os treinadores do FCP-V
20 de Novembro de 2014
Partilhar no Facebook

Por EagleView

Com a publicação de mais uma parte do longo artigo de Alberto Miguéis no blogue "Em Defesa do Benfica" depois de abordado o período José Maria Pedroto, concluímos hoje o relativo a Artur Jorge que ficou conhecido pelo treinador-poeta. Estórias que ilustram bem como foi o futebol português nesse período. Seguir-se-á Tomislav Ivic

(...) «6. A Imprensa tuga rejubila: O treinador que "também é poeta" na cidade dos poetas, Paris. O verão de 1987 foi uma festa! Parafraseando o escritor Ernest Hemingway "Paris é uma festa"! E foi para Paris que caminhou o "treinador-poeta"! Grandes expectativas ver (e saborear) o sucesso de um "emigrante diferente porque intelectual" ao contrário das hordas de emigrantes portugueses dos anos 60 e primeira metade da década de 70. Na primeira época 1987/88 conseguiu um... 7.º lugar, isto quando se apostava num Matra Racing com grandes investimentos para ser campeão, pois o campeão europeu Artur Jorge não aceitava menos que o 1.º. Ficou em 7.º! As "responsabilidades" aumentaram para a segunda temporada. Se não o Matra Racing ficava arrumado perante os milhões investidos. Pouco depois do início da temporada foi despedido. Em Portugal gritou-se com palavras de ordem. Franceses chauvinistas. Inveja de Portugal ter um treinador intelectual com livros (é verdade falavam no plural) de poesia! Como Artur Jorge foi campeão europeu no FCP em França boicotaram-lhe o trabalho! O Matra Racing foi-se! Para sempre! Devem gostar de Artur Jorge. Este em 20 de Novembro de 1988 já estava junto do "Querido Líder". No FCP!

7. No aconchego andróide... é mais fácil. Em 1988/89 já não foi a tempo de corrigir os disparates de Quinito, com o FCP a classificar-se em 2.º lugar. Mas PdC tinha, ainda, muito para "dar" e, claro, queria "receber"! Em 1989/90 foi uma vergonha colossal. Foi um "ver se te avias ou havias". Um festival de árbitros, que ficaram na história. José Silvano (Vila Real), Francisco Silva (Faro), Mário Leal (Leiria), Rosa Santos (Beja), Donato Ramos (Viseu), Pinto Correia (Lisboa), José Pratas (Évora), Bento Marques (Évora), José Guímaro (Coimbra), Jorge Coroado (Lisboa, se bem que este era conforme acordava no dia do jogo) e José Mesquita (Porto). Tudo gente fina!

Em 1990/91 só um "Super-plantel" treinado por Eriksson, tendo o Benfica orçamentado para o futebol pelo menos o triplo do FC Porto - 3 milhões de contos versus 800 mil contos - permitiu conquistar o título, com os adeptos (e os media) descontentes: O Benfica gasta muito dinheiro para o futebol que joga!

8. O treinador-poeta de regresso a Paris. Eis que os franceses não aprendem. Artur Jorge volta a Paris para acabar com o "reinado" do Olímpico de Marselha do presidente Bernard Tapie. Com um orçamento colossal, colecciona insucessos atrás de insucessos. Em 1992/93 os marselheses conquistam o pentacampeonato francês e sagram-se campeões europeus, conquistando a Liga dos Campeões. E o PSG do "poeta" a "penar"! A época de 1993/94 ia pelo mesmo caminho quando "rebenta" o escândalo da jornada "comprada" na temporada anterior ao Valenciennes FC - para facilitar na jornada de 20 de Maio de 1993, na véspera da final da Liga dos Campeões de 1992/93. Em 22 de Abril de 1994, quase um ano depois, o Olímpico de Marselha é considerado culpado (devido ao comportamento do seu presidente) e relegado para a II Divisão. Artur Jorge e o PSG beneficiaram com o desgaste do processo de corrupção que desgastou a imagem e competitividade dos marselheses, conquistando o título.

9. Depois seguiu-se o Benfica e o despedimento. Nem vale a pena falar disto, pelo menos no âmbito destes textos relacionados com o FC Porto. Apenas uma nota. Um medíocre 3.º lugar (1994/95) e um despedimento anunciado logo no início da temporada seguinte (1995/96). Depois de destruir um plantel campeão nacional. Afinal duas notas em vez de uma!

10. Artur Jorge: O treinador-poeta com prosa de cordel. Muita parra, pouca uva! Um treinador intelectual que foi endeusado, mas que fora do clube com "apoios-extra" nunca passou da mediania. Bem... até passou. Mas para ser ainda pior, para ser medíocre! Muita sorte teve este em ser campeão europeu e conquistar três (2 + 1) títulos de campeão nacional. Mais um campeonato de França, na época em que decorreu o processo ao Olímpico de Marselha que desgastou este clube, levando à sua despromoção à Segunda Divisão apesar do segundo lugar no final da temporada.

11. Até final da carreira "mais do mesmo". Classificações degradantes, despedimentos, conflitos (nos clubes e selecções). Mas ainda hoje se diz: Foi o primeiro treinador português campeão europeu (único até 2004) e publicou "poesias"! Que bem!»


















Bookmark and Share