Ponto Vermelho
Os treinadores do FCP-VI
21 de Novembro de 2014
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Por EagleView

Tal como ontem referimos, vamos continuar a publicar as opiniões e ideias manifestadas por Alberto Miguéis no blogue "Em defesa do Benfica". Desta vez e na sequência será abordado o período do croata Tomislav Ivic.

«C - TOMISLAV IVIC
1. Evoluir no Leste. Num tempo em que havia um país chamado Jugoslávia, Tomislav Ivic cedo despontou no emblema mais carismático de Split numa das regiões da Jugoslávia, a Croácia pondo "em sentido" os dois clubes mais populares do país, ambos da capital Belgrado: FK Estrela Vermelha e FK Partizan. Bicampeão pelo NK Hajduk Split, rumou para a Europa Ocidental, deixando o socialismo e abraçando os valores do capitalismo, com passagens pelos clubes mais populares da Bélgica e Holanda, onde foi campeão: AFC Ajax (1976/77) e RSC Anderlecht (1980/81).

2. Os jornais portugueses exaltaram-se. Pinto da Costa contratava um estrangeiro! Em 1987/88, a chegada de Ivic foi vista como a "Quinta Maravilha". Um técnico campeão em três países estava em Portugal. Só que o último título datava de 1980/81, ou seja, havia passado sete épocas "em branco". Que interessa isso! Eis PdC a mandar recados. Estejam calados, 's’tá' bem! Cá estavam os "apoios-extra" para o FCP recuperar, ao Benfica o título de campeão nacional: Pinto Correia (Lisboa), Fortunato Azevedo (Braga), Miranda de Sousa (Coimbra), José Pratas (Évora), Francisco Silva ("ia contar tudo", Faro), Mário Leal (Leiria), José Silvano (Vila Real) e Jorge Coroado ("tinha dias", Lisboa). Uma época de "sonho" que até deu para conquistar uma Taça Intercontinental, em Tóquio, onde "um monte de neve" desviou para dentro da baliza uruguaia uma bola chutada para fora por Madjer, já no tempo de prolongamento. Alucinante. O futebol "rasca" sustentado num artificialismo que mais tarde se percebeu de onde provinha (doping), fez com que Ivic, apesar de vencedor da Supertaça Europeia, Taça Intercontinental, Taça de Portugal e Campeonato Nacional fosse "chutado" para o "habitual caixote do FCP": PSG.

3. Futebol simples mas muito previsível. Cedo entrou em declínio. O sucesso rapidamente se transformou em insucesso, pois o futebol que implantava nos clubes que o contratavam era facilmente estudado e anulado pelos técnicos de emblemas da mesma ordem de grandeza, na Turquia ou Jugoslávia. Considerado um técnico vulgar, por isso acessível foi treinar um modesto emblema debutante na Série A de Itália, o AS Avelino 1912. Arriscou-se a ser despromovido! Sem mercado regressou ao "seu" clube de Split, mas já um técnico em decadência foi, inesperadamente, recuperado pelo FC Porto depois deste sagrar-se campeão europeu e Artur Jorge abandonar Portugal para ir "versejar" para Paris.

4. Ter uma "sorte do caraças". Depois de duas épocas frustrantes, de mal (2.º lugar) a pior (5.º lugar) o treinador do "futebol básico, porque previsível" foi a Espanha, após Gil y Gil gastar "mundos e fundos" no "Patético" (2.º lugar). Nova chamada a França, para treinar o tricampeão Olímpico de Marselha de Bernard Tapie. De PdC para Gil y Gil e deste para Tapie. Estava bem entregue! Tão bem que o tetracampeonato conquistado em 1991/92 levanta muitas suspeitas depois do que se passou no pentacampeonato, depois retirado do palmarés, por corrupção de Tapie.

5. A pressão dos media resultou: o Benfica precisa é dos "durões" Ivic's não é dos "molengões" Eriksson's e Toni's. E não é que os dirigentes do Benfica cumpriram a "cartilha que lhe impingiram" em A Bola. Venha de lá, do "conhecido" Marselha, o Ivic do FCP! Os que "exigiam" Ivic´s logo começaram a fazer-lhe "a folha"! Com uma mentira, que se sabia ser mentira, mas como "era engraçada" era melhor contar a mentira que esclarecer ou dizer a verdade.

6. A rábula do campo encurtado. No final da temporada anterior 1991/92 jogara-se na Saudosa Catedral, em 6 de Maio de 1992, a final da Taça dos Vencedores das Taças. Por sugestão dos dois finalistas, SV Werder Bremen e AS Mónaco, que consideraram o relvado da Luz muito longo em largura, pediram para as linhas laterais recuarem (penso que dois ou três metros, estou a citar de memória, mas penso que não chegou a quatro metros). Assim foi. Terminado o jogo e a época, o campo ficou assim no "defeso". Quando a temporada seguinte se iniciou, já com Ivic, este foi questionado acerca das mudanças na dimensão "largura" ao que terá dito: Não alterem. Fica assim! Em breve, os que tanto o elogiavam começaram a dizer que "Ivic pedira para encurtar o campo!"

7. Afinal ter "boa imprensa" rima com andróide. O futebol previsível de Ivic estava condenado ao insucesso. Até porque os "apoios-extra" não existiam no "Glorioso" mas sim do outro lado onde estava um treinador "ainda mais vulgar" que Ivic, de seu nome: Carlos Alberto Silva. Mas que conquistou um bicampeonato a Eriksson (1991/92) e a Ivic (1992/93). Bem... a Ivic e Toni, pois Ivic foi de "patins" logo na 9.ª das 34 jornadas.

8. Segunda passagem de Ivic pelo FCP. Ivic regressou ao FC Porto porque Pinto da Costa queria provar que Ivic não triunfara no SLB, em 1992/93, porque "o Benfica era um Circo" expressão que Artur Jorge voltou a utilizar em 1994/95. Dirigiu a equipa de futebol durante seis meses, entre 15 de Julho de 1993 e 30 de Janeiro de 1994 Foi despedido do FCP depois de uma vitória, por 2-0, em Aveiro com o SC Beira-Mar, em 23/01; e vitória por, 2-0, em casa do SC Salgueiros, na I Divisão, em 30/01. Mas... na véspera de se deslocar ao estádio da Luz (6 de Fevereiro de 1994) com menos quatro pontos. Primeira jornada da segunda volta, com 3-3 na 1.ª jornada. O jogo dessa 18.ª jornada era decisivo para o FCP. E foi! Já com Bobby Robson, entretanto despedido do Sporting CP!

9. Após "segunda passagem pelo FCP": atroz ao quadrado! Se o seu futebol era previsível nos anos 80, na década de 90 e início do século XXI, incapaz de evoluir, tornou-se um treinador sem qualidade. Impressiona o modo como conquistou o que conquistou no FCP em 1987/88. Ou talvez não... Basta ver os "apoios-extra" que nunca mais voltou a ter.


















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