Ponto Vermelho
Pseudo-revolucionários, hipócritas e manobradores
22 de Novembro de 2014
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1. Por mais de uma vez opinámos sobre a nova liderança do nosso vizinho não deixando de lhe reconhecer méritos e virtudes em algumas situações da vida leonina, em particular o acordo de reestruturação com os bancos credores, a divulgação de propostas e sugestões para melhorar e fazer progredir o futebol e, fundamentalmente, o rompimento com o passado das últimas décadas de inteira subserviência ao FC Porto. De permeio, os progressos assinaláveis no silenciamento dos poderosos corredores de Alvalade através de uma maior filtragem e centralização das notícias oriundas do clube e da principal equipa de futebol. Um conjunto de medidas que prometiam – quer para o Sporting quer para o próprio futebol nacional –, tão carenciado que estava de testar novas ideias e soluções.

2. Conseguindo atingir alguns desses objectivos, o carácter eminentemente populista do presidente leonino granjeou-lhe, para além da criação de alguma euforia junto da massa adepta leonina sobretudo da mais radical, a aceitação de figuras gradas do universo verde e branco enquanto outras optaram por um wait and see. No plano informativo surgiu a referência permanente e obrigatória nos destaques dos órgãos de informação, fossem eles desportivos ou generalistas, ao mesmo tempo que criava alguma expectativa (prudente e desconfiada) nos vários clubes e agentes do futebol e em particular naqueles que em termos de dimensão e objectivos eram os seus principais adversários.

3. Quem tem acompanhado, mesmo à distância o futebol português das décadas pretéritas já identificou os principais males que o afectam. E mesmo aqueles cujo distanciamento é maior, também já têm uma ideia mais ou menos formada. Daí que, tendo em conta a conjuntura e os velhos hábitos enraízados, qualquer pessoa recentemente chegada ao futebol por via de um clube por mais importante que fosse ou por mais ideias brilhantes e lógicas que transportasse, não devesse alimentar a pretensão utópica de liderar sozinha uma revolução de estruturas e mentalidades que de facto se impunha e continua a impôr no nosso futebol.

4. Identificadas há muito as debilidades do sistema implantado, era o momento de ir à procura de um espaço de convergência o mais amplo possível com todos aqueles que ao longo dos últimos anos têm manifestado vontade de descobrir e enveredar por novos caminhos que tragam o progresso e o desenvolvimento ao futebol português. Urgia seguir por uma estrada em conjunto de forma independente ainda que convergente, sem alianças uma palavra que está agora muito em voga e está a causar engulho a todos aqueles que gostam de a manipular em função dos seus interesses.

5. Todavia Bruno de Carvalho, qual D. Quixote, optou por uma via individualista e belicista declarando guerra a tudo e a todos, convencido que bastava a certeza da sua verdade única, o apoio dos adeptos leoninos entusiasmados e de alguns escribas que navegam na comunicação social especuladora e sensacionalista que tão bem conhecemos. Cometeu um erro crasso e acabou por não contribuir para um objectivo que reune consenso entre os que entendem (e são mais do que se pensa) que o futebol português tem que se afastar dos expedientes do passado e avançar decididamente rumo ao futuro. E não se podia esperar mais pois esse era o momento.

6. Mário de Figueiredo foi um outsider que conseguiu agitar os caboucos pôdres das estruturas do futebol e por isso, ao tentar mexer numa das vacas sagradas - os direitos televisivos –, arrastou contra si toda uma legião de engajados. Não se estranha por isso que até hoje, a AdC não se tenha pronunciado sobre a questão primordial e que prometia mais quedas de impérios. O que revela que o poder obscuro ainda continua a ter muita influência contribuindo poderosamente para o fim de Figueiredo sem honra nem glória com a agravante de deixar uma Liga falida.

7. Este cenário catastrófico só poderia ser enfrentado com tomadas de posição urgentes e imediatas. Muito há a alterar, desde estatutos, reformulação dos quadros competitivos, reestruturação do sector da arbitragem, passando pela indispensável revolução de mentalidades, um problema sempre difícil de ultrapassar tendo em conta a estrutura humana que continua em funções. Mas para que se pudesse avançar rapidamente nessas matérias seria impensável adiar o esforço de todos na procura de convergências, incluindo o Sporting como clube importante e histórico que é.

8. O momento que vivemos não se compadece com guerras do alecrim e da manjerona muito úteis para alguns durante um larguíssimo período mas que na conjuntura actual deixam de fazer sentido face à ausência de alternativas à resolução da crise que seja quem for não pode fechar os olhos. Ninguém deve ficar de fora e eximir-se a dar o seu contributo pois é fundamental congregar esforços. É altura de Bruno Carvalho perceber que a via isolada que escolheu não conduz a lado nenhum e não ajuda o Sporting nem o futebol português pois é lá dentro que pode e deve manifestar todas as divergências e afirmar as suas propostas.

9. Face à situação de catástrofe que ainda não foi definitivamente afastada com a nova liderança da Liga, seria de igual modo importante que a própria comunicação social também contribuisse, de forma isenta e independente, mais que não fosse com as suas críticas e sugestões. Alguns jornalistas (os do costume), têm efectivamente seguido essa linha mas uma boa parte, infelizmente, prossegue na sua cruzada especulativa por motivos que facilmente se percebem. Há de facto um enorme interesse em manter a confusão como por exemplo aquele rapaz sobrinho de um dos maiores vultos do jornalismo desportivo que se entrega a constantes monólogos especulativos e sonolentos num canal televisivo…


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