Ponto Vermelho
Simples, preciso e conciso
23 de Novembro de 2014
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O último jogo com o Moreirense na Luz para o campeonato ainda bem presente na memória de todos os benfiquistas fazia prever dificuldades neste seu regresso à Catedral para a Taça de Portugal, uma prova a eliminar e que por isso é mais susceptível de causar surpresas. Os exemplos do passado envolvendo qualquer dos ditos grandes com clubes de escalões inferiores, gerava alerta porque um simples deslize elimina definitivamente qualquer hipótese de recuperação. É uma das razões porque a prova tem tanto prestígio dado que ao longo do seu historial tem trazido à ribalta diversos heróis tomba-gigantes.

No preâmbulo do jogo diziam os amantes de estatísticas e dos pormenores que o Benfica da era Jesus regressa sempre revitalizado após paragens prolongadas. Coincidência ou não, o que é certo é que os encarnados foram simples, precisos e concisos sem que isto queira significar que a equipa de Moreira de Cónegos não se tenha batido com galhardia. Simplesmente, na noite de ontem o Benfica entrou demolidor, construiu um resultado confortável ainda não estava transcorrida a primeira dezena de minutos e isso acabou por fazer toda a diferença para o resto do desafio.

Como se isso não bastasse, assistimos a golos com assinatura, sobretudo os de Jonas que cada vez mais se afirma como um jogador de enorme categoria, e o último de Sálvio que ontem à noite pareceu estar de regresso aos seus melhores dias de águia ao peito. No tocante ao primeiro há muito que o Benfica não dispunha de um jogador com aquelas características, aliando à sua versatilidade e inteligência uma mobilidade e uma capacidade de remate que torna o golo como um horizonte muito mais próximo. Pena que não possa alinhar nesta Fase de Grupos da Liga dos Campeões e em particular no jogo da próxima 4.ª feira em S. Petersburgo, situação que se agrava sobremaneira se porventura as dúvidas que neste momento recaem sobre Lima e Derley se concretizarem no pior cenário.

Já sucedeu por diversas vezes ao Benfica aquilo que vulgarmente se designa como entrar mal no jogo, significando isso que, em contraponto, o adversário entrou bem. Seguindo essa linha de raciocínio aconteceu ontem ao Moreirense mas, mesmo para os especialistas na matéria que são em primeiro lugar os técnicos, essa situação nem sempre é fácil de explicar nem de contrariar, dado que pode obedecer a uma multiplicidade de factores para os quais o antídoto nem sempre funciona. Se fosse assim tão simples nunca havia equipas a entrar mal nos jogos…

Quando acontece como ontem e aliado a isso sucedem os golos, até para os leigos é evidentíssimo que dá um imenso moral à equipa que o consegue fazer, ao invés da equipa que está do outro lado que sofre por isso um rude golpe nas suas aspirações. Agravado ainda quando se trata de uma equipa de menor dimensão competitiva a jogar no terreno do adversário. Viu-se ontem o Moreirense completamente à nora no melhor período do Benfica que coincidiu com a construção do score em que para além dos aspectos técnicos-tácticos, terá também crescido uma menor força anímica por estar a correr atrás de um resultado que começava a ser quase impossível de recuperar.

Apresentando algumas novidades de início, o Benfica ao tratar da vidinha bem cedo, permitiu que os jogadores menos utilizados mas a quem se reconhece potencial, estivessem mais à vontade sem a pressão do resultado. Se no caso de André Almeida no seu regresso à lateral-direita cumpriu a tarefa sem sobressaltos, já no lado defensivo contrário Benito que também regressou para a Taça de Portugal, foi mais assertivo na sua função do que na Covilhã, e para isso muito deve ter ajudado a boa exibição global da equipa.

Ainda dentro desse capítulo, na linha média na posição mais recuada, Cristante dentro das condicionantes que limitaram o jogo foi uma agradável surpresa mostrando-se mais seguro e desenvolto, registando menos falhas e sobressaindo nos passes (curtos e longos) onde confirmou as credenciais de que vinha rotulado. No ataque, palmas para Derley um verdadeiro moiro de trabalho que percorreu toda a frente de ataque e não hesitou até em dar uma ajuda à defesa sempre que necessário, provando que sabe compensar bem com apego, disponibilidade física e pressão sobre os adversários, a sua menor capacidade técnica. Merecia sem dúvida ter marcado.

Em suma, aparte as dúvidas sobre a recuperação de Derley, foi um jogo que o Benfica já merecia há muito, pois aliou à exibição, ao resultado e à passagem da eliminatória como objectivo primeiro, o descanso de alguns jogadores nucleares que bem precisos serão para o jogo decisivo com o Zenit. Ao mesmo tempo que concedeu mais uma etapa na afirmação de jogadores que poucas oportunidades têm tido. Somando todos estes factores bem importantes, poder-se-á dizer que foi um jogo bem conseguido. Como não há bela sem senão, duas notas negativas: 1) para um jogo de apuramento contra um adversário que nos tinha criado dificuldades e com bilhetes a preços convidativos ter apenas um terço da lotação preenchido é de facto muito pouco; 2) Regressaram em força os petardos com a novidade que desta vez aconteceram nos dois topos do estádio. Afinal o que querem provar os pirómanos? Que o Estádio da Luz consegue fazer-se interditar?




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