Ponto Vermelho
Desenlace óbvio
27 de Novembro de 2014
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1. Ninguém, de boa fé, poderá dizer que o resultado de ontem em S. Petersburgo foi uma surpresa completa. Não só pelo valor da equipa do Zenit e da trajectória anterior da equipa do Benfica, mas basicamente porque seria porventura o desfecho que estava na cabeça de muitos, aparte continuar a considerar-se que os encarnados tinham valor mais do que suficiente para ombrear com a equipa russa que já atravessou melhores dias. Uma coisa é a nossa paixão que nos leva por vezes a ignorar aquilo que parece óbvio, outra bem diferente é a fria realidade das circunstâncias.

2. Estava longe, contudo, de ser um desfecho inevitável para cumprir calendário. O sorteio foi de facto madrasto e sabia-se isso mal as bolinhas determinaram o acasalamento das equipas. Mas, apesar dos pessimistas encararem desde logo o objectivo final como uma meta muito difícil de atingir, as dificuldades que se adivinhavam deveriam ter servido de motivação extra para lutar pelo apuramento que conforme se têm estado a observar, estava longe, muito longe, de ser inatingível. Antes pelo contrário.

3. Infelizmente, de onde deveria ter chegado, em primeiro lugar, o grito de afirmação, de convicção e de esperança forte (de dentro da própria estrutura), o que assistimos, invariavelmente, foi a uma desvalorização implícita da prova, como se o prestígio que o Benfica dispõe na Europa e no Mundo tivesse sido construído exclusivamente em provas nacionais que, sendo muito importantes, não têm nem nunca tiveram grande expressão no mundo do futebol mais expressivo, fruto da nossa localização e menor importância de país periférico. Com tendência a agravar-se à medida que as assimetrias vão distanciando ainda mais o nosso futebol da Europa.

4. Se sempre entendemos o alcance e importância da vitória no campeonato e neste caso no bi-campeonato como ponto de partida crucial para a recuperação da hegemonia perdida para o FC Porto de Pinto da Costa, não temos conseguido vislumbrar as razões que determinaram nos últimos anos, a pouca importância e até mesmo o desinteresse com que o Benfica tem abordado a sua participação na mais importante prova europeia a nível de clubes. Não está, de forma nenhuma, em consonância com o seu historial e o seu passado na prova.

5. Temos ouvido e lido alguns que parecem justificar esse alheamento com o facto do Benfica (e regra geral todos os clubes portugueses) não ter possibilidades de singrar no cada vez mais exigente e selectivo xadrez europeu do futebol. Percebe-se o alcance mas não se aceita de todo a conclusão. Ninguém acredita que os encarnados queiram eliminar a possibilidade (real) de amealhar uns milhões que tanta falta fazem sempre à sua tesouraria. E se é verdade que a partir dos oitavos de final tudo depende da simpatia do sorteio e da sorte sempre tão necessária onde por vezes os jogos são decididos nos detalhes, os simples prémios de presença são tão atractivos e determinantes que justificam sem hesitação o esforço e concentração no objectivo de tentar ir sempre mais além.

6. O que temos visto é que o foco quase exclusivo está sempre nas provas internas e no campeonato em particular, uma obsessão que não se justifica porquanto até o mais alheado benfiquista sabe que a longa história encarnada implica sempre que um dos objectivos principais do clube seja a conquista do campeonato. Não foi certamente por acaso que na última temporada festejámos o 33.º. Assim sendo, consideramos injustificável o discurso de Jorge Jesus de desvalorização da participação do Benfica na Europa. Também não será por acaso que em 5 participações sob a sua direcção apenas uma vez ultrapassámos a Fase de Grupos da Champions o que vem abonar esta tese.

7. Nesta participação, mais uma vez ficámos pelo caminho e como um mal nunca vem só, de bi-finalistas da Liga Europa passámos, em Novembro, a ter que nos preocupar apenas e só com as provas internas, o que parece vir de encontro aos desejos pretensamente racionais de Jorge Jesus cujas fronteiras futebolísticas parecem estar limitadas aos meros 92,090 km2. Seja como for, o que é infelizmente bem real é que o Benfica saiu sem honra nem glória de mais uma passagem pela Europa, perdendo mais uma boa oportunidade de reforçar o seu prestígio, os seus cofres, e valorizar futebolistas. As implicações e os reflexos sobretudo a nível anímico ver-se-ão mais para a frente, bem como a movimentação de jogadores. Finalmente??!!, vamos passar a ter o foco concentrado no principal objectivo sempre repetido a cada afirmação. A partir de agora deixou de haver subterfúgios!






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