Ponto Vermelho
A cruzada…
29 de Novembro de 2014
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Começam a ser um facto corriqueiro as corridas do presidente leonino para os amplos corredores de Nyon e Zurique. Sem ironia, fazemos votos para que não sejam tão obscuros e surpreendentes como alguns que desde sempre têm existido no futebol português, a começar pelos do seu próprio clube pelo menos até à sua chegada ao trono de Alvalade. Uma novidade dos novos tempos, restando saber quais as consequências que trará, isso evidentemente se trouxer algumas para além do que já tinha, por diversas vezes, sido noticiado pelos poderes que mandam no futebol. Mas dialogar com os senhores Platini e Blatter que têm vindo a desfocar de forma gradual a sua imagem perante os olhos da opinião relacionada com o futebol, deve e tem que ser considerada uma relevância…

À boleia da cruzada que no caso específico Monsieur Platini tem vindo a empreender contra os Fundos de Investimento de Jogadores (FIJ), Bruno de Carvalho (BC) sentiu-se empolgado e legitimado para rasgar o contrato que o Sporting mantinha com a Doyen Investments relativamente ao internacional argentino Marcos Rojo. Pena não ter sido todavia original porquanto quando estávamos prestes a atingir o final do século passado, o ex-presidente benfiquista João Vale e Azevedo já tinha protagonizado uma cena que ficou para os anais do futebol português como pioneira.

Subjacente estava, bem entendido, a necessidade premente da venda do jogador para Inglaterra onde, como se sabe, existe legislação que impede qualquer 3ª parte de deter total ou parcialmente direitos económicos dos jogadores. Com todos esses factos em mente, por pressão do jogador, do seu empresário, do Manchester United e estando em causa o recebimento de uma excelente maquia tão necessária aos depauperados cofres leoninos, BC para conseguir vender o jogador teve que tomar uma decisão revolucionária apresentando o Sporting como detentor integral do passe do jogador quando em bom rigor 2/3 eram pertença da Doyen que tinha financiado a aquisição e colocado o jogador em Alvalade. Esta situação de ruptura unilateral prossegue nos tribunais aguardando-se a decisão de uma questão que tem tudo para ser complexa, mantendo-se o risco latente e colocando em perigo o Pavilhão e o clube…

Enquanto tal e a pretexto disso, BC corre insistentemente na esperança de que a UEFA e a FIFA acorram em seu auxílio proibindo os FIJ o que, mesmo deixando de fora o caso em litígio, seria sempre considerado como uma vitória para BC. Trata-se, todavia, de uma forma imatura e impensada de abordar esta temática quando todos sabemos incluindo BC, que os clubes dos países mais débeis financeiramente como Portugal têm vindo a ser ajudados pelos FIJ que têm propiciado a vinda de jogadores que de outra forma nunca por cá passariam. A começar, por exemplo, por Marcos Rojo... Sem armas para guerras convencionais com Benfica e FC Porto, BC está a adoptar uma táctica de guerrilha para tentar esbater a diferença e capacidade e ao mesmo tempo chegar ao patamar dos rivais. É uma opção…

Face aos dados disponíveis e como se depreende, é prematuro antecipar a decisão final a tomar pela UEFA nesta matéria. Mas mesmo sujeitos à imprevisibilidade que sempre acarretam problemáticas com esta, arriscamos que a decisão que vier a ser tomada não será muito distante daquela que vigora em Inglaterra, com os FIJ a não poderem deter directamente qualquer percentagem dos direitos económicos de jogadores. Para além de pugnar por medidas que vão de encontro à necessidade sempre reconhecida de uma maior transparência da actividade dos FIJ, incluindo naturalmente o saber quem são os seus detentores. Mas isso deverá obedecer a uma maior abrangência, na medida em que envolve transferências avultadas e existem leis cada vez mais severas para obstar ao perigo da lavagem e branqueamento de capitais…

Fora de todo esse âmbito abrangente e absolutamente imprescindível, escapa-nos como a UEFA poderá impedir um FIJ (desde que cumpra todos os requisitos legais que vierem a ser determinados), de financiar um jogador, tal como acontece, aliás, na própria Inglaterra. Qual a diferença objectiva para um banco ou entidade financeira que têm sido os grandes financiadores da actividade futebolística? Ou para certas empresas offshore ou outros agentes e empresários? Ou para oligarcas, milionários recentes, sheiks ou empresários com súbito enriquecimento, que não só compram jogadores como clubes? Noutro âmbito, alguém, por hipótese, colocou algum entrave aos Fundos que fizeram uma proposta de aquisição da emblemática e estratégica PT? Porque é que o futebol tem que ser diferente? Deixemo-mos de hipocrisias e argumentos falacciosos para tentar justificar outras guerras e outros interesses…








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