Ponto Vermelho
Moreirense - Benfica
21 de Janeiro de 2013
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Liga Zon Sagres - Época 2012/2013 - 15ª jornada (Última da 1ª volta)
Estádio Com. Joaquim de Almeida Freitas (Moreira de Cónegos)
21 de Janeiro de 2013 - 20h00


Árbitro Principal: João Capela - AF de Lisboa
Árbitros Auxiliares: Tiago Rocha e Soares e Paulo Soares

Benfica (Titulares): Artur Moraes, Maxi Pereira, Luisão, Jardel, Melgarejo, Matic, Enzo Peréz, Salvio, Gaitán (Ola John 67m), Cardozo (Rodrigo 64m) e Lima (André Almeida 86m)

Benfica (Suplentes): Paulo Lopes, Miguel Vítor, Ola John, André Almeida, André Gomes, Rodrigo e Kardec

Cartões Amarelos: -
Cartões Vermelhos: -

Resultado Final: 0-2. Salvio 48m e Lima 71m

Benfica na procura da liderança isolada em partida desde logo marcada pelas ausências de Bruno César, Nolito e ainda Pablo Aimar nos convocados de Jorge Jesus, para além do lesionado Garay. Do lado do Moreirense Jorge Casquilha tinha ainda maiores condicionantes e naturalmente menos soluções, isto porque para além das ausências de Paulinho e Augusto nas laterais da defensiva da equipa de Moreira de Cónegos, haviam ainda muitos remendos quer na convocatória quer no onze.

Com muito frio e chuva, os espectadores presentes viam desde logo o jogo começar com uma oportunidade soberana do Moreirense, com Ghilas a escapar-se pela direita e a rematar ao poste esquerdo da baliza de Artur. Respondia o Benfica de imediato, acercando-se da área adversária como lhe competia e permitindo a Lima um remate à figura de Ricardo depois de uma jogada de insistência.

O jogo começava a bom ritmo, e depois de Matic ter de ser assistido fruto de um choque com um adversário, decorrido que era o minuto 4 de novo Ghilas a escapar-se pela direita, valendo ao Benfica na circunstância Luisão que se antecipava a Pintassilgo e atirava pela linha lateral. Com o jogo cá e lá, aos 5’ Salvio recuperava uma bola no meio-campo adversário, combinava com Enzo e depois de entrar pela direita via a defesa do Moreirense ceder canto in extremis. Ainda que do mesmo não resultasse perigo, já do lançamento que se lhe seguiu novamente algum perigo com Gaitán quase a chegar a uma bola perdida na grande área.

Aos 7’ Salvio desequilibrava na direita e permitia que Cardozo tentasse alvejar a baliza de Moreira de Cónegos, valendo à turma da casa Júlio César colocar-se entre a bola e a baliza e ceder novo canto, e era com esta jogada que chegávamos aos dez minutos iniciais, que traziam uma partida bem disputada com algumas dificuldades para ambas as equipas saírem, fruto da pressão adversária, mas já com boas oportunidades para ambas as equipas.

Aos 13’ Salvio ganhava novo canto do qual João Capela assinalava uma falta atacante de Luisão, e aos 15’ a primeira grande oportunidade do Benfica; Matic desce pela esquerda, cruza, a bola quase sobra para Cardozo, e na insistência Gaitán coloca Lima na cara de Ricardo Andrade que leva no entanto a melhor e evita o golo ao brasileiro.

Tentava novamente o Benfica aos 17’, desta vez a conseguir sair de uma zona de pressão e a ver Lima entrar na área pela esquerda com algum perigo, faltando-lhe apenas que o último passe chegasse a um colega, e também aos 20’, quando Jardel levanta para a área, Salvio amortece e Cardozo obriga Ricardo Andrade a nova defesa apertada.

O Benfica parecia finalmente conseguir suster o ataque do Moreirense, e conseguia algum ascendente e apenas pecava pela lentidão, permitindo a reorganização da equipa da casa que defendia com muitos jogadores atrás da linha da bola. Já depois de um fora-de-jogo mal tirado a Cardozo aos 21’ e de uma falta não assinalada em que os benfiquistas reclamaram, o Moreirense conquistava um canto na direita do qual viria a resultar algum aparato, depois de uma jogada bem ensaiada em que valeu ao Benfica a floresta de pernas.

O Moreirense ia conseguindo que a sua pressão resultasse de quando em vez, e aos 24’ era Júlio César quem tentava numa jogada de insistência alvejar a baliza de Artur, pecando apenas na finalização dado que o seu remate saía muito por cima. O Benfica evidenciava dificuldades em encontrar os caminhos para a baliza de Ricardo, mas aos 27’ teria boa oportunidade de tentar de bola parada, depois de Maxi Pereira roubar uma bola a Pintassilgo e acabar derrubado, lance que valeu aliás o primeiro amarelo da partida. Cardozo contudo, pouco inspirado esta noite, atirava forte e ao lado do poste esquerdo da baliza de Ricardo Andrade.

O possante Ghilas ia ganhando alguns duelos a meio-campo e permitia com isso que a sua equipa saísse com espaço e com algum perigo, mas o sinal mais pertencia ao Benfica que aos 32’ via Salvio cruzar da direita e Luisão cabecear ao segundo poste de cima para baixo mas um tudo ou nada ao lado, naquela que constituia nova boa oportunidade da equipa de Jorge Jesus.

Aos 34’ Artur saía a pontapé na sequência de uma bola colocada nas costas da defesa encarnada, e aos 35’ novo remate de Pintassilgo, novamente de muito longe e muito torto. Os laterais encarnados tentavam desequilibrar e dar nova projecção ao ataque encarnado, e aos 36’ era Melgarejo quem ganhava novo canto, mais uma vez sem perigo de maior. Na insistência do pontapé de canto, de novo o paraguaio a ser derrubado e a permitir ao Benfica beneficiar de nova falta perigosa, que no entanto a defesa do Moreirense resolveria novamente.

Prosseguiam as dificuldades de penetração do Benfica e a lentidão resultava que o Moreirense, solidário e compacto, conseguisse tapar todos os caminhos para a sua baliza, e aos 41’ Cardozo definia mais uma vez mal uma jogada em que o Benfica finalmente tinha espaço para fazer mais, o que levava os adeptos e também Jorge Jesus ao desespero.

Nova contrariedade na equipa de Jorge Casquilha, Diego Gaúcho lesionava-se e o Moreirense jogava temporariamente com 10, mas ainda que em temporária inferioridade numérica aos 45’ João Capela não sancionava uma falta a beneficiar os encarnados e com isso Vinicius aproveitava para rematar, ainda que fraco. Mais Benfica logo de seguida e com nova boa oportunidade; aos 45’ é Nicolas Gaitán que de um slalom da esquerda para o meio tenta o cruzamento quando talvez se justificasse o remate. Agradecia a defesa do Moreirense que resolvia.

Ricardo Fernandes entrava finalmente para o lugar de Diego Gaúcho, mas João Capela apitava logo de seguida para o intervalo, que registava um nulo, premiando a organização da equipa do Moreirense e punindo a lentidão da equipa de Jorge Jesus.

Esperava-se pois um Benfica mais rápido na 2.ª parte, e embora sem alterações foi o que se verificou. Logo aos 45’ Gaitán combina com Lima e é o argentino quem aparece na cara de Ricardo mas deixa o guarda-redes adversário levar novamente a melhor no duelo. Do canto e na insistência, Júlio César escapava-se ao amarelo depois de um derrube a Matic. O Benfica intensificava a pressão e do livre marcado, nova oportunidade soberana; Gaitán centra, Cardozo ganha nas alturas mas vê Ricardo defender, e depois o golo de Matic acaba por ser anulado por fora-de-jogo do sérvio.

Confirmava-se que o Benfica entrava a todo o gás e, fruto da pressão que exercia a todo o terreno, viria a chegar mesmo ao golo decorrido que era o minuto 48; Lima recupera uma bola no meio-campo do adversário, Salvio isola-se pela direita e depois de entrar na grande área e ante Ricardo, atira cruzado e fora do alcance do guarda-redes adversário para o 1-0. O Benfica conseguia chegar ao ambicionado golo e esperava agora que o Moreirense subisse e lhe concedesse mais espaço.

De certo modo assim seria, minutos volvidos e aproveitando de novo alguma lentidão do Benfica na troca de bola que levava Jorge Jesus ao desespero, a equipa nortenha era capaz de subir no terreno mas controlar mais do que seria aconselhável. Era contudo noite de Salvio, e aos 52 o argentino voltaria a estar muito bem na direita; depois de ultrapassar novamente o seu adversário directo, colocou em Cardozo que por sua vez desmarcou Gaitán, e o cruzamento chega a Salvio que fica pertíssimo do 2-0, só não surgindo porque um defesa do Moreirense lhe tira o golo em cima da linha de baliza.

João Capela sancionava uma falta inexistente de Melgarejo sobre Ricardo Pessoa logo de seguida, e paulatinamente o Benfica ia conseguindo refrear o ímpeto do adversário, ganhando o duelo a meio-campo, previlegiando a posse de bola e atacando pela certa. Aos 57’ surgia pois a segunda substituição na equipa do Moreirense; Jorge Chula saía e entrava Rafael Lopes.

Aos 59’ Luisão cometia falta sobre o possante e irrequieto Ghilas do qual surgiria uma bola bombeada para a área encarnada sem periogo de maior, e aos 61’ de novo Cardozo a definir mal um ataque perigoso do Benfica, o que porventura apressava a sua troca por Rodrigo. Aos 63’ o Benfica reclamava grande penalidade mas João Capela assim não entendia, depois de um ressalto de bola que leva o esférico a embater na mão do defesa da equipa da casa, e aos 65’ Jardel cedia canto depois de uma investida com algum perigo pela direita, depois de alguma cerimónia de Melgarejo; na sequência do mesmo, a defesa encarnada resolvia sem grande dificuldade, irrepreensível que esteve no jogo aéreo.

Rodrigo entrava para o lugar de Cardozo e Ola John para o de Gaitán, e seguia-se uma fase de muita luta na qual o Moreirense acabava por ganhar sempre as segundas bolas, demonstrando que o desfecho se mantinha em aberto. Depois de novo canto aos 68’ marcado do lado esquerdo e resolvido por Artur, aos 71’ chegaria mesmo a machadada final nas aspirações do Moreirense; Ola John descobre Lima e o brasileiro à saída de Ricardo pica por cima do guarda-redes colocando um ponto final na partida.

Com o Moreirense resignado o Benfica aproveitava então para trocar a bola, mas Ghilas não parecia muito convencido e ia remando contra a maré; logo de seguida escapava-se nas costas de Luisão e levava algum perigo à área encarnada, valendo na altura Jardel a resolver muito bem o lance. Aos 75’ Rodrigo num contra-ataque gizado pela direita depois de flectir para o meio atirava ao lado da baliza adversária, e na resposta o Moreirense ia tentando chegar ao golo que lhe permitisse sonhar, embora sem grande perigo.

Aos 78’ Salvio, o melhor em campo esta noite, combinava com Maxi mas o Benfica fazia marcha-atrás porque o objectivo era já nesta altura manter a posse de bola, e aos 80’ o mesmo Maxi leva o seu cruzamento a atravessar a área do Moreirense sem que ninguém chegasse para a emenda. Numa jogada de insistência aos 82’ Salvio rematava para nova defesa de Ricardo, e na resposta era Pintassilgo que aos 84’ tentava o remate mas levava a bola a sair novamente muito por cima.

Jorge Jesus optava por manter Matic (em risco de castigo para o Axa) em campo nos últimos 5 minutos, tirando Lima para dar o lugar a André Almeida que doravante passaria a jogar na posição 6, e nos 3 minutos de compensação o jogo desenvolver-se-ia junto da área do Moreirense. Apesar de jogar com o relógio, ainda antes do apito final (90+3’) Matic ficaria muito perto do 0-3, pecando contudo por alguma cerimónia e depois perdendo o duelo com Ricardo.

João Capela não autorizaria o pontapé de canto respectivo e apitaria para o final, e com a vitória o Benfica igualava a marca de 2011/12 com 39 pontos.

Já na flash interview Salvio referia o jogo muito complicado disputado num relvado muito duro e que a equipa estava muito contente pela vitória. Questionado sobre o que Jorge Jesus pedira aos jogadores ao intervalo, o argentino disse que o técnico apenas lhes disse para fazerem o seu jogo, que estão confiantes e fortes, e que também por isso se conseguiu uma vitória importantíssima. Em termos individuais, Salvio diria também que se sente muito bem mas principalmente pelo trajecto da equipa, e quanto ao FC Porto garantiu que a equipa encarnada apenas pensa em si e partida a partida.

Já Jorge Jesus recordaria que tinham jogado ali e haviam sentido dificuldades para a Taça da Liga e Taça de Portugal, e que se tratou de um jogo difícil num relvado dificil e pesado, até porque os seus jogadores vinham de um jogo na 4.ª feira. O técnico encarnado diria também que todos sabem que não se vencem jogos nas primeiras partes, e como tal a equipa não entra em ansiedade e soube esperar pelo momento certo, referindo-se ainda à altura em que entraram fortes na 2.ª parte e acabaram por marcar cedo. Quanto à não substituição de Matic, Jorge Jesus disse que tem confiança em todos, que poderia ter tirado o sérvio no 2-0 e acabou por não o fazer, isto porque se levasse amarelo jogava outro no seu lugar. Já a respeito do balanço da 1.ª volta defendeu não ser a melhor, «ideal era ter ganho os jogos todos», mas que é quase. Última palavra a respeito de uma eventual pressão sobre o FC Porto, o técnico benfiquista optou por relativizar dizendo que os jogadores de Benfica e FC Porto são jogadores sujeitos a pressão diária.

Comentário Final: Por experiência dos jogos disputados com o mesmo adversário naquele mesmo estádio, adivinhavam-se dificuldades agravadas pelo eventual estado pesado do relvado. Com um Moreirense a debater-se com dificuldades de vária ordem, Jorge Casquilha ainda assim escalou uma equipa competitiva, que não deu espaços e dificultou ao máximo a tarefa do Benfica na 1ª parte, pertencendo-lhe logo na madrugada do jogo a 1ª e única oportunidade que teve em todo o desafio. Os encarnados mantiveram pendor ofensivo, e o Moreirense tapou bem os caminhos para a sua baliza e tentava lançar alguns contra-ataques sobretudo pelo seu lado direito onde Melgarejo demorou a acertar a marcação a Jorge Chula e a Ghilas. Logo, apesar de algumas chances para marcar ainda que não muito pronunciadas, o resultado ao intervalo premiava a boa organização defensiva do Moreirense e o pouco esclarecimento do Benfica no ataque.

No recomeço e ainda que se mantivesse a mesma toada, um erro defensivo deu origem a que Salvio tivesse aberto o activo. No período subsequente assistiu-se a tentativa de reacção do Moreirense ainda que sem criar perigo, mas sabe-se que num erro defensivo ou num lance de bola parada poderia sempre surgir o empate. Tal não aconteceu dado que Lima veio a ampliar o resultado com um excelente golo pouco tempo depois, e isso acabou por matar as eventuais veleidades da equipa de Moreira de Cónegos.

Até final o Benfica previlegiou a posse de bola com o Moreirense incapaz de reagir e convencido que nada haveria a fazer.

Exibição na linha das que o Benfica tem vindo a protagonizar ainda que na 1ª parte face à réplica do Moreirense as coisas não tenham saído a preceito. A defesa esteve à altura com Melgarejo depois da tremideira inicial a subir gradualmente de rendimento, Matic e Enzo Pérez foram pêndulos no meio-campo e no ataque Salvio e Lima estiveram uns furos acima.

Arbitragem sem motivo para reparos (foras de jogo arrancados a preceito o que nem sempre acontece), muito embora nos tenha parecido ter perdoado um penalty aos da casa por mão de Vinicíus aos 63m. De resto a correcção imperou e desta vez o árbitro não foi protagonista.

















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