Ponto Vermelho
Regresso tranquilo
1 de Dezembro de 2014
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O regresso à realidade interna das principais equipas portuguesas depois de mais uma jornada europeia onde obtiveram resultados antagónicos, não encerrava à partida especial grau de dificuldades para qualquer delas, tendo em conta a fragilidade que tem vindo a ser revelada pelos opositores (V. Setúbal e Académica), e noutra perspectiva o esperado desgaste provocado por uma viagem à Rússia já com o adeus à Europa consumado (no caso do Rio Ave). Ademais, neste último caso, a deslocação ainda que desta vez curta a casa dos portistas, fazia prever um maior índice de dificuldades.

Mas, em boa verdade, existiam expectativas em relação ao Benfica na sua viagem à cidade dos Doutores para enfrentar uma Académica esta época pouco convincente, e que até à jornada de ontem não tinha ainda ganho em casa como também não tinha perdido. A principal dúvida era como iriam reagir os encarnados após a ressaca europeia onde tinham hipotecado de vez a sua permanência na Europa esta temporada, com a particularidade de ter acontecido num jogo onde podiam ter vencido mas acabaram derrotados saindo em simultâneo das duas provas.

Num desafio em que a nota artística acabou por estar ausente (se exceptuarmos o passe e a jogada do primeiro golo), entrou bem o Benfica através do desenvolvimento do seu habitual padrão de jogo e não demorou muito tempo a abrir o activo com um golo de excelente recorte técnico desde o lançamento de Enzo Pérez até à recepção e execução de Nico Gaitán. Tendo em conta experiências anteriores como por exemplo Braga e o início da 2.ª parte em S. Petersburgo, muitos adeptos benfiquistas não se entusiasmaram por aí além com base em anteriores acontecimentos que acabaram por redundar em desaires do Benfica.

Até porque houve semelhança em alguns dos aspectos, nomeadamente a construção de n oportunidades mais ou menos flagrantes de golo que, por manifesto azar ou flagrante inépcia acabaram por ser todas desaproveitadas de maneira inglória. Está bom de ver que esse desperdício concede naturalmente vantagem psicológica aos adversários que com um resultado tangencial têm sempre no horizonte a possibilidade de chegar à igualdade e até fazer a remontada como aconteceu na Pedreira.

O que é certo é que o Benfica foi desperdiçando golos e adiando a possibilidade de se distanciar no marcador ao longo de toda a primeira parte e matar qualquer reacção coimbrã, acabando por no derradeiro minuto escrever direito por linhas tortas. Não tivessem também acontecido erros significativos de arbitragem em Alvalade e no Dragão e enorme e ruidosa seria a algazarra dos recorrentes palradores que não perdem qualquer oportunidade para usarem a cassete sempre com a mesma letra e música ou, numa opção mais pessoalista, o facebook…

Aparte a posição um pouco adiantada de Luisão no momento em que Enzo Pérez marca o livre, o lance fez-nos lembrar a célebre saída extemporânea de Ricardo na Luz e que tanta polémica então originou ao ponto do tradicionalista leonino Eduardo Barroso ainda hoje continuar, de forma nostálgica, a evocar esse lance sempre que lhe é propiciada a oportunidade. Dilatar a vantagem mesmo em cima do intervalo foi sem dúvida um tónico precioso para o Benfica, ao mesmo tempo que funcionou como factor desmotivador para os estudantes que até aí e mesmo depois, nunca conseguiram colocar a baliza encarnada em perigo.

Todavia, mesmo com dois golos de vantagem e sem que a Académica se mostrasse ameaçadora, continuam a existir benfiquistas receosos e que partem do pressuposto algo lógico que a equipa encarnada não está formatada para defender ou até mesmo para gerir resultados. E para essa argumentação socorrem-se de vários exemplos anteriores em que aconteceu ou esteve prestes a acontecer surpresa, de que é exemplo sempre lembrado o jogo com o Lyon em pleno Estádio da Luz.

Embora não tenha sido o caso de ontem em que o Benfica muito longe de produzir uma exibição convincente controlou na perfeição as operações em toda a partida, a realidade é que há sempre o risco de num qualquer lance fortuito o adversário conseguir marcar e com isso galvanizar-se ao ponto de fazer perigar a vantagem encarnada. Está a suceder mais vezes do que seria desejável que o Benfica nos períodos de maior fulgor constrói e desperdiça oportunidades flagrantes que, a serem transformadas, dariam a tranquilidade – para a equipa e para os adeptos –, ao mesmo tempo que liquidariam as hipóteses de reacção dos adversários. É um aspecto a rever pois a equipa consegue o mais díficil – criar boas chances de golo –, mas que por esta ou por aquela razão raramente consegue aproveitar. E então quando elas rareiam a situação torna-se deveras perigosa…

PS - Com a introdução do spray o futebol português aderiu à modernidade. Um bom princípio...




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