Ponto Vermelho
Quando resolveremos o problema?
3 de Dezembro de 2014
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Não tendo sido atacado com as medidas que se impunham o grave problema da violência no desporto e no futebol, é normal que ciclicamente retornem os episódios que envergonham o Mundo e, mais grave do que isso, o laissez-faire de quem deveria olhar o problema de frente para reduzir à mais ínfima expressão todas as manifestações que desemboquem em atitudes gratuitas de heróis que só o são quando misturados com a multidão anónima para conseguirem expressar as suas frustrações congénitas.

Já por diversas vezes abordámos este assunto neste espaço. Contudo, não vemos que tenha acontecido algo de concreto porquanto, de forma recorrente, vão sucedendo novos casos que deixam naturalmente preocupados os adeptos que apenas reclamam o direito de poder assistir tranquilamente a partidas nas mais diversas modalidades nos pavilhões ou nos estádios, sem terem que correr riscos de serem atingidos pela violência de outros adeptos ou por alguma carga policial desproporcionada e, no limite, verem perigar a própria vida. É preciso notar que nos espectadores estão incluídas também famílias e nesse contexto mulheres e crianças.

A coincidência de neste último fim de semana os desacatos terem acontecido em simultâneo em Madrid e em Coimbra e no primeiro local ter sido assassinado mais um adepto, fez ecoar mais um grito de alerta. Que sucede sempre que existem factos mais graves onde são decididas medidas de cosmética e prometidas outras de longo alcance. Todavia, com o passar do tempo e com a actualidade e a memória dos homens a esvair-se lenta e inexoravelmente, tudo volta quase ao princípio na esperança que a coisa melhore. Como já foi provado até à exaustão não melhora e, pelo contrário, pode vir a eclodir a qualquer momento com maior impacto e gravidade.

Não podemos fazer por ignorar que a grave crise económica que atravessamos que exponencia outra de acentuada degradação moral, acentua e dá origem a que, cada vez mais, o direito à indignação seja exprimido. Não só por aqueles que exercem de forma lógica e sincera essa prerrogativa mas, infelizmente, por muitos outros que à boleia aproveitam essa oportunidade para exprimir e descarregar o mar de frustrações em que navegam. É aqui que deveria haver intervenção da parte das autoridades no seu conjunto para, por um lado separar o trigo do joio e, por outro, punir os prevaricadores.

Pelo menos aos olhos da imagem pública continuamos nos tacos de partida. Há algum tempo atrás e perante uma sucessão de distúrbios no futebol foi afirmado e não desmentido que a legislação portuguesa em vigor era adequada às circunstâncias e que grande parte dos causadores dos problemas há muito estavam identificados pelas forças policiais. Não duvidamos que tal seja realidade. Mas então, porque razão continuam recorrentemente a acontecer factos e focos de violência sem que alguém tome medidas que minimizem esses acontecimentos lamentáveis que acabam por manchar a sociedade e colocar até em perigo outras pessoas que nada têm a ver com o assunto, sendo o seu único mal estarem na hora e no local errado?

Não é a primeira vez que condenamos o despautério que constitui o rebentamento de petardos nos espectáculos desportivos e nomeadamente nos estádios de futebol. Temos ouvido, com incrível insistência a soar a desculpa esfarrapada (ainda no último fim de semana presenciámos o presidente da Académica a perorar sobre o assunto), que os petardos são objectos tão minúsculos que têm muita dificuldade em ser detectados nas entradas dos recintos. Seja. Mas isso não pode constituir desculpa eterna para que em todas as jornadas estejamos a assistir impotentes ao deflagrar desses mini-engenhos sem que nada seja feito de visível para o impedir.

No rescaldo o único beneficiado parece ser a Liga de Clubes através da aplicação de generosas multas aos clubes. Com efeito, ainda não conseguimos perceber a razão para a falta de acção nesta matéria. Se os espectadores em geral conseguem identificar o local onde rebentam esses engenhos, porque razão os novos estádios de futebol que já dispõem de equipamento de segurança sofisticado não poderão dar uma ajuda às autoridades nesta matéria e identificar os seus autores? Ou será que algo nos está a escapar? Este é apenas um dos aspectos menores de violência que é preciso resolver, a par de outros que poderão atingir proporções muito mais graves. Do que é que se está à espera? Que aconteçam?






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