Ponto Vermelho
Aposta na Formação
5 de Dezembro de 2014
Partilhar no Facebook

No momento em que foi atingida a laboração plena da ‘fábrica de talentos do Seixal’, o Benfica começou a dar sinais mais ou menos evidentes de que o novo caminho poderá passar por uma aposta firme na Formação. Primeiro de forma mais espaçada mas nos últimos tempos com particular insistência do Presidente, essa decisão estratégica poderá acontecer, a nosso ver, por duas ordens principais de razões; em primeiro lugar porque seria manifestamente incompreensível que não fossem aproveitados jogadores com potencial que estão a emergir dos vários sectores da Formação e, em segundo, porque a crise que tem abalado Portugal sem dó nem piedade fez duas vítimas que passavam por ser as entidades que mais apoiavam o futebol em Portugal. Se lhe quisermos acrescentar ainda uma terceira esta mais sentimental, diríamos que desde Rui Costa, raríssimos foram os atletas que não se perderam na voragem dos tempos.

É sabido que os talentos por disporem de qualidade e condições inatas superiores, não surgem quando se quer. Tem até acontecido que muitos que prometem um futuro risonho, por esta ou por aquela razão acabam por não passar de promessas sempre adiadas. Mas é indiscutível que nem sempre a culpa por não singrarem deriva exclusivamente deles próprios, porquanto os clubes também têm, por razões diversas, falhas no acompanhamento, no desenvolvimento e na cabal afirmação do potencial que revelam. Sem esquecer, como é óbvio, a própria organização do futebol português que de há vários anos a esta parte não tem permitido que os jovens mais promissores se possam afirmar na alta roda do futebol. Urge arranjar espaço para quem tem valor e, ao mesmo tempo, tornar o futebol mais competitivo. Para isso, entre outras medidas, há que reduzir o número de participantes nas duas principais Ligas.

Alguns progressos foram todavia feitos nos tempos mais recentes. A re-introdução das equipas B veio permitir que alguns jovens atletas com falta natural de traquejo para outras andanças e sem espaço na equipa principal dos respectivos clubes formadores e até mesmo para preencher lacunas em clubes da 1.ª Liga, continuassem a dificílima transição para um superior patamar competitivo. Não será pois por acaso que há jogadores a sobressair, tornando-se candidatos a caminhar para uma etapa mais adiantada na sua ainda curta carreira.

Com a excepção do Sporting com tradição até a um passado recente e do Vitória de Guimarães nos tempos actuais exactamente pelas mesmas razões (financeiras), os dois outros principais clubes definiram uma estratégia diferente e bem conhecida que, até ao momento, tem dado frutos suculentos. Como todas as situações inovadoras teve o seu período áureo, sendo que no futuro poderá conhecer uma evolução negativa ou no mínimo já sem o sucesso que a caracterizou nos primeiros anos. Consequência da crise que afecta os clubes e principalmente as suas tradicionais fontes de financiamento, questão que se agrava de algum modo com a perseguição aos Fundos de Investimento de Jogadores por parte da UEFA.

É aí que no caso do Benfica entra a Formação que depois do período indispensável para a sua implementação está agora a atingir o break even point como aliás se tem vindo a constatar. LFV tem razões para começar a sentir-se recompensado pela aposta feita e por razões conjunturais antecipar aquilo que parece ser uma evidência para o futuro a médio e a longo prazo – catapultar para a equipa principal jovens valores oriundos da Fábrica do Seixal que reunam condições que se enquadrem no perfil definido e que estejam em condições de justificar a aposta.

No entanto, isso tem que ser feito de forma gradual e ponderada para, por um lado não antecipar etapas que têm necessariamente que ser percorridas e, por outro, sem descurar jovens valores estrangeiros a quem seja reconhecido potencial para virem a sobressair na equipa e, depois, seguirem o percurso normal de alienação aos tradicionais clubes compradores equilibrando assim a tesouraria. Formar custa tempo, paciência e dinheiro e o ideal é passar a haver auto-suficiência nesse particular. Uma realidade a que não se pode voltar as costas.

Desta nova simbiose pode nascer uma nova era. LFV tem vindo a enumerar este objectivo e chegou a altura de, sem pressas mas também sem hesitações, de não o desvirtuar. As coisas são o que são e por mais bem esquematizadas que estejam no campo da teoria podem vir a enfrentar dificuldades inesperadas a partir da aplicação prática. Mas havendo intenção e sobretudo vontade firme, é meio-caminho andado para que se atinjam novos patamares evolutivos. Por todas as razões conhecidas a estrada começa a estreitar-se e nesse particular há que optar por alternativas inovadoras, um campo em que o Benfica tem sido pioneiro. Também aqui e ainda que numa conjuntura diferente, sê-lo-á, certamente. Acreditamos que não vamos ter que esperar muito…






Bookmark and Share