Ponto Vermelho
Controvérsias desnecessárias
6 de Dezembro de 2014
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Desde há muito tempo que os fait divers e os oportunos mind games foram introduzidos no dia a dia do panorama nacional, não importando o sector de actividade. Basta que estejam reunidas algumas condições e ingredientes para que tal aconteça, sendo condição absolutamente essencial o facto da pessoa, da entidade ou do clube constituir um chamariz atractivo, porque os vários canais sempre atentos a esse género de minudências encarregam-se do resto. A isso não será alheio o facto de parte significativa da populaça preferir debruçar-se sobre os acontecimentos registados na vida dos outros, entretendo-se deliciada porque enquanto o faz, esquece frustrações próprias e diverte-se ilusoriamente. Alguns programas televisivos ou pseudo-notícias divulgadas em jornais e revistas especializadas estão aí para provar isso mesmo e legitimar essas opções informativas. No fundo dar ao povo aquilo que o povo quer.

No plano desportivo pela sua notoriedade e pelo impacto que causa mesmo naquelas pessoas menos atentas e familiarizadas com o fenómeno, é uma constante de sempre. Diariamente constroem-se notícias sem substância e polemizam-se situações que não deviam merecer mais do que simples notas de rodapé. Criticam-se aleivosamente opções de terceiros apenas e só porque se discorda ou porque, ao fazê-lo, introduzem-se factores de controvérsia que podem ir de encontro a objectivos delineados. Próprios, do clube, ou outros menos visíveis. Mas como desmentir esta realidade que é o pão nosso de cada dia cá do burgo?

Já foi suficientemente escalpelizado o facto da legislação e os regulamentos futebolísticos, a exemplo das leis em geral, terem lacunas e insuficiências que são propícias à geração de polémicas, bastando para isso que haja alguém disposto a tal. É um dado seguro e incontornável que há sempre. Falamos mais em concreto dos empréstimos de jogadores a outros clubes que volta e meia estão na berlinda, em particular quando em causa estão os principais clubes. Já lemos e ouvimos opiniões diversas sobre a matéria que sendo legítimas mas diversificadas, na ausência de regras claras acabam por provocar ainda maior confusão. Que apenas aproveita aos que estão sempre à espera de oportunidades…

Até hoje têm sido variadas as situações em que tal tem sucedido, porque não existindo em alguns casos, qualquer proíbição de origem de utilização do(s) jogador(es) emprestado(s) contra a sua casa-mãe, no momento dos encontros entre ambos surgem aquelas lesões inesperadas ou as indisposições súbitas a impedir a utilização dos jogadores, o que fatalmente gera dúvidas no espírito dos adversários ou da opinião pública. Dois casos contraditórios e ligados ao mesmo clube – FC Porto –, estão bem presentes na memória de todos; o de Abdoulaye então emprestado ao V. de Guimarães e, recentemente, o de Tozé emprestado ao Estoril.

Seria por demais conveniente regular de vez uma matéria que ainda que tendo alguma complexidade, necessita de tornar tudo mais claro e transparente. Por nós, deveria estar consagrado, por exemplo, que jogador emprestado não deveria jogar contra o clube detentor do seu passe. Na ausência de legislação específica funciona o acordo de cavalheiros sobre o sim ou o não e, desde que haja cavalheiros, acaba por funcionar com toda a legitimidade. O pior é quando os cavalheiros deixam de o ser e abrem caminho a situações ínvias e de conveniência como vimos atrás com Abdoulaye.

Por se disputar hoje o jogo Benfica-Belenenses, ganhou outra vez foros de actualidade a situação de Miguel Rosa e de Deyverson. Pelos dados transpirados, sem qualquer razão de ser. Segundo os contornos conhecidos, aquando da transferência dos jogadores para o Restelo terá sido estabelecido um acordo verbal no sentido de que os mesmos não poderiam defrontar o Benfica. Poder-se-ão invocar aspectos morais ou de outra natureza mas a realidade é que haverá um acordo entre as partes e ele está a ser cumprido na íntegra.

A introdução de alguma poeira terá a ver, a fazer fé em algumas notícias, com o facto de ter demorado algum tempo a comunicação entre a SAD azul e o seu técnico e, posteriormente na possibilidade dos jogadores irem para estágio o que entretanto o técnico terá recusado. Tudo o resto é obviamente aproveitamento. Temos assim que em concreto existirá um acordo verbal entre as partes e o mesmo estará a ser respeitado. Nesse contexto, e enquanto não houver legislação a determinar o contrário, onde está afinal o problema? Ou será, apenas, vontade de alguns propiciar mais uns momentos de deleite à populaça?






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