Ponto Vermelho
Aquecimento dos motores…
8 de Dezembro de 2014
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A 12.ª jornada do campeonato nacional englobava alguns jogos bem interessantes e com expectativa como o Benfica-Belenenses e o sempre aguardado derby minhoto entre o SC Braga e o surpreendente Vitória de Guimarães. Noutro plano o Boavista-Sporting. O Académica-FC Porto, apesar de os portistas lá terem deixado os três pontos na anterior temporada, era porventura de todos o que se apresentava com lógica mais consequente. Para isso concorria a actual debilidade dos estudantes que, esta época, ainda estão muito longe de acertar o passo pelas exigências competitivas mínimas para qualquer equipa que compita no escalão maior sem a contínua sombra de descida de divisão a pairar no horizonte.

No caso do Sporting que tem vindo a esbanjar pontos fora de casa, era expectável que regressasse a Alvalade vitorioso dada a fragilidade do plantel boavisteiro que parece ainda não ter digerido o tremendo salto administrativo do Campeonato Nacional de Seniores para o patamar mais elevado do nosso futebol, embora a imagem de marca do treinador Petit tenha vindo a ter influência marcante na equipa que tem de alguma forma compensado com arreganho as lacunas visíveis a olho nu em praticamente todos os sectores. E como se viu nem o relvado sintético veio em seu socorro. Como não há bela sem senão, o Sporting acabou por perder por lesão muscular e por tempo ainda indeterminado Nani, claramente o jogador que tem feito a diferença e tem ajudado a desbloquear vários jogos.

Em Coimbra acabou por acontecer aquilo que os mais avisados vaticinavam; o FC Porto nas vésperas do último encontro da Fase de Grupos da Liga dos Campeões em que para além do prestígio o que verdadeiramente vai contar é a possibilidade de arrecadar mais um milhão de euros, entrou para resolver cedo já com o jogo do próximo Domingo contra o Benfica no pensamento dos jogadores e da equipa técnica. Para além do domínio que logo impôs, chegou com facilidade a um resultado confortável ainda durante a 1.ª parte e depois limitou-se a gerir até final as incidências do jogo, atendendo a que a Académica tal como já tinha acontecido contra o Benfica, foi praticamente inofensiva.

Ao invés, expectativas acrescidas na Luz onde as dificuldades e o resultado da época anterior estavam bem presentes no espírito de todos. Perder pontos na véspera do importante jogo do Dragão seria péssimo para a equipa do Benfica não apenas pela redução ou mesmo anulação da vantagem pontual de que beneficiava, mas também porque a acontecer, não deixaria de ter impacto anímico assinalável no sub-consciente dos jogadores e de toda a estrutura. O Benfica sem ter produzido uma exibição de encher o olho (sobretudo na primeira parte) acabou por ganhar naturalmente e com inteira justiça, e, assim sendo, os aspectos laterais passaram a ocupar a mente, o espírito e a palavra de grande parte dos comentadores. Nada, afinal, que não se esperasse.

O assunto da utilização ou não utilização de jogadores já tem barbas. Mas quando se insiste na mesma tecla para obter dividendos sobre um caso apenas e só porque envolve o Benfica quando tem havido outros de teor ainda mais significativo envolvendo outros clubes ao longo dos tempos, é difícil não replicar. De facto, circunscrever o jogo a esse fait-divers e reduzir a vitória indiscutível do Benfica à sua expressão mais simples não faz o mínimo sentido. Que a legislação precisa de ser adequada e transparente relativamente a esse tipo de casos não oferece grande discussão. Que têm que ser os clubes a pugnar por essa matéria também não oferece dúvidas. Mas então se assim é, porque razão depois de tantos anos a acontecerem tantos casos os clubes não alteraram os regulamentos?

Três notas adicionais: 1) Fica a sensação que o spray apesar de ter começado a ser fazer parte (e bem) da bagagem obrigatória dos árbitros ainda não conseguiu criar rotinas. Na Luz, Manuel Oliveira (arbitragem equilibrada e sem grandes erros), esqueceu-se nos primeiros livres que assinalou de o utilizar;
2) O derby minhoto foi particularmente intenso e viril dentro das quatro linhas. Pena que tenha culminado com três expulsões, sendo que o resultado (justo) provou que o Vitória de Guimarães não é fruto do acaso e promete continuar;
3) Congratulamo-nos com o facto do recadeiro do facebook estar atento e ter lido (ou alguém por ele) o Art.º 52.º do Regulamento das Competições da Liga de Clubes. É bom haver alguém sempre vigilante…








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