Ponto Vermelho
Montagem do palco!
22 de Janeiro de 2013
Partilhar no Facebook

Confirma-se em absoluto: O nervosismo tomou conta do dragão e com o 'Querido Líder' semi-retirado e Antero Henrique a não poder chamar a si demasiado mediatismo, é a vez de Vítor Pereira ser forçado a assumir um papel para o qual não está vocacionado mas que por força das circunstâncias especiais da conjuntura é forçado a fazê-lo. Não é evidentemente a primeira vez que tal sucede e não será porventura a última. Já a temporada transacta, no pressuposto que iria causar o efeito desejado, pouco tempo antes do FC Porto se deslocar à Luz num jogo que acabaria por vencer graças à dupla Pedro Proença-Ricardo Santos, o treinador do FC Porto tinha vindo a terreiro com uma teoria delatora dos bloqueios de jogadores do Benfica por forma a chamar a atenção das equipas de arbitragem para um dos pontos fortes que considerava na equipa do Benfica sobretudo nas bolas paradas, como se essa alegada acção fosse um exclusivo encarnado. Teve reflexos imediatos em particular em Coimbra onde um solícito Hugo Miguel tanto fez questão de seguir as instruções da Torre das Antas que perdeu um penálti do tamanho da dos Clérigos, mas passado o clássico e conseguidos os objectivos pelos recorrentes caminhos ínvios, tudo voltou à primeira forma e não se ouviu falar mais disso.

Esta época não ganhando na Luz como esperava, a táctica foi alterada, muito embora levada a cabo com idêntico objectivo: condicionar as equipas de arbitragem, um princípio de ouro desenvolvido, aperfeiçoado e realizado no laboratório de Pinto da Costa com os óptimos resultados que se conhecem, seja por benefícios directos (por acção ou omissão), seja por vantagens indirectas através do prejuízo estratégico do Benfica. A ladainha já dura desde o clássico e foi cirurgicamente reactivada nas vésperas do SC Braga-Benfica, atendendo a que se há estádios onde perspectivam que os encarnados venham a perder pontos, o AXA será porventura um deles. Pelo menos é essa a sua esperança. E, claro, vinha mesmo a calhar no início da segunda volta pois os portistas necessitam rapidamente de descansar para começarem a caminhar para atingirem a concentração máxima com vista à Liga dos Campeões onde dito pelos seus, têm aspirações altas esta época.

Não foi claro por acaso que, para além dos assalariados que se encarregaram de manter o assunto em banho-maria na comunicação social, surgiu na altura exacta um dos fortes aliados – António Salvador – com algumas analogias perfeitamente despropositadas que já se passaram a confundir com as atitudes e as acções do seu vizinho e correlegionário mais a Sul, quer na forma quer no conteúdo, mas não no inimigo a combater. Foi justamente por isso que só ouvimos da sua parte um terrível e ensurdecedor silêncio quando o melhor árbitro do Mundo adulterou em seu desfavor o resultado em Alvalade e, nas suas próprias barbas, o expoente albicastrense inclinou o campo a favor da outra equipa e o derrotou sem apelo nem agravo. Nessas duas ocasiões ou estivemos distraídos, ou não ouvimos qualquer pio da sua parte, o que em boa verdade só causará surpresa aos mais desatentos, como igualmente não espanta a sua indignação na semana de receber o Benfica. Todos os pormenores são cruciais.

Certamente por distracção nossa de que antecipadamente nos penitenciamos, desconhecíamos que o jogador Paulo Vinícius representava para os bracarenses aquilo que Leo Messi representa para o Barcelona ou Cristiano Ronaldo para o Real Madrid, pois não houve cão nem gato que não falasse dele e até o inefável Vítor Pereira-Treinador lutando contra a sua timidez a ele se referiu. De repente, Vinícius (que valha a verdade a crítica independente considerou exagerada) chegou ao pico do mediatismo e estará por esta altura francamente surpreendido com a projecção que atingiu através de um gesto banal num campo de futebol. Já devia saber que tudo isso aconteceu porque subjacente estava a visita do Benfica, o que prova que se o adversário fosse qualquer outro, por certo não teríamos tanta gente a falar do assunto, desde os freteiros, passando por António Salvador ou ainda Vítor Pereira, que apenas se esqueceram de enquadrar a não expulsão de Leandro Salino na sua teoria da cabala. Surpresos ficámos apenas por não ter tido ainda oportunidade de assistir a mais um show de fina ironia ou ainda das habituais dissertações corrosivas do edil da cidade dos Arcebispos, mas entre telefonemas e estratagemas é natural que o tempo escasseie e a semana ainda agora começou...

Escolhido o local, era pois altura de montar o palco e chamar os artistas. E quando são pessoas com larga experiência a supervisionar a sua montagem é certo e sabido que as possibilidades de êxito disparam em flecha. O aumento gradual da temperatura sabiamente administrado significa que nada foi deixado ao acaso. Pena foi que Matic não tivesse sido contemplado com o cartão amarelo, já que as queixas sobre Fernando são meramente estratégicas pois, a menos que houvesse uma surpresa de todo o tamanho, não estão previstas quaisquer dificuldades na deslocação-repetição ao Bom Fim e até para a festa entre amigos ser mais intensa, haverá que destacar a subida honra do evento ser abrilhantado pelo melhor árbitro do Mundo. Não é todos os dias e muito menos para todos, pelo que torcemos com todos os dedos para que não chova amanhã à noite e a bola circule sem qualquer dificuldade e não fique presa em qualquer poça de água.










Bookmark and Share