Ponto Vermelho
Sobressaltos sem justificação
10 de Dezembro de 2014
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Dando mais uma vez razão à salutar imprevisibilidade do desporto e aos pormaiores inesperados que podem inverter a lógica de um jogo de futebol e transfigurá-lo por completo, a última partida do Benfica na Europa esta época constituiu para nós e certamente para a grande maioria dos observadores, uma boa e grata surpresa. Afinal, algum receio que tínhamos manifestado antes do desafio pelo facto de haver tanta mudança de jogadores não tinha, como se constatou, razão de ser. É gratificante poder dizer que ainda bem que assim foi.

Logo que os indícios passaram a ter confirmação através da convocatória, começou a conjecturar-se um onze muito diferente. Expectativas confirmadas a partir do momento em que os jogadores subiram ao relvado para o aquecimento em que apenas houve repetição de um titular do jogo com o Belenenses. As reservas manifestadas à priori não tinha propriamente a ver com a menor capacidade de alguns jogadores mas tão somente devido à falta de entrosamento e de ritmo por não jogarem habitualmente juntos a não ser nos treinos, o que como se sabe não é bem a mesma coisa. Teoria infundada afinal.

Um dos argumentos carregados de alguma lógica para a exibição conseguida ontem à noite poderia ter a ver com a vontade extra manifestada pela maior parte dos jogadores utilizados (sobretudo aqueles que têm beneficiado de menores oportunidades) que queriam aproveitar o ensejo para apresentar serviço e assim impressionar o treinador e a massa adepta. Haverá por certo alguma razão nessa assumpção porque é a reacção intuitiva de qualquer jogador que se encontre nessas circunstâncias. Mas se isso funciona como factor motivador, poderá ter igualmente o handicap de representar alguma inibição com base no frenesim não refreado de querer fazer tudo bem e depressa de mais.

Acresce que, por muito que tenha havido campanhas de desvalorização que aliás se traduziram naquela que terá sido porventura uma das piores assistências de sempre do Benfica na Liga dos Campeões, o jogo não era propriamente a feijões de parte a parte, porquanto os encarnados defendiam o prestígio e tinham o factor motivador de um milhão de euros, e o Bayer Leverkusen tinha que fazer por alcançar um resultado positivo que, afinal, em face do resultado obtido pelo Mónaco só poderia ser a vitória. Portanto o jogo, apesar da noite fria, englobava os ingredientes necessários para ser arduamente disputado e atrair os espectadores. Ao não terem correspondido mais uma vez, esse deverá ser um tema de análise e ponderação obrigatórias por parte da estrutura directiva encarnada.

Com todos os factores conjugados, temos que admitir que não estávamos à espera de uma réplica encarnada tão conseguida porque na retina ainda tínhamos a imagem de Leverkusen em que o Benfica com a melhor equipa possível tinha transmitido ao mundo do futebol uma pálida imagem de si próprio, enquanto o Bayer tinha chegado, em determinados períodos, a ser exuberante. E porque continuamos a considerar que os alemães tinham a equipa mais equilibrada do Grupo e iriam lutar por um resultado que lhes permitisse chegar ao fim em 1.º lugar, as dificuldades teriam tendência a agudizar-se.

Felizmente que a lógica desta vez não funcionou e quem teve a oportunidade de presenciar o jogo ao vivo ou pela TV não deverá poder afirmar que foi um desafio de intenso domínio alemão recheado de oportunidades de golo mas, antes pelo contrário, com uma réplica interessante e consequente dos jovens encarnados ao longo dos noventa minutos, Terão chegado ao fim com a certeza enraízada de que o resultado podia e devia ter sido outro e, indo até mais além, terão experimentado o sabor amargo da frustração ao sentir que o Benfica tinha tido boas condições para ser apurado e inclusivamente ter chegado ao fim em primeiro lugar no Grupo.

Não sendo já nada reversível mas nunca esquecendo mais esta lição, importa agora abordar o futuro e dar primazia ao jogo que preenche as preferências de todos. Mas antes disso, constatar que o plantel do Benfica é afinal mais completo e com mais possibilidades de opções. Mesmo admitindo saídas em Janeiro, com as alternativas que ontem despontaram e com o regresso dos lesionados de longa duração, os encarnados têm todas as possibilidades de não deixarem os seus créditos por mãos alheias. E desde já poder corresponder ao apelo cantado dos adeptos para o próximo Domingo…






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